quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O EVENTO: A ILHA E O FIM DO MUNDO

O dia 21 de dezembro de 2012 está próximo. É a data em que o Calendário Maia, iniciado há 5.200 anos, chegará ao fim. Será o APOCALIPSE? O Fim do Mundo provocado por tempestades solares causadas pela inversão dos polos da Terra e enfraquecimento do escudo do campo magnético?

“A teoria dos físicos modernos em relação às previsões astronômicas feitas através do calendário dos Maias afirma que a Terra passará por um fenômeno chamado de "deslocamento dos polos". Esse fenômeno irá mudar completamente a posição dos polos terrestres num curto espaço de tempo, dias ou talvez algumas horas. Forte, provável que esse fenômeno possa causar um desastre a nível planetário, todos os continentes seriam sacudidos por fortes terremotos, violentos TSUNAMIS inundariam todas as cidades costeiras... Nesse caso, seria a ultima catástrofe jamais registrada antes em toda a nossa história. Mesmo que essa teoria pareça pura ficção, ela realmente possui um fundamento cientifico comprovado. Até mesmo o físico Albert Einstein evocou esse fenômeno no inicio dos anos 50.”

(FONTE: https://sites.google.com/site/21dezembro2012/)

“A notícia, que tem toda a atenção da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, juntamente com a NASA e deixa cientistas de todo o mundo bastante preocupados, é a de que a Terra (e todo o Sistema Solar) começa a atravessar o centro absoluto da Galáxia, também chamada de fenda escura ("dark rift") da Via Láctea,cujo auge será mesmo em torno do dia 21.12.2012.  A fenda é escura porque está cheia de lixo espacial, que consiste desde pedras e pedregulhos, até mesmo asteroides e alguns objetos do tamanho de planetas. Este "racha escuro" é o plano galáctico gravitacional da Via Láctea e esconde as armadilhas desse lixo espacial.”

clip_image002

“Na foto da Via Láctea acima, o astrofísico Alexei Dmitriev diz que as sondas espaciais Voyager-1 e Voyager-2 revelam que o nosso Sol, bem como todo o nosso Sistema Solar, está agora entrando em uma nuvem de energia interestelar poderosíssima. Opher, um investigador da NASA e especialista em heliofísica (estudo do Sol) da Universidade George Mason, diz que esta nuvem de energia interestelar é turbulenta e seus efeitos já estão visíveis nas tempestades solares recordes dos últimos meses.”

“Esta nuvem interestelar de energia elétrica também é absorvida pela Terra e os cientistas descobriram que isso resulta em mais tremores de terra e alterações climáticas desastrosas. Ou seja, tudo o que estamos assistindo ultimamente, mas, como o fenômeno ainda está apenas em fase de aproximação, a tendência por enquanto é só de piorar.”

(FONTE: http://filosofiaimortal.blogspot.com.br/2012_11_01_archive.html)

Na epístola ao rei Henrique II, Nostradamus escreveu:

“Haverá um eclipse solar mais escuro e sombrio do que todos desde a criação do mundo… tanto que parecerá que a gravidade da Terra perdeu o seu movimento natural e que o planeta mergulha no abismo da escuridão perpétua.”

FONTE: http://2012revelacao.weebly.com/nostradamus.html

Ou o Fim do Mundo será provocado pela colisão com NIBIRU, um hipotético, errante e fantasmagórico planeta?

“Os russos não escondem que o chamado Planeta X ou Nibiru como outras abordagens da Terra e suas consequências podem ser catastróficos. No céu, há um novo objeto, uma mancha avermelhada antes só observada por astrônomos, mas depois de maio de 2012 pode ser visto a olho nu.
Esse seria o escuro planeta Nibiru. A probabilidade da existência desse planeta em nosso sistema solar, apenas reconhecido pela NASA em 1982, vem desde os sumérios, 5000 anos atrás. Eles o chamavam de "disco alado" e argumentam que o aparecimento de Nibiru no céu é uma ameaça, causando problemas. “
(FONTE: http://celiosiqueira.blogspot.com.br/2012/06/nibiru-2012-o-planeta-x-esta-vindo-para.html)

Este vídeo mostra o que resultaria de tal desastre:

 

“As revelações apocalípticas de João, presentes na Bíblia católica, afirmam que o fim dos tempos ou o julgamento final está próximo! Porém, não se sabe com precisão quando o fim dos dias vai acontecer. Não existem datas precisas afirmando o momento exato em que o mundo irá realmente acabar, indicando o dia, o mês e o ano. Existem muitos sinais e passagens talvez difíceis de serem interpretadas corretamente.”

