segunda-feira, 19 de março de 2012

JANELAS DO TEMPO: AS ORIGENS DA FAMÍLIA RAIOL.

Autor: Cândido Marinho Rocha

“A maior família é composta de gente com o sobrenome Raiol. Importante na história do Pará, lembra Domingos Antonio Raiol, Barão de Guajará, e teve origem com José Raiol, da companhia da Ordenança do Rei de Portugal, cujo descendente, Pedro Antonio, vereador da cidade de Vigia, foi morto cruelmente no tempo da Cabanagem, quando defendia a legalidade.

Deste nasceu Domingos Antonio Raiol, que Pedro II agraciou com o título de Barão de Guajará. Órfão aos cinco anos de idade, foi educado pelo primo e amigo Bernardo de Souza Franco. Tornou-se historiador, parlamentar, escritor, polemista, presidente de Províncias (1). O vigiense, nascido a 4 de março de 1830 e falecido a 29 de outubro de 1912, tornou-se o “historiador necessário” (2) da Cabanagem. Devido a influência da família nordestina nos hábitos das famílias paraenses, algumas crianças absorviam o nome do padrinho de batismo. Talvez os que se chamam Raiol (ou melhor, Rayol) no Mosqueiro tenham essa origem, pois a Ilha não fica distante da cidade da Vigia, para onde convergiu o primeiro que aparece com o sobrenome. Pode ser também que sejam legítimos ramos da árvore da qual provém o Barão porque são operosos, inteligentes e honrados. Aparecem no século XX como Mestres de Obras, pescadores, lavradores e comerciantes. Os Raiol doutores, residentes nas capitais, desconhecem, todavia, esses pseudo-primos.

Há, todavia, outra versão, muito verossímil, aliás. Um padre Raiol, José Raiol, oriundo da Vigia, foi grande amigo do Mosqueiro. Como diretor espiritual da paróquia, trabalhou ativamente. É fama que lhe cabe a iniciativa de retirar o cemitério da praça principal, instalando-o em local adequado, onde ainda hoje se encontra. Teria, então, dado os primeiros passos no sentido de, onde estava o cemitério, construir, como na verdade aconteceu mais tarde, a modesta, porém arquitetonicamente equilibrada igreja de N. Srª do Ó, padroeira da Ilha.”

“O sacerdote, liberto de pensamentos e ações, não muito aprisionado preconceitos nem escravo de votos que investem contra os preceitos divinos e da natureza, tornou-se patriarca. Numerosos afilhados e descendentes seus espalharam-se pela Ilha. Um deles, de nome Didaco Raiol, destacou-se na história do desenvolvimento étnico dos insulanos. Citado, recordado sempre respeitosamente, o padre José Raiol ainda hoje é venerado pelo vivo esforço em prol dos seus paroquianos.

O bondoso sacerdote, homem da época e para a época, não merece quaisquer restrições dos seus rebanhos. Antigamente, sabia ele muito bem, cabia aos párocos não só deveres espirituais como sociais, na qualidade de autênticos pais, padrinhos, protetores e mestres. Noções de civilização, higiene, moral e cívica eram ministradas pelos prestigiosos ministros.

Mosqueiro muito deve a esse notável homem, cuja compreensão, autêntica cravação em joia valiosa, ainda hoje cintila nos planos executados.”

(1) Pará, Alagoas, Ceará e São Paulo.

(2) Segundo palavras de Arthur Reis.

(FONTE: MARINHO ROCHA, Cândido. “Ilha Capital Vila”- GRÁFICA FALANGOLA EDITORA. Belém-Pa, 1973- pp. 28 e 29)

MOSQUEIRANDO: O padre José Raiol citado por Cândido Marinho Rocha seria o mesmo padre Manuel Antonio Raiol, cuja biografia foi estudada pelo Prof. Donato Mello Junior e apresentada na obra de Meira Filho? Acreditamos que o assunto mereça uma pesquisa mais profunda. O certo é que a família Raiol é uma das mais tradicionais do Mosqueiro e suas residências ficam localizadas na 5ª. Rua da Vila, cujo nome homenageia o padre Manuel Antonio Raiol, o primeiro Pároco da Ilha. Entretanto, nos primeiros tempos da Vila, os Raiol moravam na 1ª Rua. Depois, durante a gestão do Intendente Municipal Abelardo Leão Conduru, suas terras foram requisitadas pela Prefeitura para um projeto que nunca se concretizou e, em troca, lhes foram concedidos os lotes de terra com a atual localização.

