quinta-feira, 2 de agosto de 2012

JANELAS DO TEMPO: UMA LEMBRANÇA DE INFÂNCIA

Autor: Prof. Alcir Rodrigues

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Era 12 de janeiro de 1976. Meu pai me pegou pela mão e me levou até a praça do Chapéu-Virado, lá onde ainda existe, encravada na pracinha ―que os mais antigos ainda chamam de largo―, aquela igrejinha bastante elegante, construída em 1909, a Capela do Sagrado Coração de Jesus.

Havia ali, naquele momento, uma multidão; na verdade, um amontoado de pessoas se acotovelando. E eu não sabia por que ou para quê. Foi aí que meu pai me botou nos ombros dele. Aí pude, enfim, ver destacadamente, entre outras pessoas, um senhor muito bem vestido, protegido por dezenas de soldados e seguranças. Parecia ser ele o motivo de toda a balbúrdia.

clip_image004 Inauguração da Ponte. Fonte: MEIRA FILHO, Augusto. Mosqueiro:ilhas e vilas.Belém:Falangola,1978.     

Vi que ele lentamente levantou um pano que cobria uma estátua (sei hoje que o nome correto daquilo é busto, e que o pano era a bandeira do Pará), e todo mundo aplaudiu o que ele fez. Mais tarde, pude entender com mais clareza tudo aquilo que ocorreu naquele já longínquo dia.

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Fonte: fotosdemosqueiro.blogspot.com.br

Aquele senhor, conforme me explicou papai, era o general Ernesto Geisel, o penúltimo dos presidentes militares. Ele veio ao Mosqueiro inaugurar a Ponte Belém-Mosqueiro, cujo nome oficial é Ponte Sebastião R. de Oliveira. Então, aproveitando a ocasião, na mesma manhã, ele também inaugurou o busto na pracinha ao redor da igrejinha.

Contam que ele, o Presidente, perguntou a alguém da comitiva do governo local (o estadual) qual seria a função daquela ponte. Ela teria por função “escoar” que produto? Iria movimentar a economia local?

“Não”, responderam. A ponte era para o lazer do belenense. Dizem que ficou decepcionado com o que lhe disseram. Não poderia perceber, naquela época, que o turismo é um produto rentável, e sustentável, pois não se esgota nunca.

Só sei que, décadas depois, ainda guardo na memória aquela manhã, aqueles acontecimentos que muito marcaram minha infância.

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Fonte: fotosdemosqueiro.blogspot.com.br

FONTE: http://moskowilha.blogspot.com.br/2012/04/uma-lembranca-de-infancia.html#links

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Na Rota da História: A Ponte

terça-feira, 31 de julho de 2012

VERÃO 2012: PRAIA DO AREIÃO

 

Praia do Areião, onde história, tradição, religiosidade e folclore se misturam, onde tupinambás e antigos pescadores fizeram seu porto seguro e os primeiros estrangeiros se banharam, reúne, neste Verão 2012, famílias da Vila.

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A IMAGEM E O TEMPO: PRAÇA DA MATRIZ 2

 

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Praça da Matriz – Julho de 1968.

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Praça da Matriz – Julho de 2012.

FOTO 1: Fonte: PENTEADO, Antonio Rocha. Belém – estudo de Geografia Urbana.

Belém: UFPA, 1968, p. 385, v 1.

FOTO 2: C. S. WANZELLER

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A IMAGEM E O TEMPO: PRAÇA DA MATRIZ

JANELAS DO TEMPO: A PRAÇA É DO POVO

sábado, 28 de julho de 2012

JANELAS DO TEMPO: MOLECAGENS DO PASSADO V

A briga com os carregadores do Trapiche da Vila

Narrativa de Joseph e Alexandre Farah (entrevista concedida a Coely Silva)

“DUQUE: Batendo um papo com o André (André Costa Nunes, diretor comercial de O ESTADO DO PARÁ e velho amigo dos Farahzinhos) soube que vocês foram expulsos uma época do Mosqueiro.

