CONQUISTA-SE A LIBERDADE COM O EXERCÍCIO CONTÍNUO DA DEMOCRACIA.
Autora: Claudia Nascimento
O que pensar de um lugar chamado Mosqueiro, conhecido popularmente como “A Bucólica”? A bucólica Ilha do Mosqueiro, embora o seu nome possa induzir à imagem de um lugar entregue às moscas, é o local de veraneio preferido da maior parte da população da região metropolitana de Belém. E não é de hoje que esta ilha com cerca de 212 km² no estuário dos rios Amazonas e Tocantins atrai àqueles que querem um bom descanso e repor suas energias.
Embora haja várias versões para a origem do seu nome, como local de desembarque de piratas ou como referência à, também pacata, vila portuguesa homônima, a mais popularmente aceita faz referência à técnica do moqueamento, isto é, uma forma de fumeiro lento feito em carnes e, especialmente em peixes, sobre trempes de madeira, que eram trazidos das baías do Marajó e Colares, ou mesmo da costa norte da ilha. No processo, pequenos cortes eram dados para melhor penetração do carbono – as mosqueias. Ao sul da ilha do moqueio (que depois, por corruptela, tornou-se Ilha do Mosqueiro) eram tratados estes produtos antes de serem levados à comercialização no mercado do haver-o-peso (conhecido atualmente como Ver-o-Peso), desde o século XVII. Já nesta época, as suas praias eram local estratégico para esta paradinha antes de seguir viagem.
Ocupada pelos índios tupinambás, é interessante notar que essa nação tradicionalmente guerreira não se importunasse com essas visitas fortuitas. Não creio que seja possível atribuir a este caso as propalada preguiça indígena. Defendo, contudo que deva haver uma relação indissociável entre a Ilha do Mosqueiro e uma certa vocação para a preguiça e a tolerância.
O primeiro núcleo de ocupação da ilha se fez ao norte, na vizinhança das piscosas baías do Sol e de Colares, de onde retiravam o pescado – nada mais cômodo – e lá surgiram as primeiras fazendas para o cultivo do gado e do ócio. O sul da ilha, no entorno de onde atualmente temos a praia do Areão, foi pouco a pouco sendo ocupado surgindo um novo núcleo urbano. Isto nos faz crer que a paradinha para a defumação do pescado foi se tornando cada vez mais longa...
Fato a se destacar é que seus 17 quilômetros de praias, cada uma com características geomorfológicas e paisagísticas diversas, são convite irrecusável ao ócio. Como resistir, sob o sol ou chuva equatoriais, à proteção dos ajirus, taperebazeiros, cupuaçuzeiros, murucizeiros e outras frutíferas, ao cheiro de peixe a assar lentamente, a brisa das praias de água doce com ondas? Isto sem contar os banhos nos gelados igarapés ou, vencendo o interior da ilha, nos rios que entrecortam matas densas de terra firme e manguezais!
Neste ritmo Mosqueiro foi se desenvolvendo até a população ser elevada à categoria de freguesia em 1868 e à vila em 1895, sendo a porção sul a sua sede.
Um lugar como esse não ficou alheio ao influxo econômico do ciclo gomífero do limiar dos séculos XIX e XX. Tendo a Vila uma ocupação crescente, a cerca de 40 quilômetros, por mar, da cidade de Belém, facilitou o acesso àqueles que queriam construir vivendas para o seu descanso. Desta forma, tanto os ingleses da "Pará Electric Railways Company", responsáveis pela instalação de energia elétrica e de meios de transportes interno, quanto alemães, franceses e americanos, funcionários de companhias estrangeiras como a "Port of Pará" e a "Amazon River", e mesmo os endinheirados seringueiros, balateiros e grandes comerciantes da época elegeram a Ilha como local ideal para o descanso. Muitos, inclusive, para se pouparem da jornada por terra até os seus chalés, construíam à frente destes seus trapiches e portos particulares, como os ainda existentes Portos Franco e Artur. Nem se esforçavam em entender esta terra: repetiam nestas plagas a tipologia arquitetônica nórdica e curavam-se de todos os males físicos e espirituais deitados em suas redes acompanhando o remanso da maré.