FONTE: https://sites.google.com/site/21dezembro2012/

 

Ou não será o Fim do Mundo, mas o dia em que, finalmente, as civilizações extraterrestres se revelarão à Humanidade, iniciando uma Nova Era? Você tem apenas alguns dias para refletir sobre o assunto. Tudo pode acontecer, inclusive... nada! Mas, enquanto você pensa em catástrofes e na existência de vida em outros lugares do Universo, vamos falar da visita que turistas interplanetários (ou seriam exploradores?) fizeram à Amazônia em 1977, com destaque para os avistamentos de OVNIs na Baía do Sol. Assista à entrevista do Coronel Uyrangê Bolivar Soares Nogueira de Hollanda sobre a chamada Operação Prato e tire suas próprias conclusões:

 

Se esses turistas espaciais virão à ilha do Mosqueiro ou o Mundo acabará no dia 21 de dezembro não sabemos dizer. O certo é que a Ilha se prepara para receber muitos visitantes durante o réveillon. Antes disso, no segundo domingo do vindouro mês, acontecerá o Círio do Mosqueiro e, com certeza, o povo mosqueirense estará rezando à sua Padroeira, Nossa Senhora do Ó, pedindo-lhe que o mundo não acabe ainda e que, em 2013, seja iniciada uma Nova Era na administração municipal, capaz de proporcionar ao Distrito maior desenvolvimento e qualidade de vida.

PARA CONHECER MAIS DADOS PROFÉTICOS E CIENTÍFICOS SOBRE 2012 E O FIM DO MUNDO, CONSULTE OS SITES CITADOS.

domingo, 25 de novembro de 2012

NA ROTA DO TURISMO: UMA ILHA NO MARAHU

 

Localizada em frente à praia do Marahu, em Mosqueiro, uma pequena ilha rochosa destaca-se na paisagem, tornando-se mais bela e atraente ao alvorecer e ao pôr-do-sol. Afinal, é ali que o rio Pará forma a baía do Sol, onde o astro-rei nasce e morre todos os dias e, nos tempos longínquos, recebia o culto dos tupinambás, em agradecimento pela fartura de peixes, de caças e de frutas que a Natureza lhes oferecia. A ilha das Guaribas, como é conhecida, sempre foi um lugar misterioso para quem, ao longo do tempo, a observa a distância ou dela se aproxima movido pela curiosidade. Assista ao vídeo enviado por sandro89566 em 29/10/2010 e, para conhecer o mistério que envolve a ilha, leia, neste blog, a lenda “As Guaribas”.

PESQUISE NESTE BLOG:

“AS GUARIBAS”

:http://mosqueirando.blogspot.com.br/2011/09/mosqueiro-lendas-e-misterios-as.html

sábado, 24 de novembro de 2012

EVENTO RELIGIOSO: CÍRIO DE CARANANDUBA

 

O Círio de Carananduba, na Ilha do Mosqueiro, Distrito de Belém, homenageia Nossa Senhora da Conceição, cujo templo foi inaugurado no dia 10 de janeiro de 1914. Com o crescimento populacional da Ilha, em 2008 foi criada a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, que partilha com a Paróquia de Nossa Senhora do Ó a Missão de Evangelizar da Igreja Católica. O Círio acontecerá amanhã, dia 25, e, hoje à noite, será realizada a Trasladação da Imagem da Santa Padroeira.

clip_image002

“O Círio da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, na Ilha de Mosqueiro, também realizará procissão mariana. A romaria sai da Comunidade Santa Rita de Cássia, no Carananduba, logo após a realização de uma celebração eucarística. Já os amantes de músicas animadas católicas poderão conferir os hits da banda Trio Cristo Dance. Este ano, a festa tem como tema: “Com Maria enraizada na fé em Cristo” e busca, dentre outras coisas, motivar jovens e adultos para a construção do novo templo religioso da comunidade católica.

A programação encerra no dia dedicado à padroeira, 8 de dezembro, com o Santo Ofício, às 7 horas, seguido de missa. Às 12 horas, haverá uma novena de bênção da Imaculada Conceição. A celebração solene será às 19 horas.”

clip_image004

Padre Francisco das Chagas convida para o Círio de Nossa Senhora da Conceição

FONTE: http://paulinasbelem.blogspot.com.br/p/arquidiocese-de-belem.html

FONTE DA IMAGEM: http://www.igreja-catolica.com/nossa-senhora/nossa-senhora-da-conceicao/imagem-de-nossa-senhora-da-conceicao.php

PESQUISE NESTE BLOG:

http://mosqueirando.blogspot.com.br/2012/03/na-rota-da-historia-cirio-da-conceicao.html

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A FICÇÃO E A ILHA: A LENDA

Autor: Prof. Alcir Rodrigues

        Puc puc puc puc...