sexta-feira, 16 de março de 2012

CANTANDO A ILHA: MURIRAMBA



Autor: Prof. Alcir Rodrigues
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Vista parcial da enseada do Muriramba



Acolá, como pequenos tsunamis,
vêm vaticinando, lépidos,
os rugidos do mar-baía,
em forma de ligeiros tigres
―com garras e dentes espumantes ―
que atacam e dilaceram
a carne da indefesa falésia
da charmosa enseada do Muriramba...
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Outra vista parcial da enseada do Muriramba



Sangrando, a tabatinga vermelha
se desmancha, manchando
o pardo plasma do mar,
lavando e tingindo areias e rochas,
deslocando devagar as pedras da camboa,
remota lembrança ali deixada
por nossos ancestrais, pedaços
da história viva em pedras,
mixados ao fantasma dos peixes,
siris e camarões, afugentados todos
pela predatória captura industrial...

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Mais uma vista parcial da enseada do Muriramba


As garras e dentes espumantes
na verdade sorriem e gargalham,
com sarcasmo
lembrando da afamada máxima:

                “Água mole,
                                 em pedra dura,
            tanto bate,
                                             até que fura”...

Mas os rugidos espumantes, ali,
não só dilaceram e arrancam nacos,
também lambem e acariciam,
transmudando-se em canções,
barcarolas de ninar, alimentando os devaneios
de quem vê e ouve, além de tudo o mais,
a fantasia e a beleza
de uma perenidade
de
          vaivém e enche-vaza, ondas
       de seres e sombras,
úmidos sons e ecos líquidos
                                  da dança da infinitude do devir...

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Camboas no Ariramba, com vista da barraca Boêmios, próximas da Embratel. São resquícios do tempo passado, vestígios ancestrais que se recusam – ainda bem! — a desaparecer, apesar dos apelos massivos e cruéis do “progresso”
*          *          *