Atualmente podemos reafirmar esta vocação ao ócio. Não só pelas benesses divinas de seu clima e paisagem, mas por ser tratada como cidade turística de segunda residência. Alheios ao fato de sua população residente vir crescendo ao longo das últimas décadas – especialmente após a construção da ponte Sebastião R. Oliveira, inaugurada em 1976 que permite a ligação rodoviária Belém-Mosqueiro através de 86 quilômetros de estradas em quase duas horas de viagem – não existem indústrias ou mesmo comércio de grande porte nesta ilha que possui dimensão maior que a porção continental do município de Belém. Consequentemente o maior empregador é o poder público. Isto é, ou se é funcionário público (com todo o seu estigma) ou pescador, artesão, pequeno empreendedor..., atividades sazonais que levariam a população se esforçar no trabalho umas duas ou três vezes por ano: carnaval, julho e réveillon.
Como disse certa vez uma das herdeiras do mais tradicional hotel do Mosqueiro, o Farol: “Mosqueirense passa o dia esperando a maré encher para ver ela vazar. Passa o ano esperando julho chegar...”
Texto produzido em 2007 e publicado na Revista Pará+, quando eu completava sete anos como mosqueirense.
FONTE: http://marcosdotempo.blogspot.com.br/2009/06/mosqueiro-convite-ao-ocio.html
“A PROVÍNCIA DO PARÁ” de 05/07/1968:
“BALSAS PARA O FURO DAS MARINHAS
Mostrando a sua preocupação em assegurar que tanto o Governo do Estado como o DER estão realmente interessados com o problema das balsas, o engenheiro Alírio César de Oliveira reuniu em seu gabinete a imprensa, ontem à tarde, adiantando que a construção de uma ponte ligando Belém a Mosqueiro, “pelo menos por enquanto, é coisa fora de cogitações”. Segundo o que disse, estudos hidrográficos têm sido realizados na área e para mostrar que o Governo não está desinteressado do assunto, lembrou que foi o próprio Tenente-Coronel Alacid Nunes, quando ainda prefeito de Belém, que solicitou aos extintos SNAPP que esses estudos fossem processados ali, com o levantamento do rio em várias transversais.
Segundo o pensamento do engenheiro, que é idêntico ao do Governador, há problemas muito mais sérios, como por exemplo, a construção da estrada Belém-Marabá, a serem atingidos de imediato do que a construção de uma ponte ligando a rodovia, não se deixando, porém, de lado o assunto.
CARINHO DO DEPARTAMENTO
Munido de fartos dados estatísticos, o engenheiro Alírio César de Oliveira, Diretor do DER, durante hora e meia palestrou com os homens da imprensa, fazendo crer que o Governo e o Departamento nutrem invulgar carinho pela questão de travessia no Furo das Marinhas, ao contrário do que muita gente pensa. Garantia que a partir do verão de 64 foram dinamizados os trabalhos na rodovia e já em 1965 se realizava a primeira travessia, em caráter – é claro – de grande precariedade, mas com um pioneirismo fora do comum. Toma nas mãos o Decreto-Lei de número 4840, de 9-8-65, do Governo Jarbas Passarinho, que constituía um grupo de trabalhos para elaboração de estudos na Rodovia Belém-Mosqueiro. A comissão era composta dos engenheiros Fernando Guilhon, Alírio César de Oliveira, Luiz Baganha, José Rui Pantoja Pimentel e Raul Rodrigues Pereira. Após vários estudos, essa comissão apresentou seu relatório, em 22-9-65, demonstrando que a construção da ponte não envolvia imediaticidade.
De 1964 para cá, o problema tem sido atacado, diz o engenheiro-diretor. A construção de uma ponte, no momento, atingirá a fabulosa soma de 6 a 8 bilhões de cruzeiros e o DER não tem o menor interesse, pelo menos por enquanto, em atacar esse problema, quando há outros de maior seriedade e urgência que esse.
O engenheiro Alírio César, no entanto, abria um parêntese para avisar de que se aparecessem firmas particulares ou sociedades de economia mista com o firme propósito de, depois de uma concorrência, construir a ponte, não haveria nenhum impedimento por parte do Departamento, que também não se responsabilizaria por qualquer fracasso no empreendimento.