        O barco-motor ia assim deslizando e decepando ao meio o piso líquido à sua frente.

        Era já a Curva da Cobra. Era já noite alta. Ar sereno. Estrelas salpicando o céu. Maré seca.

       O túnel formado pelas ribanceiras e árvores da margem, tão compridas que se esticavam como querendo tocar o céu, ia a pouco sendo vencido pela embarcação. Nem um leve temor parecia assustá-los, apesar das histórias que se contam sobre o local...

        Motor já desligado, barco empurrado por varas. Foi escolhido onde ancorar. Lugar bonito. Muitos açaizeiros. A gente nem é capaz de lembrar mais como era quando os palmiteiros mutilaram os açaizais uns dez anos... sei lá, talvez onze.

         ─ Por que aqui? ─ perguntou Simão.

         ─ Muito seco pra acolá, respondeu Pedro quase gritando lá da proa. ─ Dá não. Melhor ficar aqui té enchente.

         Era preciso dormir um pouco. A cachaça ajudava. Bebida, fumo, todos dormiram depois. Mas não muito. Tempo não dava.

         Logo amanheceu. Cabeça da maré vinha vindo. Não fosse a pressa, podia se admirar o céu e as nuvens, as siriubeiras e as aves, ou mesmo os sararás na lama.

         Um pouco de café com farinha. Torradas velhas, água amarela do rio pra beber. Às vezes, João queria deixar essa vida. No entanto, estava acostumado. E havia ainda a necessidade que tinha do trabalho. E, quem sabe no fundo, não gostasse de viver assim. Mas é uma vida tão dura... O peixe às vezes farto, às vezes escasso. As redes ora boas ora rebentando... o barco fazendo água, precisando de calafeto. A saudade das namoradas que quase não teve, a família que estava distante, de quem não tinha notícia um tempão. A pobreza de tudo, de quando em vez, deixava-o assim.

          ─ Vamos, João, chega de folga.

          ─ Calma, Pedro, já vou.

         Era assim sempre: estando concentrado, pensando-pensando nas coisas... o trabalho, sempre o trabalho acima de tudo.

       Subiram mais um pouco o igarapé. Lá na estância descarregaram os esteios que tinham transportado como biscate. Serviço brabo sem luvas. Acapu tem muitas ferpas. Sem falar no peso. Mão do carregador sofre, ombro mais ainda. 
         Serviço findo, conversa fiada depois da água gelada. Tudo neles era suor e mau odor, sentados os três ali na beira em cima daquelas raízes grossas e lamacentas. Maré já vazava. Carecia não demorar além do tempo.

          ─ Quanto vamo pegar?

          ─ Uns 20 mil, acho...

          ─ Mesmo que seja só 10, eu já faço muita coisa com minha parte.

        Seu Armino aproximou-se. Disse, estendendo a mão para Pedro:

          ─ Tome, pegue o dinheiro de vocês.

          Era dinheiro razoável.

          Tinha festa naquela noite. Muitos iam ao terreiro do tio Oragão. Os três também.

          João, dos três, é o mais atarracado. É branco. O sol bronzeara um pouco. É o mais novo. Sonhador, mas a ideia de mudar de vida já quase lhe fugia da memória, desesperançoso, apesar da pouca idade... triste. Já quase não fala com ninguém. Os dois outros estranharam no início, mas se acostumaram com seu jeito.

          Simão é mediano de altura. Mulato, pouco magro. O que não quer dizer fraco, o contrário disso. É otimista. A gente pode dizer que ele gosta da vida que leva. Trabalha com barco uns oito anos.

          Pedro é alto e forte. O mais velho. Talvez por causa disso é respeitado por todos. Não só os dois: todos. Também é calmo e observador. Experiente, tem sempre muitas histórias para contar.

           A gente pode dizer que são um trio. Se entendem.

          Pararam no porto do Leônidas. Beberam. Muita branquinha depois, banho de rio. Água lamacenta, poluída por muitos sanitários. Pessoas expulsas, no processo capitalista selvagem, deixam o chão seco para (sobre) viver na beira do igarapé. Mas isso pouco importa. Bebido, ninguém dá bola. Esfrega-se o corpo com sabão em barra, como se essa água levasse o sabão depois e não deixasse sujeira no lugar do suor pixelento. Não é lucro. Mas não ligavam.

          Aprontaram-se para a festa. Desceram do barco, pegaram uma canoa até a beira, mas a lama era muita. Arregaçaram as calças, sapatos nas mãos. Lama, lama, lama.

         Engataram, saindo do porto, no primeiro boteco, emporcalhados. A gente não sabe se era para se lavarem ou para tomar mais pinga.