“Aproveitando a temática evocada pelo poema, vale a pena conversar sobre duas palavras: ‘Muriramba’ e ‘camboa’. A primeira é tratada hoje como um ‘amálgama’ lexical; ou seja, uma fusão de partes de vocábulos (dois ou mais), originando um híbrido vocabular. Por isso, alguns estudiosos do idioma materno (o português, na expressão brasileira da língua de origem lusa), também usam a terminologia ‘palavra-valise’, por conter dentro de uma palavra outras delas; ou ‘palavra-centauro’, neste caso, acentuando-se, mais ainda, o hibridismo vocabular. Fiquemos com o primeiro. ‘Muriramba’, na Ilha (do Mosqueiro), dá nome à enseada singela que intersecciona as enseadas das praias do Murubira (onde habitaram os indígenas da tribo dos ‘Morobiras’; daí sua denominação) e do Ariramba (espécie pequena de pássaro mariscador, conhecido também pelo nome de martim-pescador, com ocorrência comum naquela área, de onde vem a denominação da praia).
Já a palavra ‘camboa’, de origem tupi, consultando o Vocabulário terminológico cultural da Amazônia paraense (OLIVEIRA, Maria Odaissa Espinheiro de. Belém, EDUFPA, 2005. v. 2, p 70), tem a seguinte entrada no verbete:
Camboa: s.f. Lago artificial à beira-mar, no qual durante a maré alta o peixe miúdo entra. Esteiro que enche com o fluxo do mar e fica seco com o refluxo.
[Vejamos este exemplo dado no livro citado]
“[…] O Coló simplesmente desapareceu da popa da canoa na camboa, no pesqueiro, e até hoje ninguém sabe que fim levou o Coló …] (C.C.Onde está Coló? Histórias de Cobra Grande. f. 273. Informante – Agripino Almeida da Conceição. Pesquisadora –Ana Cristina Lopes Borges ).”
Em dicionário eletrônico Aurélio, encontrei o seguinte:
Camboa (ô): [Do tupi] S. f.
1. Cercado armado em pequena depressão, junto ao mar, onde, na maré baixa, fica retido o peixe miúdo que ali penetra na preamar.
2. Bras.  NE  Esteiro que enche com o fluxo do mar e fica em seco com o refluxo. [Var., nesta acepção: gamboa]
3. Bras. MA Processo de pesca em que diversos pescadores, armados com a tarrafa, cercam com as suas canoas o cardume de peixes. `
Para nós, válidas são as duas primeiras acepções.
Aproveitando o ensejo em que nos referimos à praia do Ariramba, reproduzimos abaixo uma grande passagem, muito bem-humorada,  da Apresentação do livro Ilha,capital Vila (ROCHA, Cândido Marinho. Ilha, capital Vila. Belém: Falangola, 1973, pp. 12-13):
“Recentemente, [naquela época, 1973] um cronista social de Belém passou a citar a Ilha com o adorável adjetivo de bucólica, no sentido de inocente, simples, graciosa e não, certamente, como pastoril ou campestre. Considerando injusta a generalização do título, porque a Ilha não é totalmente pastoril, inocente, simples, graciosa e campestre – resolvemos modificar a qualificação. assim, consideramos bucólica a área abrangida pelos bairros e praias do Chapéu Virado e do Farol por serem os mais prestigiosos pelo elevado nível financeiro dos seus frequentadores, constituída a nomeação assim como uma espécie de sofisticação daqueles bairros. À Vila, em cujo mercado municipal é vendida uma indefinível sopa, demos o título de cólica. Ao bairro Morubira [SIC!], cujas praias apresentavam-se crivadas de pedregulhos, com raras casas de valor e de reduzido movimento social, coube a designação de melancólica. A bela praia do S. Francisco, assim titulada em homenagem a insigne santo da igreja e onde começam a surgir os primeiros prédios custosos, passou a ser católica. Ariramba é bem desenhada e graciosa enseada, de larga praia e limpas areias. Há lá o frequentadíssimo bar e botequim “Ponto Certo”, propriedade de um obsequioso Oliveira. A praia torna-se ainda mais simpática porque é orlada por alcantiladas ribanceiras, sobre as quais imponentes árvores se erguem, em vistoso balisamento [SIC!]. Em cima, na pista, jardins públicos e quadra iluminada de vôlei [SIC!], frequentados pelos veranistas, em desfile de beleza e saúde. Uma cabana chamada “Matapy” –em forma de guarda-sol coberto de palhas – é curiosa “boite” [boate, em português] e sede de tertúlias e serenatas, drincagens elegantes. Merece tudo isso justificado capítulo. Os arirambenses fundaram a “Sociedade dos Amigos de Ariramba”, que promove o bairro em tempo de férias e das festas da igreja local´. É Ariramba – nome de pássaro que é o mesmo “Martin-Pescador” – pela atração do “Ponto Certo”, onde se bebe, recita e canta, e por sua frequência de gente sem preconceitos, gente natural e fraterna, muito procurada pelos banhistas de todos os outros bairros. À porta e ao balcão do despretensioso bar, aglomeram-se crianças, jovens, senhoras, cavalheiro, em qualquer traje, sem inibição alguma, para amplo relax, em variados tipos de bebidas. Por tudo isso, Ariramba é conhecida como a alcoólica.
Areião, velha e abandonada praia, possuiu grandeza n’outros tempos. Seu prestígio foi exageradamente aumentado pelos episódios decorrentes do rapto de Mainha pelo nosso personagem Zozó. Às vezes desce de prestígio, também exageradamente, pelo acúmulo dos detritos da maré que nela encostam. Consequência: é a hiperbólica.
Em suma, é assim a Ilha. Nem muito autêntica, nem muito irreal.
Tal como no livro.
                             Belém, dezembro de 1972.
(Palavras do próprio Cândido Marinho Rocha, no fundo, um admirador de Mosqueiro, mas também um grande gozador)”
                                         *          *          *
“Retomemos as palavras de Marinho Rocha: Ariramba é bem desenhada e graciosa enseada, de larga praia e limpas areias. Há lá o frequentadíssimo bar e botequim “Ponto certo”, propriedade de um obsequioso Oliveira. A praia torna-se ainda mais simpática porque é orlada por alcantiladas ribanceiras, sobre as quais imponentes árvores se erguem, em vistoso balisamento [SIC!]. Em cima, na pista, jardins públicos e quadra iluminada de vôlei [SIC!], frequentados pelos veranistas, em desfile de beleza e saúde.”
Vejamos essa beleza, nas fotos a seguir, mesmo numa manhã chuvosa:
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Foros batidas em 21/01/2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

JANELAS DO TEMPO: OS PIONEIROS DO VOLLEYBALL NA ILHA

 

Na ilha do Mosqueiro, o volleyball (volibol, voleibol ou vôlei no bom português) tem suas raízes nas quadras de areia, embora as disputas fossem realizadas na forma tradicional, conforme as regras da época. Veranistas, ávidos por diversão nas tardes de sábado ou manhãs de domingo, introduziram o esporte na Ilha, improvisando, nos fundos dos quintais, quadras bastante concorridas.