Continuou lembrando que a conclusão da Estrada se deu em 1966 e que nessa época o DER manteve um serviço gratuito de travessias através de balsas, pelo que foi muito criticado. Dessa data para cá, não mais deixou de se preocupar com o problema, adquirindo a balsa “Tamandaré”, no valor de duzentos e cinquenta milhões de cruzeiros. Para este ano, já tem outra balsa menor, pronta, no valor de cento e sessenta milhões, e já está adquirida uma balsa para 80 passageiros sentados.
De qualquer maneira, pelo que diz o engenheiro, a implantação do serviço de balsas para travessias no Furo das Marinhas já demonstra que o Departamento não está esquecido do problema e que pelo contrário, o enfrenta com invulgar carinho.
PONTE É PROBLEMA
O engenheiro Alírio César garante que “entre colocar o dinheiro do Departamento numa ponte do Mosqueiro, eu prefiro colocá-lo numa estrada para Marabá”. A solução é muito pesada e não seria possível ao DER lançar uma concorrência antes de um estudo meticuloso sobre o problema. Por exemplo, já foram consultados dois oficiais da Marinha, engenheiros, que, depois de demorados estudos na área, elaboraram um relatório afirmando que as balsas solucionam o problema e que a construção de uma ponte em caráter imediato é utópica. Não há rentabilidade suficiente para a realização desta construção.
Logo depois disso, um austríaco ainda chegou a Belém e igualmente foi fazer estudos no Furo, desinteressando-se totalmente pela empreitada e não mais falando no assunto. É claro que há necessidade de maior profundidade nesses estudos, segundo o que pensa o engenheiro. A ponte, no entanto, sairá mais cedo ou mais tarde, não resta a menor dúvida, e a vontade do Diretor do DER é de que se concretize ainda em sua gestão.
ESTATÍSTICA DO DEPARTAMENTO
Em 1965, atravessaram no Furo, sobre balsas, 288 veículos. Em 66, 5.108. Em 67, 17.021 e, no ano seguinte, até a presente data, 8.846, apresentando um total de 31.263 veículos atravessados. 140.000 passageiros atravessaram, também, sobre as balsas. E como arrecadação, de agosto a dezembro de 67, houve um total de 80.081,40. Em 68, a renda já atingiu a 53.307,20, dando um total de NCr$ 136.388,60. Houve, nesse período todo, uma despesa de 464.644,02. No último cálculo, segundo o que garantiu, não estão ainda computados os motores das balsas recém-adquiridos e duas lanchas adquiridas pelo SESP. Portanto, o DER já empregou, aproximadamente, NCr$ 700.000,00 nas travessias do Furo das Marinhas. Já estão sendo construídas estações de passageiros, um bar e até o fim do ano se pretende colocar em funcionamento balsas motorizadas para a travessia de veículos e uma de oitenta cadeiras para passageiros, um rebocador e duas lanchas.”
1ª. balsa a cruzar o Furo das Marinhas com o carro oficial do Gov. Jarbas Passarinho, em 01/12/1965. Na foto, o Governador cumprimenta o Prefeito Oswaldo Mello.
FONTE: MEIRA FILHO, Augusto. “Mosqueiro Ilhas e Vilas”- ED. GRAFISA, 1978- pp. 482, 483 e 484.
Autor: Assis Oliveira
TRAPICHE DA VILA na década de 1960 (FOTO: Antonio Rocha Penteado)
Ainda lembro aquelas tardes em Mosqueiro
Na orla fervendo apinhada de gente
E o trio que levava o mundo pra frente
Do lado da praia, até fevereiro.
Lembro as chuvas nas tardes cinzentas,
Da bola parando em poças na areia
E o garoto novo que aos peixes margeia
Armando ciladas, ah! sempre tão lentas.
Recordo estações: caju e pescada,
Do tempo das pacas, jambo e acerola,
Das ondas surfadas na breve marola.
Tempos de criança, de brincar na calçada.
No gasto arraial sem roda gigante
As belas barracas das Donas de Mingaus,
Que tantos provei em outras naus
Mas só aqui achei sabor tão instigante.
Da ponte que corria até o meio do mar
Buscava, dos barcos, ribeirinho e turista,
De noite eu pensava ser só uma pista
Feita na medida pra pescar e namorar.