         Depois, movidos como que por instinto, passaram na casa do mestre Garinaldo, fazedor de montarias.

          ─ Discupe as hora, Mestre, é...

         ─ Ora, que discupe que nada, Pedro. Entre. Entre vocês também.

          ─ Seu Naldo... ─ disse um.

          ─ Seu Naldo... ─ disse o outro.

          Tímidos, os dois foram entrando.

           ─ Clarinda, venha ver quem taqui! ─ gritou o Mestre.

           Mestre Naldo, como gostava de ser chamado, gostava muito de Pedro. Pedro tinha sido criado ali, com Mestre Naldo. Sua profissão, quem lhe ensinou o principal? O Mestre, ele, homem bom e sério, agora velho e meio decrépito.

           ─ Pedro, seu filho dumégua! Agora é que aparece? 

           Era Clarinda, que estava ali na sua frente vinda de detrás da cortina rasgada, com um camisolão ruço, já meio rasgado.

           Ela e Pedro abraçaram-se. Depois de trocarem algumas palavras, ela, virando-se para os dois, disse:

           ─ Vocês estão bem?

           ─ Sim ─ respondeu um.

           ─ Sim ─ respondeu o outro.

           ─ Vamo tomá uma branquinha? ─ foi o convite do Mestre.

           Muita dose depois, já bem tarde, todos se foram. Todos, menos o Mestre. Até Clarinda foi.

          Dentro da sede, confusões, empurra-empurra, bofetões. Hesitaram um pouco, depois entraram, mais levados pelas pernas e por Clarinda que por suas próprias vontades. Pesados, quase nem saíam do canto onde estavam.

          Ali por dentro era assim: confusão formada, porrada em seguida. Muita gente, uma panela de pressão. Dos quatro, só Clarinda sóbria, os outros já piruetavam em torno de si, orbitando. Pedro a custo dançava com Clarinda ali, num cantinho, bem pertinho-pertinho da cerca e da árvore de limão caiana. Se é que aquilo era dança mesmo, já que Pedro não dança nada. Os dois outros bebiam perto do banheiro, precavidos

          Muita cerveja mais tarde, todos, até mesmo Clarinda, que   tinha bebido alguns copos de cerveja, praticamente estavam de pé por milagre, a gente acha. Nunca beberam tanto. Beberam os calos da mão e os ferimentos do ombro, beberam quase todinho o dinheiro, dinheiro ensopado de suor oleoso e fedorento.

          Do outro lado, gente dançava merengue ouvindo xote, brega em ritmo de carimbó. Só os menos bêbados dançavam como a música pedia. E misturava-se de tudo: mambo, axé music, regae, funk, house... Dava tudo um caldo só, que só indivíduos fora do estado normal poderiam tolerar e, ainda mais, gostar. 
        Pulos, rodopios, piruetas, quedas, encontrões... tudo em favor do desabafo estressado de quem já não é esperançoso de mudança ─ pelo menos para melhor ─ na vida. Salários miseráveis (isto os que têm emprego!), dívidas, ignorância, sofrimento: tudo emana pelos poros, em suores fedidos e misturados... “Bebida e festa é enganote po célebro discansá!”, como dizem alguns. 
        Num repente, do outro lado veio um mundo de gente se socando. Um buraco se abriu ali no meio. Gente em fuga é desesperada! Caem, chocam-se, derrubam cercas e gente. Assim aconteceu com Pedro e Clarinda, machucando-se no pé de limão caiana. Simão viu aquilo. Enquanto os dois se levantavam lentamente (Clarinda, que gostava m e s m o de Pedro, sorria muito; aliás, gargalhava), Simão, com o olho vermelho que nem de saracura, descontroladamente correu e engarrafou a cara de um sujeito.

        O quebra-pau do outro lado se finava. Uns correram de lá esperançosos de poder participar de tão amena questão. E o que viram? Viram um homem de cara ensanguentada, caído, e outro, com um gargalo, bem defronte dele, em pé, trêmulo.

        Num susto, pipoca tudo. Mulheres correndo, berrando estridentes. Homens fazendo covardemente pior. Simão, cercado de mãos com paus, pedras e garrafas. João acode com estacadas. Pedro, levantando-se, exibe um facão. Tudo confuso, incompreensível. Barulhos e gritos. Sangue. Um estampido. Tudo para momentaneamente. Clarinda, que correu para Pedro, cai. Já não fala, já não respira. Desespero de Pedro, que fura mais dois. Dois outros estampidos: Simão. Pobre e estúpido Simão! Pobre Clarinda!