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Esses pioneiros formavam times em cima da hora, uma vez que o objetivo dos jogos era tão-somente o entretenimento. No entanto, em 1966, o Sr. Wolckemer Tabosa dos Reis decidiu fundar um time mais estruturado, aliás, um clube, que foi denominado Bom Jardim, o mesmo nome da casa do seu criador. Naqueles tempos, era comum o batismo das casas da Ilha. Assim, no quintal da Vivenda Bom Jardim, localizada na Av. Getúlio Vargas, às proximidades da praia do Bispo, o time treinava com entusiasmo, incentivado sempre pela Srª. Edméa Reis, a madrinha da equipe.

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Destacaram-se entre outros, jogando pelo Bom Jardim: Wolckemer Tabosa, Cheiro, Espanha, Paixão, Pessoa, Pedrinho, Dodó, Guri, Vadico, Maracujá, Olivar, Mateus, Baía, Rufino, João, José Ângelo (Ex-Secretário de Esportes) e Beto Tabosa, que durante oito anos foi campeão paraense pela Tuna; dez anos, campeão amazonense pelo Rio Negro; atuou pela seleção paraense e treinou na seleção brasileira.

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O Bom Jardim esteve em atividade até 1972, pois, na sequência, o Sr. Wolckemer Tabosa assumiria a Presidência do Pedreira Esporte Clube.

Nesses anos de existência, o melhor time de vôlei da Ilha participou de inúmeros torneios, jogando contra equipes expressivas como Pedreira, Parazinho, Grêmio Recreativo, Fuzuê do João Addário e Paysandu. Esses jogos, a princípio, eram realizados em quadra de areia, nas imediações da Praça da Matriz. Depois, por iniciativa do Sr. Wolckemer Tabosa, a Prefeitura Municipal de Belém construiu, na praia do Bispo, a Quadra de Esportes Dr. Irawaldir Rocha, cuja iluminação foi instalada e inaugurada, em 1967, pelo então Agente Distrital Dr. Olívio Chaves.

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Vale registrar que, na década de 1970, o vôlei já era disputado nas escolas da Ilha, prática iniciada pela Escola Municipal Alfredo Chaves e pelo Colégio Nossa Senhora do Ó, ressaltando-se o trabalho meritório dos professores de Educação Física Firmino Melo e Carmem Dolores de Freitas Jorge.

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Veio a década de 1980 e com ela despontaram novos times: Conceição, Vasquinho, Ravelli, Pirelli, Cruzeiro, Albatroz, Guarani, Lanchonete Cristina (hegemonia até 1986), Mikasa e Agagel (criaram nova rivalidade e passaram a disputar os títulos) e, também, as equipes femininas do Folclore e do Cruzeiro.

A década de1990 foi marcada pelos grandes eventos como o 1º. Campeonato Mosqueirense de Vôlei promovido pela Agência Distrital, o Campeonato Joaquim Magalhães, o Campeonato Interbairros, o Torneio Maria da Paz e a participação da Seleção Mosqueirense de Vôlei no Campeonato Paraense.

Na primeira década do século XXI, destacaram-se no vôlei masculino a Equipe Mágica, Setor C, América, Stress e Agagel e, no vôlei feminino, Chapéu Virado, K-Tem Pirelli, Gold Stars, Poderosas e Baía do Sol.

No dia 10 de fevereiro de 2007, foi fundada a Associação Mosqueirense de Voleibol, assumindo a seguinte Diretoria: Sandro Arlan Magalhães da Silva (Presidente), José Luís Lobo de Brito (Vice), e mais Marília Oliveira, Lairson Barbosa, Eldiney Ferreira, Cássio Nascimento, Carlos Eduardo Raiol, Alexandre Luz Santos, Fábio Monteiro da Silva, Lergilson Aragão Cardoso, Wania Maura Silva de Souza, Ana Rosa Oliveira da Silva e Ademir Azevedo Nascimento.