Tinha a estação da chuva, que era verão
E a estação das secas, que era inverno.
Boas horas de sossego quase eterno
Que às vezes pergunto: não fora ilusão?
Mosqueiro tão bela, a ilha-cidade,
Prendada de dotes pra quem lá morava.
Na volta das férias a saudade chorava
Do sonho hibernando e o acordar da realidade.
Autor: Francisco Simões
“Em certos dias muito me atormenta a realidade em que tenho que continuar a viver sob o aspecto tanto nacional quanto global. Diria que o presente não soube construir o futuro com o qual, em meu passado, tanto sonhei.
Mas preciso viver e, apesar de tudo, continuar a alimentar meus sonhos embora o real os defina como meras utopias. Que seja, mas tento resistir para acreditar em mim mesmo, na vida, no amor, na poesia, ou eu seria um morto vivo.
Momentos há entretanto em que prefiro mergulhar no meu passado, reviver períodos de imensa felicidade com os quais a lembrança me premia em forma de saudade. Doce saudade, infância, família, paz, férias. Anos 40 a 50.
Algumas vezes meus pais nos levavam a viver deliciosas férias na praia do Chapéu Virado. Ela se localiza na Ilha do Mosqueiro, há alguns quilômetros de Belém (PA). Naqueles tempos a única forma de lá se chegar era uma viagem de cerca de 2 horas num pequeno navio. Ele cortava lentamente as águas doces da Baía de Guajará.
Hoje, pelo que sei, as pessoas podem chegar ao Mosqueiro por terra, de ônibus ou em seus próprios carros. Fico imaginando que a paz que tanto amei naquele paraíso deve ter-se mudado de lá atualmente. É possível que tenha levado o silêncio consigo.
O barco aportava no pequeno ancoradouro da Ilha. Dali nos dirigíamos em pequenos ônibus, antigos, ou em charretes, pelas ruas, todas de chão, até chegarmos à praia de Chapéu Virado. Confesso que não conheço a origem daquele nome, mas lhe caía bem.
Sempre nos hospedávamos no Grande Hotel do Russo, um senhor forte, grande, corado e muito amigo dos meus pais. Pela manhã acordávamos cedo, já nos trajávamos apropriadamente para a praia e, após o desjejum nos dirigíamos às areias de Chapéu Virado.
O Hotel tinha dois blocos, o antigo, mais confortável, localizado entre árvores, e o mais moderno, um tanto frio na estrutura e nos seus cômodos. Costumávamos ficar ora num ou no outro.
O nosso toque de recolher ocorria ainda muito cedo. Não havia TV e, ademais, a ansiedade na espera do sol para a manhã seguinte nos impelia ao sono logo nas primeiras horas de cada noite.
A praia ficava bem em frente ao Hotel e a pouca caminhada. Meu pai era um exímio nadador e eu um péssimo aprendiz de.
Afinal o “sêo” Mário fora remador dos bons da equipe de primeira da Tuna Luzo Comercial, e também campeão paraense de remo, por vários anos. Ele fazia questão de me dar umas aulas juntando sua técnica a uma paciência de Jó. Acabei aprendendo mesmo, apesar de aquelas praias serem todas de água doce o que facilitava a gente afundar mais rápido. Mas o professor era ótimo.
Na continuação da praia, para a esquerda, estava a praia do Farol. Ele se erguia sobre umas grandes rochas. Correr e jogar bola eram atividades indispensáveis, além de tentar nadar. Íamos até o Farol pegar alguns moluscos. Havia muitos por lá.
Após o almoço eu gostava de dar umas escapadas, sair sozinho do Hotel e ir até à praia enquanto o resto da família tirava sua sesta. Criança tem lá suas limitações impostas pelos cuidados maternos e paternos, claro, mas como eu não era de dar muito trabalho conseguia momentos de fuga para curtir sozinho a orla marítima.
Agradava-me muito andar calmamente pela rua em frente à praia, apreciando a beleza das casas, sentindo a brisa fresca e amena daquele horário, aspirando fundo o ar puro e me deleitando com o cheiro delicioso das inúmeras mangas rosa.
Além do mais deixava meus pensamentos voarem, e o ambiente era muito convidativo a meditar. Por outro lado eu já era um bom sonhador desde criança.