JOSEPH: Não havia essa probabilidade, inclusive, nós tínhamos comissários de polícia com ordens especiais do todo poderoso caudilho Magalhães Barata pra seguir e guardar a segurança dos Farahzinhos. Houve inclusive um caso muito esquisito em Belém: eu percebi que estava sendo seguido por um homem muito grande, um cara forte, cara de cangaceiro e eu dava drible no cara, tomava ônibus, descia, tomava outro, armei as maiores arapucas pro cara e o cara não descolava das minhas costas. Então eu cheguei com o Papai e disse: “Olha, papai, é preciso tomar umas providências, eu estou sendo perseguido; tem um homem muito forte, cara de cangaceiro me seguindo; há dias que eu venho driblando o cara e ele não sai do meu calcanhar”. Ele disse: “Ora menina, non se preocupe, son seus guardas-costas.” E eu perguntei pro velho: “Mas há quanto tempo?” “Há muitas anos.” “Pô, só agora que eu vim saber!”

ALEXANDRE: E tem o seguinte: a influência que o papai tinha com o baratismo...

JOSEPH: Quem mandava nessa terra aqui era por tabela o papai, que financiava o PSD. Ele comprou o Liberal e pela ata de fundação os três proprietários do Liberal eram o papai, Raymundo Farah, o meu tio Felipe Farah e um português chamado Bordalo. O fato de todos serem estrangeiros, a legislação brasileira não permitia. O Dr. Octávio Meira encontrou uma solução: eles transferiram as ações pra esposa do Barata, pra Dona Georgina. Por exemplo, o nosso hotel, o Rotheesserie-Suisse só tinha duas utilidades: era servir ao PSD e ao Clube do Remo. De maneira que não existia por parte das autoridades nenhuma repressão contra os Farahzinhos e nossa família. Os nossos bisavós e tios foram presidentes do Tribunal Regional do Estado durante quarenta anos consecutivos – de 1913 a 1953. O que acontecia é que a gente fazia tanta bandalheira, tanta baderna que o clima, às vezes, ficava mais hostil por parte daquelas pessoas que eram gozadas, mas elas nunca levaram a consequências drásticas.

JOSEPH: E aqui pra Mosqueiro, o papai nomeava todos os delegados e tinha um tenente, o Francelino, que o papai – pra haver uma cobertura mais efetiva – prometeu a major. Outro dia, eu encontrei com ele e ele me disse: ”O seu pai conseguiu um fato na história militar brasileira: me nomeou de tenente a major por decreto.” Esse major Francelino foi delegado aqui do Mosqueiro durante mais de vinte anos e nos dava toda cobertura.

ALEXANDRE: Nós fomos algumas vezes presos, porém mais por uma questão de resguardo pessoal. Ocorreu um incidente com esse major, nós de início ficamos aborrecidos, chamamos ele: “Olhe, major, o senhor é um homem ingrato. Foi o único oficial dos bombeiros promovido três vezes por decreto, num mesmo ato, pô, um atrás do outro, história inédita, e nos agradece jogando num xadrez imundo. Ele disse: “Tenham calma, tenham calma!”

JOSEPH: Foi a famosa porrada com os estivadores.

