segunda-feira, 23 de maio de 2011

NA ROTA DA HISTÓRIA: A FÁBRICA BITAR

Autor: Augusto Meira Filho

“Em 23 de junho de 1924, a firma Bitar Irmãos, que desde 1897 já se dedicava ao comércio, fundada em Belém por Simão e José Miguel Bitar, resolveu adquirir uma extensa área de terra em Mosqueiro, onde existia uma velha construção de madeira, situada na praia do “Areião”, em uma ponta avançada para a baía de Santo Antônio, denominada de Pedreira.

Foi nessa antiga edificação, totalmente reconstruída, que a firma instalou uma nova indústria, certamente, a primeira iniciativa particular desse gênero fixada no Mosqueiro. Em 1925, a empresa adquire na Alemanha equipamento mecânico para a extração e refinamento de óleos vegetais, aplicando nessa indústria, sementes de ucuuba, murumuru, andiroba, pracaxi, babaçu, patauá e algodão.

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Fábrica Bitar na Ponta da Pedreira (FOTO: Cássio Nascimento, 2009)

Nesse tempo, lançava um óleo de mesa sob o nome de “Princeza” e que foi premiado na Exposição de Farroupilha, em 1932. Logo após, compra nos Estados Unidos e na Alemanha maquinaria especializada para lavar e crepar borracha, exportando esse produto para a Europa, sobretudo, para a Alemanha e a Inglaterra.

Com o desenvolvimento da atividade fabril em São Paulo, a Fábrica Bitar passou a exportar, também, seu produto para aquele Estado, que recebia toda a borracha crepada industrializada em Belém. Mais tarde, instalou-se em Mosqueiro a nova indústria com aplicação de máquinas francesas e americanas, para a produção de artefatos de borracha em geral, especialmente pneus e câmaras-de-ar, com enorme aceitação no sul do país, e exportação para a Argentina e Uruguai.

Em 1936, por medida acauteladora, a empresa transferiu esse equipamento para compor a Usina Progresso, instalada na Cidade Velha, na capital. Vem desse tempo a transformação da firma “Bitar Irmãos” em Sociedade Anônima, passando a denominar-se “S. A. Bitar Irmãos”.

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Uzina Santo Antonio da Pedreira na Ponta do Bitar (Foto: Cássio Nascimento)

No Mosqueiro, prosseguiram as mesmas instalações de unidades industriais em funcionamento, possuindo uma completa oficina mecânica para a sua manutenção. Em 1967, a conhecida Uzina Santo Antonio da Pedreira, pioneira da vida industrial da Ilha do Mosqueiro, foi totalmente eletrificada com a instalação de uma usina diesel-elétrica com capacidade de 500 KWH. A área industrial coberta é da ordem de 10.200 metros quadrados e possui uma estocagem de óleo diesel de 70.000 litros e uma armazenagem de água para resfriamento dos motores diesel de cem mil litros.”

“Sua situação naquela ponta da ilha, à margem da famosa baía de Santo Antônio, à época do acesso fluvial ao Mosqueiro, sua presença próxima à tradicional embarcação era o testemunho de que o trapiche histórico estava prestes a ser usado pelo navio da linha, levando sempre gente simples, visitantes, mosqueirenses, comerciantes, políticos, crianças e adultos, com destino às praias tão requestadas pela população de Belém. Guardamos, de memória, aquela mancha pardacenta cravada entre o branco-velho das paredes e o vermelho-escuro e desgastado dos telhados, em meio à vegetação luxuriante que moldura a ilha em todo o seu perfil e em toda a sua paisagem. Mapas modernos assinalam: ponta-do-Bitar, naquele mesmo lugar antigamente designado: ponta-do-Mosqueiro. Apenas um nome que se transpôs das distâncias geográficas do Líbano para uma pequena área que se estende rio adentro, na graciosa ilha do Mosqueiro, do Pará. Mas uma indústria que nos dignifica e que nos honra pela alta qualidade de seus produtos e a sua tradição no meio comercial do Estado e do país.”

(FONTE: MEIRA FILHO, Augusto. “Mosqueiro Ilhas e Vilas”- ED. GRAFISA, 1978- pp. 91, 92 e 93)

Um comentário:

  1. Eu sou do mosqueiro,e morava próximo da fabrica bitar,e o meu pai trabalhou lá alguns anos e perdeu os seus dedos na maquina.

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