Entre as casas e a praia havia muitas mangueiras que também nos ofereciam sua sombra reconfortante. Quanta saudade daqueles maravilhosos momentos.
Nada havia a temer, apenas curtir e curtir muito aquele pequeno paraíso. Eu esquecia a hora e ia caminhando e parando, me deixando envolver pelo silêncio amigo enquanto minha mente de menino viajava por uma felicidade que parecia eterna.
Levava meus passos até o farol e de lá voltava no mesmo ritmo. Quantos anos se passaram, quantas décadas, uma vida quase inteira!
Ilha do Mosqueiro, praia do Chapéu Virado, um sonho real do passado que não voltará mais. Restaram essas lembranças maravilhosas que preenchem minha vida, ainda hoje, quando a realidade atual nos sacrifica ou desanima.”
Francisco Simões. (Outubro / 2006)
FONTE: http://haroldobaleixe.blogspot.com.br/2009/04/mosqueiro-ilhas-e-vilas-in-post.html
O autor:
“Aos 17 anos eu já trabalhava no rádio paraense (Marajoara e Rádio Clube do Pará) por concurso. Fui locutor, produtor de programas e escritor de crônicas diárias.
Durante cerca de 20 anos pertenci ao quadro da ABAF – Assoc. Brasileira de Arte Fotográfica (Rio). Naquele período ganhei mais de 1000 premiações nos salões mensais e anuais da ABAF. Destaco “Prova do Mês” e “Prova do Ano” que venci em várias oportunidades. Durante o auge da bitola super-8 produzi vários filmes de curta-metragem durante o regime autoritário. Participei de muitos eventos do gênero pelo Brasil, principalmente os realizados em Universidades e Centros de Treinamento Profissional como o CEFET de Curitiba. Logrei ganhar vários prêmios de destaque naqueles Festivais e Mostras com filmes basicamente apresentando crítica social e política. Algumas vezes tive problemas, mesmo sendo um trabalho amador, com a Censura da época.
Trabalhei por 30 anos no Banco do Brasil onde fui não só bancário mas também professor, coordenador e programador de cursos, chefe de um grupo que produzia módulos audiovisuais para palestras e aulas, Assessor no Gabinete da Presidência da PREVI do BB entre 1982 e 1986 quando me aposentei.
Após a aposentadoria parti para exposições de minhas “Fotografias Artesanais” a um público maior que o da ABAF onde convivera com grandes mestres por 20 anos. Realço as seguintes Exposições: “Na Sala de Arte do Jardim Botânico (RIO); no Espaço Cultural do Planetário (RIO); no Salão de Arte da AABB-Lagoa (RIO); no CHARITAS, em Cabo Frio (RJ), uma individual mais duas no Espaço Cultural de lá em exposições coletivas de ARTE VERÃO e mais recentemente na Biblioteca Municipal Walter Nogueira com 20 fotos e 20 poesias; no transatlântico “Eugênio-C”, em viagem para a Europa, no Salão Âmbar e no Corredor de Arte daquele navio; na APAF-Assoc. Portuguesa de Arte Fotográfica, em Lisboa, Portugal; no Espaço Cultural da Prefeitura de Teresópolis (RJ); na Galeria de Arte da artista plástica Lenita Holtz, em Teresópolis, etc. No dia 11. novº. 2000 a Câmara de Vereadores de Cabo Frio (RJ) concedeu-me o título de “Cidadão Cabofriense” pela divulgação graciosa que faço há anos daquela cidade que tanto amo através de vídeos amadores, mas com toque de profissionalismo em sua produção bem como através de “Fotografias Artesanais” e exposições em Cabo Frio e fora dela. Em 1994 voltei a escrever poesias o que parara de fazer há muitos anos.
Francisco Simões”
FONTE: http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
Autor da Pesquisa: Pedro Leão
O Brasil, com aproximadamente um terço das florestas tropicais remanescentes do mundo, é um dos mais importantes repositórios da biodiversidade mundial. Porém, o impacto das ações antrópicas sobre os ambientes tem feito com que importantes ecossistemas sejam descaracterizados sem que se tenha conhecimento da sua estrutura fitossociológica e composição florística das espécies nos diferentes ambientes.
