sábado, 11 de setembro de 2010

TROCA DE OPINIÕES: TEMA: A EMANCIPAÇÃO DA ILHA (2)

Você, mosqueirense nato ou de coração, pode opinar ou comentar opiniões sobre um tema bastante polêmico: A EMANCIPAÇÃO DA ILHA DO MOSQUEIRO.

Amigo internauta, seu posicionamento sobre a questão é muito importante e deve ser claro, objetivo e bem fundamentado. Envie o seu texto para claudionorwanzeller@gmail.com, que nós o publicaremos neste blog. Seu comentário sobre as opiniões publicadas deverá ser postado no espaço reservado para tal.

José Carlos Oliveira disse...

Claudionor, é gratificante poder dirigir-me ao meu antigo mestre, dos grandes tempos do Honorato. É muito bom discutirmos, sempre, os rumos de Mosqueiro, seus problemas e, não por menos, a realidade do nosso povo.

Não tenho informações verdadeiras de que seja mosqueirense, mas, ainda que não seja, pelo tempo que reside na Ilha, com certeza, já é considerado filho adotivo da terra.

Bem sabe e bem defende os interesses da terrinha, sabe da realidade, das dificuldades e os problemas que todos passam. E, se passamos por tudo isso, voltar a um problema antigo é permanecer na discussão sem rumo certo.

Discutir emancipação e lutar pela mesma, sem base profunda de conhecimento da realidade do local é enveredar para um caminho sem fim, sem sucesso! Sou contra e tenho me colocado contra essa proposta, apenas do interesse de alguns.

Sou mosqueirense, tenho minhas propostas e sou favorável que se reveja todas as propostas até aqui apresentadas em prol da emancipação e que somente é levada a discussão por ocasião do momento político.

Cobro reuniões por bairros, cobro a apresentação de propostas a todas as comunidades, e solicito aos interessados que convidem a mim, a você, a todos os intelectuais e a todos representantes de bairros da Ilha, para discussão das melhores propostas, em prol da emancipação ou de sua contrariedade, pois não devemos aceitar apenas as propostas de interesse político, em prol da vontade de terceiros, mas, também, propostas que venham beneficiar nosso turismo, nosso comércio, nosso povo.

Precisamos conscientizar nossos eleitores para todos os problemas da emancipação e para a necessidade de formarmos representantes da nossa terra, conhecedores dos nossos problemas e da nossa realidade. Não precisamos de para-quedistas para nos representar. Esse é um caminho de decisão para um futuro melhor. Não precisamos de representantes que venham apenas cumprir mandatos, ganhar dinheiro e interessados em cobrar impostos. É preciso coragem e trabalho. A nossa realidade está nas nossas palavras, nas nossas decisões e nossa vontade de viver melhor.

JCSOliveira

JCSOliveira_uema@hotmail.com

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CURIOSIDADES: Varinhas da lembrança

Autor: Inocêncio Gorayeb

Houve um tempo, até a década de 70, de um costume simbólico característico e único do verão de julho na Ilha do Mosqueiro, Belém, PA. Algumas coisas são inesquecíveis como as viagens no navio Presidente Vargas, as festas no Praia Bar e Netuno, e o glamour dos hotéis do Russo e do Farol. Marcantes eram as viagens no navio Presidente Vargas e o diário e triunfal desembarque na ilha, onde logo os vendedores locais ofereciam grandes broas, beijo-de-moça e varinhas decoradas, que também podiam ser compradas no mercado. O charme obrigatório eram as moças e rapazes portarem as varinhas nos passeios vespertinos na praça da vila, este era o costume. As decorações eram feitas com traços artísticos também marajoaras, no contraste entre as partes da casca removida. Tinham registrado o ano e, às vezes, nomes e mensagens entre os namorados. As varas eram retiradas das plantas Capitiu (família Monimiaceae, espécie Siparuna guianensis Aubl.) e Taquari (família Euphorbiaceae, espécie Mabea angustifólia Spruce ex Beuth). Eram guardadas como lembrança daquele verão e serviam como artesanato para os turistas. Seria bom que este comportamento cultural não fosse perdido e voltasse a ser oferecido pelos artesãos.

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Foto: Inocêncio Gorayeb. Foto: Inocêncio Gorayeb.

(Fonte: Gorayeb, I. S. 2008. Amazônia. Jornal O Liberal, 2008.)