ALEXANDRE: Porque os Farahzinhos foram umas criaturas e ainda são... Eles continuam vivos na imagem de toda geração, daquelas pessoas que são alegres. Nós nunca andamos com uma arma na cintura, apesar de sermos descendentes de sertanejos, e nosso pai veio impregnado do espírito europeu de liberalismo, sempre dialogou com os filhos, nunca bateu. Mas ocorre o seguinte: na hora da porrada, o negócio era de rebolar mesmo. Nós tínhamos chegado da cidade de Nova Friburgo e estávamos fortes, pesados e fomos tratar um assunto a pedido do fazendeiro José Júlio Bezerra, com autorização do delegado, porque não se podia chegar à ponte sem autorização da polícia. E lá, estabeleceu-se um desentendimento com os carregadores, que eram homens muito rudes, fortes: havia caído uma maleta que um deles carregava e houve insultos dos trabalhadores, com imediata reação do Joseph. E desandou uma terrível luta corporal que deixou todo mundo estarrecido, porque os Farahzinhos lutaram com doze estivadores durante 45 minutos e ficou empate: eram bofetões de lado a lado e nós que tivemos educação esportiva privilegiada – fomos alunos do Seu Poti na Academia Jack Dempsey e do Prof. Yamada em judô e sempre fomos moleques de rua, aprendendo a brigar na zona boêmia e a se safar das confusões e vai pegando aquele jeito de corpo, aquela malandragem. Então causou um enorme espanto a toda a população do Mosqueiro, inclusive um carregador chegou até a puxar uma faca e só não esfaqueou porque o carregador nº. 5 impediu, mas não terminava nunca a briga. O Dr. João Batista Klautau de Araújo, que já era juiz de Direito, apelou pro seu cargo, mas não foi atendido e era esbofeteado também. O comandante Hosana teve que descer com toda a sua tripulação e fez uma ocupação militar na cabeça da ponte, no pontão chamado “Gregório”, porque o navio era o “Presidente Vargas” e atracava no pontão (balsa), que era preto. E o Zé num massacre total, abraçado pelo carregador nº. 40, que era do tamanho de uma Kombi, que era do Dr. Amilcar Cabral. Então chegou a polícia e nos levou presos. O Dr. João Batista Klautau se identificou e o receio do delegado era que nós poderíamos ser linchados. Existia um clima de tentativa de linchamento: a classe dos estivadores de Mosqueiro reunida em assembleia geral determinou que nós fôssemos linchados. O nosso advogado foi espancado, desmaiou na delegacia e saiu carregado pelos padres e pelas carolas que diziam: “O Dr. Catulau, bateram nele.” E botaram na Igreja: “Não, Dr. Catulau, o senhor está bem guardado aqui”. O delegado, com muito jeito, conseguiu dispersar os trabalhadores e o João Batista conseguiu levar três juízes, inclusive um juiz federal, o Dr. Figueiredo, mas não conseguiu nos soltar; o delegado estava irredutível. Foi quando às 5 horas da manhã – e o Dr. João Batista, inconsolável, sentado na porta de uma pensão – o José da Cunha Gonçalves sugeriu que fosse localizado o tenente Cabral; então nós fomos soltos.

JOSEPH: Pô, nós éramos bons moços. Um cara que nunca pegou um porre, nunca levou um bofetão, não fez boemia, nunca foi preso, não viveu a vida.

ALEXANDRE: A gente sempre foi contra o bom-mocismo, o carreirista disfarçado, o almofadinha. Porque o bom-moço é um carreirista e é um disfarçado, um falsário.”

FONTE: Silva Coely. Especial de Férias de O Estado do Pará, de julho de 1978.

terça-feira, 24 de julho de 2012

CANTANDO A ILHA: O Paraíso é um acampamento em 91.

Autor: Prof. Alcir Rodrigues

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                        É noitinha ainda...

Arremesso longe a linha de pescar:

quase pesco toda a conjunção

interplanetária que no céu desenha

uma geometria triangular ―

Vênus, Marte, Júpiter e Saturno

derramando brilho nas águas

mornas da Baía-do-Sol,

onde me banho, à espera de

um improvável peixe fisgado

pelo meu azarado anzol canhoto.

Na verdade, a pinga já me fisgou

por completo, quase...

                                          ...me levando embora,

                                         ou nos calientes braços de Iemanjá

                                                (para o fundo das águas),

                   ou, quem sabe, nas asas dessa imensa

escura ave, chamada

            noite de Anhangá,

rumo aos milhares de olhos que piscam no céu...

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Por trás da fogueira,

a barraca de camping

abriga os companheiros irmãos,

talvez sonhando com a Boiuna-Luna

de Macunaíma, astro flutuando

e distribuindo sua claridade

em gotas fosforescentes pingando

que nem sereno nesta praia-paraíso,

espocando no contato com as chamas

da fogueira deste improvisado acampamento.

Além dos habitantes da barraca,

também dorme um sono dos justos

a Ilha do Maracujá, logo ali e ao largo

―na ilharga da praia―,

um arremate no recorte da enseada,

como um barco ancorado, sempre a partir,

                                                     e sempre a ficar,

encalhado na terra e na memória,

beleza de areia, pedras e vegetação:

            um oásis para os enamorados corações.

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Não vejo por aqui-agora nem Eva nem Adão,

apenas a serpente:

uma jiboia, um ofídio sem peçonha...