        Horas depois, nas matas das várzeas, os sararás saem das tocas, os pássaros em revoadas sobem e descem das copadas árvores, lembrando confetes jogados na passarela do carnaval. Garças cautelosas saboreiam camarões. As arirambas ariscas já fazem o mesmo, se bem que usando outras técnicas. Os urubus sobrevoam a floresta, todos indo na mesma direção. 
           Mas nenhum dos três observava. O barco estava ainda lá, próximo dos barrancos de tabatinga. A gente deve pensar que os três, ou melhor, os quatro, contando com Clarinda, já passaram desta para uma pior? Será? Vamos ver...

           É madrugada ainda. É perto da festa, ou daquilo que foi uma festa. Várias pessoas correndo incentivadas por uma sirene de polícia.

          Muitos viram o sol nascer pelos balancins (na delegacia, lógico). Muitos. Mas nenhum viu aquela bela cena na várzea. E Pedro e João? Foram presos? Não. Não foram. Os dois estavam ali na várzea, porém dormindo, quase um sobre o outro, ao pé de uma corticeira. Escaparam da polícia entrando num córrego e adentrando as matas dos igarapés, cambaleando, mas já um pouco recuperados pelo choque.

           Esbaforidos, tropeçavam nos gravetos e se arranhavam nos galhos e espinhos das picadas que levavam igarapé adentro.

           ─ Pedro, Pedro... PEEEDRO!

           ─ Quié?!

           ─ Pedro, eles estão mortos?

           ─ Sim!

           ─ Mas será...

           ─ Droga, cala a boca e corre!

           Muito tropeção e queda depois, enfim Pedro desaba no chão, feito árvore de madeira nobre decepada pela motosserra.

           ─ Pedro! Pedro! Quitá acontecendo?

          Um dos dois últimos tiros o atingiu. Bem na barriga. João rasgou a camisa, amarrando-lhe o abdômen para estancar o sangue. Arrastou-o até o tronco de uma árvore alta e, também desmaiou de sono e cansaço.

          Muita hora dormida depois, só João acorda. Pedro, não podia mais. João chorou muito. Pensou ter sido tudo um sonho, mas acordou e... chorou, chorou muito.

          Os urubus voltavam. Já era boca da noite, e a gente pode encontrar João todo ferido e enlameado, próximo ao barco. Escondia-se entre umas touceiras numa das margens do igarapé. Não sabia bem que fazer. Dúvidas multiplicavam-se e chocavam-se em sua consciência. Ia à polícia? Seria preso? E os corpos de Simão e Clarinda, já foram sepultados? Ou foram levados para o IML? Pedro, pobre Pedro! Dormiria sempre ali, ao pé da corticeira e sob a lama que lhe sepultava, o único e verdadeiro amigo?

          João não conhecia muita gente não. Quem o ajudaria? Ele pensava, pensava, não arranjava solução. Situação sem remédio, pensava. Será que estavam procurando por ele? Vigiando o barco? Ali esperaria. Ficaria alerta. 
          Muita ferrada de inseto depois, resolveu nadar até o barco, silencioso, como um tralhoto, tal a habilidade que a gente pode imaginar. Antes de subir, esfregões que tiram lama e mostram lesões, arranhões, cortes. Menos intranquilo, ia subindo no barco, quando notou um sacudir diferente, como se tivesse alguém andando dentro da cabina.

          Acautelou-se. Subiu devagar. Sabendo que o outro já sabia dele a bordo, foi direto à porta da cabina, com a lata, que servia de panela, na mão. Pensou: “Ô vai ô racha!” Abriu. Levou uma pernamancada que atingiu em cheio a lata. João empurrou seu agressor, que na queda perdeu a pernamanca. Engalfinharam-se os dois, caíram em cima do motor, chocaram-se contra as paredes. Luta dura e estranha no escuro. Mas João, que tal qual um bom soldado conhece seu território mesmo no breu da noite, apanhou do chão, que é ao mesmo tempo casco, uma pedra de tijolo, usada em par no fogo, para sustentar panela quando se faz comida nos “tesos”.

          “Prac”, foi o som do choque no crânio do agressor.

          Cansado, assustado, João descansou. Mas pouco. Logo ouve:

           ─ Merreco, Merreco! Quitá acontecendo?

           Ouve aquilo várias vezes e de diferentes bocas.

          Os gritos vinham da margem oposta de onde João veio. Os traque-traque dos gravetos quebrados faziam crer que havia pelo menos uma meia-dúzia de gente.

         Corre, arriba a âncora. Liga o motor. Ouve tiros. Manobra, quase encalha. Consegue, enfim, seguir adiante. Ainda tentam correr na lama da beira. Tentativa inútil: pedras cortantes, mangueiros, espinheiros. Obstáculos de mais. Desistem.