Apesar de passados quarenta e seis anos após os bons e velhos tempos do Bom Jardim, continua sendo muito difícil manter, incentivar e desenvolver o voleibol em nossa Ilha. É óbvio que promotores e aficcionados de qualquer esporte amador carecem, sobretudo, do apoio técnico e financeiro de instituições governamentais criadas para esse fim.

 

FONTE: Pesquisa de campo, fotos e recortes de jornais da década de 1960.

terça-feira, 13 de março de 2012

NA ROTA DA HISTÓRIA: CÍRIO DA CONCEIÇÃO NO PARAÍSO

Autor: José Carlos Oliveira

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A Imaculada Nossa Senhora da Conceição

A chegada ao Sítio Conceição tem um percurso aproximado de 2 km.É formado por extensa vegetação e localizado na atual Praia da Conceição nas terras da Baia do Sol.

Essas terras foram requeridas por Leocádio José da Silva, que graças a sua grande devoção à Virgem Imaculada Conceição passou a chamar-se, posteriormente Sítio Conceição, anteriormente chamado Paraguai.

Um local isolado e cercado por extenso arvoredo, próximo à praia da Baia do Sol, mantido pelos herdeiros de Leocádio, há mais de 125 anos.

Uma festa religiosa em honra à Imaculada Conceição, que reúne a comunidade da Baía do Sol, visitantes e convidados.

Leocádio Silva foi casado com Maria do Carmo Silva e tiveram sete filhos, os quais mantiveram a propriedade na família: Leocádio da Silva Júnior, Izabel da Silva, Florêncio José da Silva, Mariana Augusta da Silva, Rita do Espírito Santo Silva, Antônia Paes e Silva e Gabriel Arcanjo da Silva.

Após o percurso de ida e volta pelos caminhos arborizados do sítio, ocorre a bênção da Imagem e a distribuição de brinquedos às crianças e enxovais às gestantes com mais de três meses.

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Chegada dos romeiros e devotos da Santa ao Sítio Conceição, em frente à ilha das Pombas, na Baía do Sol.

Ao chegar ao Sítio, encontramos uma extensa plantação de açaizeiros.

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Ao término da plantação de açaizeiros, encontramos uma gruta contendo em seu interior uma pequena Imagem da Imaculada Conceição.

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A Casa Grande erguida em 1.864 tem anexa a ela a Capela da Santa.

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Num cômodo da casa próximo a uma área avarandada foi erguida a Capela da Santa. No seu interior, encontramos um altar com diversas imagens e o nicho da Santa, que é retirada somente no dia da Festividade, para as homenagens e retorno após a peregrinação.

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A licença foi concedida pelo Bispado de Belém e a bênção foi dada pelo Padre Castilho, Vigário do Mosqueiro, no dia 10 de janeiro de 1.855. A Missa do Centenário foi celebrada por D. Alberto Ramos em 12.01.1955, em gratidão ao fundador e sua família, conforme placa afixada na parede do templo.

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A Imagem da Imaculada Conceição em seu andor:

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Devotos cansados, exaustos com a longa caminhada aguardam o padre para a realização da missa campal.

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A celebração da Santa Missa:

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FOTOS: José Carlos Oliveira

FONTE: http://ciriosdemosqueiro.blogspot.com/2010/12/cirio-da-conceicao-no-paraiso.html

MOSQUEIRANDO: A Festividade da Imaculada Conceição realizada no Sítio cujo nome homenageia a Virgem é uma das mais tradicionais na ilha do Mosqueiro. Iniciada no século XIX pelo Sr. Leocádio Silva, um dos mais famosos chefes políticos no passado da Baía do Sol, a festa é realizada todos os anos no dia 8 de dezembro. Há muito a fé na Imaculada Conceição transcendeu os limites do Sítio e instalou-se nas terras do Carananduba, quando a Santa ganhou a sua Capela inaugurada no dia 10 de janeiro de 1.914, a qual foi transformada em Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no ano de 2008.

 

PESQUISE NESTE BLOG:

A Festividade de São Pedro

São Pedro do Areião

Dona Maroca e o Santo

A Festividade de Santa Rosa de Lima

A Festividade de São Sebastião da Praia Grande

As Capelas da Baía do Sol

O Círio de Nossa Senhora do Ó

O Jardim da Discórdia

A ILHA CONTA SEUS CAUSOS: O MENINO DA CRUZ

 

(Estória contada pelo comunitário e Prof. Mauro Braga e transcrito pela aluna Alessandra Cardoso – Turma 441 – EJA)

“No Carananduba, na antiga Lalor Mota, houve um caso assustador. Durante muitos anos, acontecia uma coisa pavorosa nesta rua: era uma rua de poucas moradias, sombria; todos que ali moravam temiam passar por lá tarde da noite.