Inoculada em mim, sabe lá

por qual deusa ou deus,

uma outra peçonha ― um feitiço que me traz de volta

sempre ao Paraíso, e sua maçã

estampa-se no cartão postal

que me rodeia: são águas

                                          areias

               céu nem sempre azul                     com muitas nuvens

        barracas e barrancos

                                                                                                                                                                               Ilha

                       rochas

            baía

                           as canoas

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                             o verde da vegetação          e a casa colonial

                 a conversa e a pinga

                                  o dominó, o baralho

                                              as caminhadas em grupo

           a fogueira com a panela

                                                             na lenha em brasa

os banhos nas ondas a lavar

                        o corpo e extirpar o suor

                                                  do excesso de cachaça

Foi belo o dia chuvoso,

mas a noite é encantadora...

As sombras do arvoredo dançam,

como as sombras na Caverna de Platão

a emparedar em mim um ethos ou ideário

com ares de soturnidade...

Talvez porque todos dormem,

e eu nem a garrafa me conduz

ao mundo de Morfeu...

A Lua levitando

no profundo éter noturno

geometriza no olhar

um quadro de indistinta proporção

e intangível equidistância

com a conjunção dos planetas,

astros imantados atraindo

este pescadorpoeta noctívago

banhando-se na mancha láctea

fosforescente replicada do céu

no piso líquido da baía,

esta que me traz a aromática

aragem cálida como mensagem

de uma nova vida, novo princípio...

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Isso porque já amanhece o dia: a manhã beija

em brisa friazinha meu rosto insone...

As nuvens leves flutuam não só no céu,

mas muito mais em minha quase inconsciência...

Já ouço murmúrios de dentro da barraca.

Talvez agora seja o momento de levitar.

Meus pés me arrastam para fechar

os olhos e poder esquecer de quase tudo...

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FONTE: http://moskowilha.blogspot.com.br/2012/04/o-paraiso-e-um-acampamento-em-91.html#links

domingo, 22 de julho de 2012

UMA VISITA AO SANTUÁRIO DA PENHA

 

Quando, recentemente, estivemos no Rio de Janeiro, visitamos a Igreja de Nossa Senhora da Penha. Não fomos apenas à busca de um famoso ponto turístico da cidade, mas, sobretudo, movidos pela fé cristã. A localização, as escadarias, as linhas arquitetônicas e a beleza do templo deixaram-nos realmente extasiados. Conhecemos também a Capela do Sagrado Coração de Jesus, que integra a estrutura do Santuário. Na ocasião, tivemos a oportunidade de divulgar a nova Imagem de Nossa Senhora do Ó da Ilha do Mosqueiro e indicamos às pessoas interessadas as informações coletadas por este blog.

Queremos agradecer ao Sr. Bruno César Cunha Oliveira, Assistente de Comunicação, o registro da nossa visita ao Santuário na Nossa Revista, publicação mensal dirigida pelo Pe. Serafim S. Fernandes. Somos gratos também às Senhoras Sônia Irene e Elza Rosa pela amável acolhida.

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Visite o site:

www.santuariopenhario.org.br

“Nossa Revista” - Ano VII – nº. 85 – Julho - 2012-07-22

Entidade Mantenedora: Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Penha de França

Largo da Penha, 19 – Penha.

Rio de Janeiro – RJ

CEP: 21070-560

Tel.: (21) 3219-6262

Fax: 3219-6257

quinta-feira, 19 de julho de 2012

VERÃO 2012 NA ILHA

 

Autor: José Carlos Oliveira

Mosqueiro, praias, rios, sol e muito brilho.

A Ilha destaca-se neste verão e retoma suas tradições com praias lotadas, muita alegria e diversão.

Verão 2012.

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Final de tarde na praia do Murubira

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Final de tarde na praia do Farol

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Apanhar pipa, diversão que agita as praias.

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Sol e Mar, a união perfeita na praia do Murubira.

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Banho ao mar, momento de extrema emoção...

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para quem curte as praias da Ilha.

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Praia do Ariramba

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Praia do Farol, recanto turístico de antigas lembranças.

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Praia do Ariramba, o paraíso perdido entre paredões.

Imagens: JCSOliveira

Blog: HTTP://mosqueirense.blogspot.com

E-mail: jcsoliveira_uema@hotmail.com