          João acende a lamparina. Está menos tenso. É quando olha o chão. Não vê ninguém. Súbito sente uma, duas facadas. Nas costas. Dor, horrível dor! Vira-se. Um homem de cara ensanguentada é o que vê. Cambaleando, exibe na mão uma faca pingando sangue.

            ─ Ah! Diacho! Tu vai junto! ─ grita contorcendo-se e arriando no chão. 
            Só que antes lhe atira a lamparina na cara, que logo o fogo devorará, não só a cara feia mas todo o corpo; aliás, os dois corpos, o barco também, que lentamente vai decepando ao meio a superfície do rio, ardendo em chamas, até ficar preso às raízes dos mangueiros, que são enormes ali na Curva da Cobra.

          Um imenso par de olhos vermelhos testemunha a cena-tragédia, a gente não pode dizer se plácida ou sinistramente.

         A gente lastima muitíssimo, porque João não leu a manchete que saiu na primeira página dum jornal, à tarde: “Gangue agride e mata casal numa festa nesta madrugada”.

 

FONTE:http://www.komedi.com.br/escrita/leitura.asp?Texto_ID=9251

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

MEIO AMBIENTE: MOSQUEIRO E A GESTÃO HÍDRICA NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO

Autor: Pedro Leão

clip_image002

 

A água é o bem essencial à manutenção da vida na terra e responsável por garantir inúmeras atividades importantes na sociedade como a irrigação na agricultura, atividades industriais, o uso doméstico, a pesca, a geração de energia elétrica, o lazer e o turismo, além de ser o principal fator indutor da sustentabilidade no planeta.

A água doce representa apenas 2,5% de toda a água disponível no planeta, sendo que, desse percentual, menos de 1% encontra-se nos rios, disponível para uso.

O Brasil possui grandes reservas de água doce, superficiais e subterrâneas, sendo que a Região Amazônica detém cerca de 70 a 80% daquelas e possui 7% da população do país.

No marco da grande crise ambiental de nossos tempos, urge soluções para a problemática do uso e gestão dos recursos hídricos, já que a mesma coloca em risco a disponibilidade da água potável parta as futuras gerações.

Com o acelerado crescimento populacional e ampliação de atividades na vida do homem, cresce o consumo de água, mas também o seu desperdício, aliado à poluição crescente dos cursos d’água, na área rural e nas áreas dos rios e igarapés urbanos, seja na área continental ou costeira.

Face às perversas consequências advindas dos inadequados usos, da escassez em muitas áreas e da demanda crescente pela água, as comunidades, empresas, instituições científicas, ONGs, parlamentares, entidades judiciárias e governos vêm aplicando e aperfeiçoando, conforme mecanismos técnicos e legais, a sustentabilidade do uso da água, ao estabelecer os seus domínios e efetivar a gestão dos recursos hídricos nas regiões e estados brasileiros.

Sendo a Região Amazônica a maior em disponibilidade hídrica do país, onde o estado do Pará participa com 1.134,7 Km2/ano, o Rio Pará é o segundo rio do sistema da foz do Amazonas, formado pela confluência de um ramo do Amazonas com o rio Tocantins.

A nível legal, o Estado do Pará, pela da Lei 6.381/2001, através da Secretaria Estadual de Meio Ambiente – SEMA, instituiu e vem implementando seu Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos, e, além de implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos, coordena a gestão integrada dos recursos hídricos no estado.         

Afora os inúmeros conflitos entre diversos grupos sociais e setores de interesses pelo uso e controle das águas na Amazônia, como os pescadores e garimpeiros ou entre comunidades indígenas e governo na disputa das áreas de grande potencial hidroelétrico, o seu uso desregrado e inadequado tem levado a que especialistas da região alertem sobre essa problemática. Estudo realizado através do projeto MEGAM/2002, afirma que:

“A hidrografia da região Amazônica é riquíssima. É nesta região que se encontra a maior bacia hidrográfica do planeta, formada pelo rio  Amazonas e seus afluentes. No entanto, apesar da grande abundância de  água que drena a região, a qualidade do ecossistema aquático está  seriamente comprometida pela quantidade de substâncias químicas, lixo e  efluentes domésticos e industriais, que são lançados em rios, lagos e  igarapés, sem nenhum tratamento ou controle de preservação. Tanto em  áreas urbanas quanto rurais, este problema torna-se cada vez mais  impactante para a saúde ambiental do sistema hídrico devido, principalmente, à falta de infraestrutura sanitária, cujos dejetos escoam  diretamente para os cursos d'água e solos e, no caso das áreas rurais, de onde  a população retira o alimento e a água para beber e banhar-se.