Dizem que, de cinco em cinco anos, ouviam-se barulhos aterrorizantes, que ninguém sabia o que era. Quando acontecia, as pessoas ficavam imóveis e não conseguiam se mexer de tanto medo. Sempre acontecia na mesma data, a cada cinco anos. Uma senhora bem velhinha que ali morava dizia que só iria parar o barulho quando alguém ficasse na rua para ver o que era que fazia todo esse terror.

Na data da assombração, ela chamou um rapaz para que ficasse na rua e visse o que era que fazia todo aquele barulho. Quando chegou a noite, o rapaz foi até o final da rua e ficou esperando. De repente, os barulhos começaram: ruídos de corrente arrastando no chão, gemidos e um barulho como se algo muito pesado caísse no chão. Quando aquilo se aproximou, ele viu que era uma criança que carregava uma cruz enorme e cheia de correntes, mas como o peso era demais, às vezes a deixava cair e fazia todo aquele barulho que as pessoas temiam tanto.

O rapaz só falou isso e nada mais; só se sabe que desde que o rapaz viu o que fazia tanto barulho nunca mais ouviram nem corrente, nem gemidos nem a cruz caindo. Nada mais se ouve.”

(Lima Gama, Rosangela C. e Santos Andrade, Simei. “Mosqueiro Conta em Prosa e Verso o Imaginário Amazônico”. PMB, 2004, p. 117)

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A Ilha conta seus causos
Mosqueiro: Lendas e Mistérios

sexta-feira, 9 de março de 2012

JANELAS DO TEMPO: MÁRIO MARACUJÁ

Autor: Cândido Marinho Rocha

“Mário Maracujá jovem montara barzinho de uma porta, mesmo no prédio do Mercado Municipal, abrindo pra frente da Praça Matriz. Batidas, limão, maracujá, jenipapo, murici, múltiplas são. Nas famas.

Papistas de papo pausado pousam ali ampliados educados propícios. Moço branco bondoso finuras em que era cortês o dono do bar, a todos brinda fraterno animoso, em falas. Violão suspiroso traz Estrela consigo. Param, saudações úmidas havendo, recíprocas. Caricatas cantigas em notas de dó surgem, malícias amigas. Choradinhos cavilosos bazófias relatam. Alegres racionais animais, batidas a mais, no sempre.

Temas livres surgem gozados batidos na caixa de fósforos: Tuta – Tito – Tota, os irmãos, no banjo, no pandeiro e na “pura”. Irmãos que cantam, tocam, brigam, capoeiras, quedas de braço, tutano na musculatura, e jogam bom futebol, amados, reprodutores das beiradas da Ilha: os felizardos.

Bebem batidas do Mário, bebem sol pelos poros, luar pelos olhos, chuva pelo corpo inteiro, bebem e se embriagam na vida gostosa da Ilha.

Chega bambo banzeirando meio leve meio pesado, alto, troncudo, escuro nas pernas montado, cambão. É a Lei, o invicto Macaca Prenha, amigo de amigo, inimigo de inimigo. Entra na desordem para manter a ordem.

Começa imediato relatando façanhas, prisões raladas, cercando sozinho fantasmas e gente facinorosa. Conquista assim o primeiro copinho. Arma-se-lhe a alma em risos desdentados. Não senta nas rodas com os outros. De pé, em círculos, cambaio e carrancudo, mantendo a Lei. Também se embriaga com a autoridade que ostenta e com as suas mil mulatas amadas, que relata, aos gritos.

Mário Maracujá não teme a Lei. Seletos são seus fregueses, amizades. Pescadores, peixeiros, carregadores, funcionários, médicos, dentistas, advogados, contabilistas, comerciários, industriais, jornalistas, comerciantes, estudantes, políticos, vagabundos, e mais deputados, vereadores, cabos eleitorais, fornicadores em geral. Nem não se via ali vestígios de vícios e crimes. Eram livres, valentes, cultos, analfabetos, cantores, musicistas, ficcionistas, parasitas, fornicadores em geral. Dizia-se que ali era o “Paraíso de Um Tudo”.