A cobertura vegetal natural da ilha amazônica de Mosqueiro é constituída predominantemente por floresta ombrófila densa (pluvial tropical). Compõe-se, mais especificamente, de floresta de terra firme densa, floresta de terra firme aberta, floresta de várzea, floresta de igapó e manguezal. Destacaram ainda a presença de floresta secundária ou “capoeira” que em 1995 já ocupava aproximadamente 24 % da área total da ilha.
Mosqueiro é caracterizada por extensos remanescentes de floresta natural, possibilitando a ocorrência de uma diversidade de espécies florestais, que na atualidade estão cada vez mais expostas a inúmeras ações antrópicas, como desmatamento para feitura de carvão e para exploração mineral, muito embora consideráveis áreas com a vegetação natural ainda [estejam] pouco alterada, o que se deve, principalmente, ao fato de nela haver muitos igarapés e três grandes rios localizados ao sul de seu território, constituindo ambientes de difícil exploração imobiliária.
Jeferson Miranda & Costa e Marcio Roberto Pietrobom (2007) em pesquisa de campo, concluíram que “dentre as áreas inventariadas da Região Metropolitana de Belém, a Ilha de Mosqueiro foi a que apresentou a pteridoflora (samambaias e plantas afins) mais rica, o que ressalta a importância dos remanescentes florestais situados em seu território”.
Exemplares de Pteridófitas: salpichlaena hookeriana e selaginella willdenowii (Samambaia azul)
Na ilha amazônica de Mosqueiro, duas áreas de proteção ambiental (APA’s), se configuram: O Parque Ambiental da Ilha de Mosqueiro e a Estação Ecológica do Furo das Marinhas.
Dentre as comunidades do Parque Ambiental da Ilha de Mosqueiro destacam-se as localizadas nas margens do Rio Murubira, Tamanduaquara, Pratiquara e comunidade do Espírito Santo, Caruaru, Tucumandeua, Itapiapanema, Castanhal do Mari-Mari e Tabatinga ou Cantuário.
.
Floresta de terra firme densa e floresta de terra firme aberta
As florestas de terra firme ocupam terras não inundáveis. São recentes, originadas da sedimentação da bacia amazônica no período terciário. Caracterizam-se pelo grande porte das árvores e formação de dossel, isto é, uma compacta e permanente cobertura formada pelas copas das árvores. As florestas de terra firme dividem-se em florestas densas, as mais diversas e com maior quantidade de madeira, e floresta abertas, mais próximas dos escudos e depressões e que sustentam maior biomassa animal. Neste ambiente da ilha temos a Castanha-Do-Pará (Bertholletia excelsa H.B.K.), maçaranduba (Persea pyrifolia), acapu (Vouacapoua americana Aubl.) e Figueira ou Ipê amarela (mata-paus)(Tabebuia serratifolia (Vahl) Nich.), dentre outras espécies.
Castanha-do-pará (Bertholletia excelsa H.B.K.)
Floresta de várzea
As matas de várzea são as que sofrem com inundações em determinados períodos do ano. Na parte mais elevada desse tipo de mata, o tempo de inundação é curto e a vegetação é parecida com a das matas de terra firme. Nas regiões planas, que permanecem inundadas por mais tempo, a vegetação é semelhante a das matas de igapó. Dentre as espécies são destaque a andiroba (Carapa guianesis Aubi), a sumaúma (Ceiba pentandra (L.) Gaertn e o açaí (Euterpe oleracea Mart.)).
Sumaúma (Ceiba pentandra (L.) Gaertn
Floresta de igapó
As árvores atingem até vinte metros de altura, com a maioria entre quatro e cinco metros. As espécies vegetais aqui encontradas são adaptadas a terrenos alagadiços. Nelas são ocorrentes os cipós e as epífitas. Suas plantas, de menor porte, são hidrófilas (adaptadas a regiões alagadas), possuindo como espécies comuns as orquídeas, as bromélias e outras. As árvores mais típicas são o tachi (Tachigalia paniculata Aubl.), o buriti (Mauritia flexuosa L.), o Caranã (Copernida cerífera) e a mamorana (Paquira aquatica Aubl.).
Buriti (Mauritia flexuosa L.)