Desse modo, as populações que habitam estas áreas insalubres  correm sérios riscos de contrair doenças hídricas, como a cólera, febre  tifoide e leptospirose, constituindo-se em grave problema de saúde pública. “

O rio Pará banha a Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém e principal balneário da Região Metropolitana de Belém, incluído na trilha internacional de turismo.

Responsável por drenar uma área de 0,7 X 106 Km2 e possuir uma vazão estimada em 104 m3/s, o rio Pará tem importância precípua para esta faixa de terra insular, pertencente ao município de Belém, já que banha 16 das 19 praias de água doce com ondas de rios, referências no turismo de veraneio.

Ao localizar-se no estuário Amazônico, a Ilha de Mosqueiro, nas últimas décadas, vem sofrendo influência e recebendo impactos sócio-culturais e históricos de todas as ordens, e em ritmo acelerado, no seu espaço de ocupação e produção que se integra e se combina à dinâmica do processo de desenvolvimento regional excludente, mas marcado no último período pela ação de diversos atores sociais, pelo controle, uso e gestão de seus recursos naturais. Dessa forma, os estudos e ações de gestão nesta comunidade tornam-se inadiáveis no sentido de se  garantir à população, além da  potabilidade da água e acessibilidade ao seu uso, a ampliação da rede de esgotamento sanitário.

Apesar de possuir em sua zona balneária um sucateado sistema de esgotamento sanitário com 51.500 metros de rede coletora, a Ilha de Mosqueiro vem sendo espaço de toda sorte de agressão ao seu meio ambiente, como extração ilegal de areia e outros minerais, desmatamento, poluição de suas águas através de lixo, de esgotos a céu aberto, de sanitários e fossas à beira dos rios e dos materiais sólidos oriundos de seus assoreamentos.

Esses problemas instalados em um balneário colocam em dúvida a qualidade de água utilizada para o banho nas praias e da utilizada no consumo por parte da população ribeirinha.

As águas do rio Pará são utilizadas na pesca artesanal local ou por pescadores de muitos outros municípios desta região do estado, inclusive aqueles oriundos da ilha do Marajó. O rio Pará é estratégico, por garantir, através do canal do navio, condições de navegação e transportes aquaviários ao Porto de Belém, possibilitando o comércio da metrópole da Amazônia com muitos outros centros comerciais no Brasil e no Mundo. É através dele que é realizada parte do abastecimento de derivados de petróleo para Belém e muitas outras regiões do  estado.

Apesar de fazer parte da composição do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, os Comitês de Bacias Hidrográficas não existem ainda no estado. Portanto, o rio Pará ainda não conta com estes instrumentos-base da gestão participativa e integrada da água, que têm papel deliberativo e são compostos por representantes do Poder Público, da sociedade civil e de usuários da água.

Posted 19th May by Pedrosleao@yahoo.com.br

FONTE: http://mosqueiroambiental.blogspot.com.br/2012/05/mosqueiro-e-gestao-hidrica-no-estuario.html

sábado, 17 de novembro de 2012

CANTANDO A ILHA: EXALTAÇAO A MOSQUEIRO

 

 

Autor: Waldemar (MAZOLA)

Mosqueiro ponta de oceano

Quando penso em ti

Jamais me engano

Mosqueiro linha de horizonte

Tu és bela como um monte

Para vista deslumbrar

Mosqueiro foz do Amazonas

Tu és da casa uma dona

Que se dedica pro lar

Mosqueiro tuas praias belas e mansas

Tu és dos veranistas uma herança

Onde os velhos e as crianças

Todos passam por lá

Mosqueiro tens beleza natural

Teu refúgio é sem igual

Para mim que sou de lá.

FONTE: http://www.walalmeida.com.br/index.php/poemas-e-versos.html

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

JANELAS DO TEMPO: MOLECAGENS DO PASSADO 8

O Caso do Edifício Manoel Pinto da Silva

Narrativa de Joseph e Alexandre Farah (entrevista concedida a Coely Silva)

“JOSEPH: Bom, é o seguinte, essa bandalheira já foi da época da eletrônica. Estavam passando as férias no nosso solar, como dizia o historiador Augusto Meira Filho, várias famílias, inclusive os Valle Paiva. Então o meu primo, o comandante Juarez Rego, que é casado com a Lúcia Paiva trouxe de Letícia dois aparelhos walk-takie, isso mais ou menos em 1957.

ALEXANDRE: Então é o seguinte: essa nossa prima, a Lucinha, é uma criatura igual aos Farahzinhos, como hoje a minha filha Ana Cristina. Então foi a Lucinha que bolou tudo. Nessa época tinha a tradicional festa do veraneio e foi na casa do senador Antonio Martins Júnior. Então nós viemos para o caramanchão e encontramos o Bené Mutran, Moacir Cordeiro, Biraci Salgado, Paulo Barata, rapazes do esquema, que iam para a festa.

