Autor: Cândido Marinho Rocha
“A maior família é composta de gente com o sobrenome Raiol. Importante na história do Pará, lembra Domingos Antonio Raiol, Barão de Guajará, e teve origem com José Raiol, da companhia da Ordenança do Rei de Portugal, cujo descendente, Pedro Antonio, vereador da cidade de Vigia, foi morto cruelmente no tempo da Cabanagem, quando defendia a legalidade.
Deste nasceu Domingos Antonio Raiol, que Pedro II agraciou com o título de Barão de Guajará. Órfão aos cinco anos de idade, foi educado pelo primo e amigo Bernardo de Souza Franco. Tornou-se historiador, parlamentar, escritor, polemista, presidente de Províncias (1). O vigiense, nascido a 4 de março de 1830 e falecido a 29 de outubro de 1912, tornou-se o “historiador necessário” (2) da Cabanagem. Devido a influência da família nordestina nos hábitos das famílias paraenses, algumas crianças absorviam o nome do padrinho de batismo. Talvez os que se chamam Raiol (ou melhor, Rayol) no Mosqueiro tenham essa origem, pois a Ilha não fica distante da cidade da Vigia, para onde convergiu o primeiro que aparece com o sobrenome. Pode ser também que sejam legítimos ramos da árvore da qual provém o Barão porque são operosos, inteligentes e honrados. Aparecem no século XX como Mestres de Obras, pescadores, lavradores e comerciantes. Os Raiol doutores, residentes nas capitais, desconhecem, todavia, esses pseudo-primos.
Há, todavia, outra versão, muito verossímil, aliás. Um padre Raiol, José Raiol, oriundo da Vigia, foi grande amigo do Mosqueiro. Como diretor espiritual da paróquia, trabalhou ativamente. É fama que lhe cabe a iniciativa de retirar o cemitério da praça principal, instalando-o em local adequado, onde ainda hoje se encontra. Teria, então, dado os primeiros passos no sentido de, onde estava o cemitério, construir, como na verdade aconteceu mais tarde, a modesta, porém arquitetonicamente equilibrada igreja de N. Srª do Ó, padroeira da Ilha.”
“O sacerdote, liberto de pensamentos e ações, não muito aprisionado preconceitos nem escravo de votos que investem contra os preceitos divinos e da natureza, tornou-se patriarca. Numerosos afilhados e descendentes seus espalharam-se pela Ilha. Um deles, de nome Didaco Raiol, destacou-se na história do desenvolvimento étnico dos insulanos. Citado, recordado sempre respeitosamente, o padre José Raiol ainda hoje é venerado pelo vivo esforço em prol dos seus paroquianos.
O bondoso sacerdote, homem da época e para a época, não merece quaisquer restrições dos seus rebanhos. Antigamente, sabia ele muito bem, cabia aos párocos não só deveres espirituais como sociais, na qualidade de autênticos pais, padrinhos, protetores e mestres. Noções de civilização, higiene, moral e cívica eram ministradas pelos prestigiosos ministros.
Mosqueiro muito deve a esse notável homem, cuja compreensão, autêntica cravação em joia valiosa, ainda hoje cintila nos planos executados.”
(1) Pará, Alagoas, Ceará e São Paulo.
(2) Segundo palavras de Arthur Reis.
(FONTE: MARINHO ROCHA, Cândido. “Ilha Capital Vila”- GRÁFICA FALANGOLA EDITORA. Belém-Pa, 1973- pp. 28 e 29)
MOSQUEIRANDO: O padre José Raiol citado por Cândido Marinho Rocha seria o mesmo padre Manuel Antonio Raiol, cuja biografia foi estudada pelo Prof. Donato Mello Junior e apresentada na obra de Meira Filho? Acreditamos que o assunto mereça uma pesquisa mais profunda. O certo é que a família Raiol é uma das mais tradicionais do Mosqueiro e suas residências ficam localizadas na 5ª. Rua da Vila, cujo nome homenageia o padre Manuel Antonio Raiol, o primeiro Pároco da Ilha. Entretanto, nos primeiros tempos da Vila, os Raiol moravam na 1ª Rua. Depois, durante a gestão do Intendente Municipal Abelardo Leão Conduru, suas terras foram requisitadas pela Prefeitura para um projeto que nunca se concretizou e, em troca, lhes foram concedidos os lotes de terra com a atual localização.