Manguezal
Os manguezais desenvolvem-se sobre sedimentos lodosos, sendo constituídos por espécies adaptadas ao baixo teor de oxigênio e às variações de salinidade decorrentes da ação de marés. A vegetação caracteriza-se pela presença de poucas espécies lenhosas com numerosos indivíduos.
Outros tipos de vegetação característica de áreas com influência salina estão presentes nos mangues mosqueirense. Suas espécies principais são: tamanqueiro (Tagara rhoifolia), mangue vermelho (Rhizophora mangle), siriúba (Avicenia nítida), mangerona (Conocarpus erecta) e a mague-rama (Laguncularia racemosa).
Para a fixação em um solo lamoso, o mangue-vermelho (Rhizophora mangle) possui raízes escoras ou rizóforos. Essas estruturas formam arcos saindo do caule principal, o que permite a sustentação da planta.
Vegetação de mangue no Carananduba
Floresta secundária, capoeira ou capoeirão.
As florestas secundárias são aquelas resultantes de um processo natural de regeneração da vegetação, em áreas onde no passado houve corte raso da floresta primária para uso de pasto ou agricultura. Também são consideradas secundárias as florestas muito descaracterizadas por exploração madeireira irracional ou por causas naturais, mesmo que nunca tenha havido corte raso e que ainda ocorram árvores remanescentes da vegetação primária.
Bacurizeiro (platonia insignis Mart.)
Dentre as espécies com ocorrência neste tipo de floresta estão o bacurizeiro (platonia insignis Mart.), tachi-branco (Sclerolobium paniculatum Vogel), matamatá branco (Eschweilera coriacea), Jarana (Holopyxidium jarana ( Hub. ) Ducke), mandioqueira lisa (Qualea albiflora), além de Ingá diversos (Inga sp). Como exemplo de cipós temos a escada de jabuti (Bauhinia guianensis, Caesalpiniaceae).
Escada de jabuti (Bauhinia guianensis, Caesalpiniaceae)
Diante do intenso processo de devastação das florestas brasileiras que vem tomando proporções alarmantes em todos os biomas, a conservação das espécies florestais da ilha amazônica de Mosqueiro deve ser objeto de medidas governamentais urgentes pensando-se nas gerações presente e futura.
A exploração das florestas se inicia, invariavelmente, com a extração das árvores de maior vigor e de melhor qualidade, deixando-se apenas as de qualidade inferior para transmitir seus genes às próximas gerações, num processo disgênico que leva à degradação dos remanescentes. Além disso, as formações florestais vêm sendo reduzidas a fragmentos cada vez menores e mais dispersos em meio às áreas antropizadas.
Fontes:
http://www.cdpara.pa.gov.br/index.php
Floristic composition and phytosociology of tree species in the Phenological Site of the Embrapa Western Amazonia. In: http://www.scielo.br/
Jeferson Miranda Costa & Marcio Roberto Pietrobom: Pteridófitas (Lycophyta e Monilophyta) da Ilha de Mosqueiro, município de Belém, estado do Pará, Brasil,2007. In: http://www.scielo.br/
www.ipaam.br/amazonas-corpo5.html
flickrhivemind.net
gardenbreizh.org
nemetonsamauma.blogspot.com/
http://www.flickr.com/photos/naiarabalderramas/page11/
www.cnpf.embrapa.br/publica/pfb-revista.../pfb.../PFB54_p7-35.pdf
http://www.lurvely.com/photo/4005001862/Selaginella_willdenowii/
http://plantamundo-novedades.blogspot.com.br/
http://www.flickr.com/photos/ericrstoner/4550713346/
FONTE:
http://mosqueiroambiental.blogspot.com.br/2012/06/exemplares-de-especies-florestais-na.html
PESQUISE NESTE BLOG:
Meio Ambiente: Poder x Ecologia
http://mosqueirando.blogspot.com.br/2011/09/meio-ambiente-poder-versus-ecologia.html
Rio Pará. Braço sul do colossal Amazonas em busca do Atlântico. Abundância d’água doce que surpreendeu Pinzon. Conjunto de quatro baías: Guajará, Santo Antônio, Marajó e do Sol. O rio e o mar em luta titânica. O rio-mar! E a Ilha assiste ao grandioso espetáculo.
FONTE: http://www.youtube.com/watch?v=WacTVIg3IRc&feature=related