JOSEPH: Então nós pedimos para eles pra levarem o rádio e nos ajudar a aprontar a brincadeira. Então o Bené, que era um dos rapazes mais cobiçados, mais acreditados, pererê, ficou com o rádio na mão. E só fomos pra praia, em frente a casa, quando nós entramos em cadeia.

ALEXANDRE: A festa estava animada, apertamos o botão e entramos fazendo uma dupla de radialistas: “E atenção, atenção, esta é a Rádio Clube do Pará, a voz que fala e canta para a Planície, e, atenção, informamos em primeira mão: conforme boletim expedido pela Secretaria Municipal de Obras, liberado na tarde de hoje, por determinação de Sua Excelência o Prefeito de Belém, foi confirmada e constatada uma séria rachadura entre os blocos A e B do majestoso Edifício Manoel Pinto da Silva.” Aí o Zé entrou: “E atenção mais uma vez, vamos noticiar a todos os nossos ouvintes que faremos uma pausa em nossas transmissões para informar diretamente do local, onde já se encontra uma enorme multidão. Aguarde que voltaremos a informar.” Foi um enorme rebuliço. Coincidiu do Sr. Rodolfo Chermont estar sentado com a dona Cora na porta e com um rádio enorme e pegou tudo aquilo, aumentou o volume.

JOSEPH: Porque tinham pessoas nessa festa que moravam no edifício, aí ficaram apavoradas, porque o Alexandre também tinha dito que o prédio ameaçava cair.

ALEXANDRE: E continuamos a notícia: “E atenção, atenção, e pá e pererê, estamos agora na Praça da República, no palco dos acontecimentos. É uma multidão de flagelados, meu Deus do Céu, precisa um cordão de isolamento, a polícia não toma providências, gente chorando e tal.” Entrevistamos até uma empregada doméstica. E o Zé entrava: “E atenção, vem chegando ao local para prestar solidariedade humana e cristã Sua Reverendíssima Dom Mário de Miranda Villas Boas, arcebispo metropolitano.” E nós fomos dando todos aqueles enfoques, entrevistamos o governador Moura Carvalho: “Realmente é uma situação deveras constrangedora, catastrófica e... e pá, pá, pá”. Aí parou o som, acabou a festa e aqueles grupos formados em torno do seu Chermont, o Bené trouxe o resto do pessoal.

JOSEPH: Aquela família Waldemar Franco dizia: “E as minhas propriedades, como é que fica?” As casas ficavam onde é agora aquela área do “Garrafão”.

ALEXANDRE: O pessoal correu, queria fretar avião para voltar a Belém. Tinha muitas famílias que estavam na festa que moravam lá no edifício. E nós continuamos a entrevistar as pessoas: “Por favor, minha senhora, como é o seu nome?” “É Maria de Jesus Ferreira.” “Dona Maria, o que que a senhora é?” “Eu sou empregada doméstica.” “E o que que a senhora acha disso tudo?” “Ah, eu não sei o que dizer não, isso é uma situação horrorosa...” E a gente imitava bem as vozes das pessoas entrevistadas. E a gente continuava: “E atenção, atenção, pedimos às pessoas que recuem até o Cine Olímpia, que há ameaças do prédio ruir.” Por fim, nós jogamos o Manoel Pinto no chão. E descrevemos: “e é um monte, toneladas de ferros retorcidos, tijolos”, pô! “foi um horror, uma catástrofe geral!” E continuamos a entrevistar o Moura Carvalho, dizendo que ia agasalhar o pessoal. E como criou um problema constrangedor aqui, inclusive senhoras desmaiando, nós tínhamos uma brincadeira, que era tradicional de todos, que, quando um errava, dizia: “Não faz mal, não faz mal, isso é muito natural!” E toda a comunidade conhecia este jinglezinho. Então, nós resolvemos amenizar e, na própria rádio, entrevistando o proprietário do edifício. “Chamamos” o Sr. Manoel Pinto da Silva: “Nós gostaríamos de saber, afinal o senhor é o maior prejudicado, como é que está o seu estado de ânimo, dê aqui uma entrevista para a Rádio Clube.” E ele: “Isso não tem muita importância, não faz mal, não faz mal, isso é muito natural!” Aí eu e o Zé cantamos juntos e os caras sacaram que era uma puta sacanagem. Aí tu já viu, era coroa querendo arregaçar a manga: “...esse moleque sacana!” No outro dia, a gente ficou por perto de casa, e tal pra não ser pego de surpresa.”

FONTE: Silva Coely. Especial de Férias de O Estado do Pará, de julho de 1978.