Difícil seria reunir mais suculento bosque de raízes humanas tão diferentes e tão convergentes. Era o poder mágico da liberdade nas reciprocidades niveladoras. Ali era uma República. Ali ninguém era “doutor”. Todos eram, sim, professores, exceto Macaca Prenha, que era a Lei. Deus era outro capítulo, que os frequentadores admitiam, mas não discutiam. Todos podiam ser Mestres, também. Mas alguém não é Mestre n’alguma coisa – boa ou má – na Vida, na vida, na ilha do Mosqueiro?”

(FONTE: MARINHO ROCHA, Cândido. “Ilha Capital Vila”- GRÁFICA FALANGOLA EDITORA. Belém-Pa, 1973- pp. 142 e 143)

MOSQUEIRANDO: Conhecemos o Mário Maracujá, cognome que herdou da fruta, cuja batida o tornou famoso. É bem verdade que as batidas de frutas com aguardente da boa vinda de Abaeté eram uma atração no entorno da Praça da Matriz. O que dizer da batida de limão do Quebra-Mar, do Raimundo Monteiro? Ou das batidas do boteco do Seu Laurito? Ou do barzinho do Seu Cristóvão? Mais tarde, sem dúvida, tal bebida passou a ser a especialidade do Seu Albertino Pereira, o Rei da Batida. Mas o bar do Mário Maracujá, que se chamava Mário Pontes de Carvalho, tinha um quê de irresistível, talvez por ser um tradicional ponto de encontro de amigos sedentos de álcool e de novidades. Nos anos 60, embora ostentasse as marcas do tempo, Mário Maracujá continuava atencioso com seus fregueses. E foi ali, no seu bar, naquele mesmo bar do romance, num fim de tarde de um sábado qualquer, depois da chegada do navio Presidente Vargas, que tivemos a felicidade de encontrar, pela única vez, o grande poeta Rodrigues Pinagé, bragantino de coração. E foi o próprio Maracujá que nos apresentou tão insigne figura. O poeta sentou-se à mesa conosco e brindou-nos com uma de suas poesias. Foi emocionante estar ali com o Príncipe dos Poetas Paraenses, nos seus setenta e poucos anos, e foi inesquecível ouvir aqueles versos declamados por uma voz forte, com a vibração característica daqueles que compreendem e sentem o poder mágico das palavras. De repente, parecia ter viajado no tempo e estar ouvindo Castro Alves empolgando multidões.

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RODRIGUES PINAGÉ:

“Rodrigues Pinagé (1895 – 1973): poeta, jornalista e funcionário público. Pinagé nasceu em Natal (RN), vindo criança para Belém, onde foi eleito “Príncipe dos Poetas Paraenses”. Embora tenha vindo no tempo do Modernismo, o poeta não se apegou ao estilo de 22 e continuou fazendo versos à moda antiga. Como lírico era extraordinário. Como poeta satírico, deixou muito sorriso nos lábios de seus leitores.”

FONTE: http://www.culturapara.com.br/belemdamemoria/escritores.htm

segunda-feira, 5 de março de 2012

CANTANDO A ILHA: CARUARU É MEU DESTINO (Dizem por aí…)



Autor: Prof. Alcir Rodrigues


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Cumpro, todas as noites,
Este carma, esta ‘mardição’...
Sobrevoo ruas, casas, prédios...
O cemitério passa lá embaixo,
A igreja já ficou para trás,
Junto com a praça,
O cinema, o mercado,
O trapiche e a praia...

Sei que o Caruaru é o meu destino...
Avanço rumo aos igarapés...

Tudo é soturnidade!...
Por quê? Por que desta sina?
Que fiz eu? Que mal cometi?
Contra quem? Quem sou eu?
Que metamorfose é esta?!...
Chegam as matas, o frio vem,
Trazido do manguezal e das águas...

Do meu propósito me aproximo...

O mundo é triste, lá embaixo.
Aqui, a coisa não é melhor...
Nem vivalma vejo, só névoa:
Ninguém para assustar ou surrar.
Passa o Tamanduaquara, passa;
Passa o rio Murubira, passa;
Sigo o Pratiquara adentro...
Lá no Caruaru pousarei:
Quero ver a filmagem.
Dizem, dizem por aí: o tal filme,
Este que está sendo feito agora,

Dizem, é sobre mim...

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FONTE: http://moskowilha.blogspot.com/2011/11/caruaru-e-meu-destino-dizem-por-ai.html