MOSQUEIRANDO: Fomos encontrar as varinhas da lembrança mencionadas por Inocêncio Gorayeb no povoado de Caruaru, interior da ilha do Mosqueiro. Elas ainda existem e podem ser adquiridas pelos turistas. São lembranças marcantes, assim como a presença, no local, da atriz Dira Paes, durante a gravação das cenas do curta-metragem “Matinta”, no ano passado.

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Foto: Wanzeller.

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Foto: Clayton Souza.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

TROCA DE OPINIÕES: TEMA: A EMANCIPAÇÃO DA ILHA

TROCA DE OPINIÕES:

TEMA: A EMANCIPAÇÃO DA ILHA

Atendendo à sugestão do amigo Laércio Santana, o MOSQUEIRANDO abre este espaço para que, de modo democrático, você, mosqueirense nato ou de coração, possa opinar ou comentar opiniões sobre um tema bastante polêmico: A EMANCIPAÇÃO DA ILHA DO MOSQUEIRO.

Amigo internauta, seu posicionamento sobre a questão é muito importante e deve ser claro, objetivo e bem fundamentado. Envie o seu texto para claudionorwanzeller@gmail.com, que nós o publicaremos neste blog. Seu comentário sobre as opiniões publicadas deverá ser postado no espaço reservado para tal.

Começamos apresentando um trecho do artigo científico publicado em 2007, na Revista Universitária de Geografia, sob o título “Turismo e desenvolvimento local em uma ilha fluvial na Região Metropolitana de Belém: o caso da ilha de Mosqueiro na Amazônia brasileira”, que foi assinado por Maria Goretti da Costa Tavares, Kleber dos Santos Gomes, Maria Augusta Freitas da Costa e Williame de Oliveira Ribeiro:

“A proposta emancipacionista do distrito de Mosqueiro

A criação de um município é geralmente o resultado do fortalecimento econômico de um setor da sociedade local que passa então a reivindicar o poder político, para, assim, poder delimitar e melhor controlar o território (Tavares, 1992). Isso se tornou bem mais evidente a partir da adoção do processo de descentralização político-administrativa como resposta à crise do Estado, pois o fortalecimento do poder político local foi acompanhado do reforço do poder das elites sociais e do poder econômico local, passando este último com mais vigor a reclamar a criação de novos municípios com vistas a atender seus interesses, em especial, os de caráter econômico.

A divisão do território com vista ao estabelecimento de autonomia político-administrativa resulta na criação de um novo Município. O fortalecimento dessa esfera do poder estatal acabou elevando o número de propostas e projetos de emancipação no território do Brasil, dentre as quais aparece a proposta emancipacionista do Distrito Administrativo de Mosqueiro, na capital do estado do Pará.

É nesse contexto que aparece a proposta emancipacionista do Distrito Administrativo de Mosqueiro. A primeira tentativa nesse sentido ocorreu no início da década de 1990, no entanto, foi arquivada na Assembléia Legislativa do Estado do Pará pela histórica não aprovação da proposta no plebiscito realizado em 1991. Histórica, primeiro porque das dez propostas de emancipação de localidades paraenses apresentadas pelo atual Deputado Federal Niciais Ribeiro, na época Deputado Estadual, apenas a de Mosqueiro não foi concretizada em municipalidade; segundo, porque o número de abstenções no plebiscito foi de aproximadamente 60%; e dos votos válidos, cerca de 80% foram contrários (323 “sim” e 1.868 votos “não” à emancipação do distrito), comprovando, dessa forma, a não identificação da população de Mosqueiro com a proposta.

No início do presente século surge um novo projeto de divisão territorial do Município de Belém com finalidade de promover autonomia político-administrativa de Mosqueiro. Esse novo projeto aparece fortalecido pela baixa popularidade da administração municipal nesse distrito e pelo alto grau de correlação entre o relator da proposta - o Deputado Estadual César Colares que, ao contrário do Deputado Nicias Ribeiro, tem vínculo com o Distrito, e foi prefeito do Município de Santa Barbara, limítrofe e via de acesso à ponte Sebastião de Oliveira, sobre o Furo das Marinhas, ponte que liga o distrito ilha ao continente – com as forças locais interessadas na emancipação.

A atividade turística cresceu na ilha desarticulando outras atividades anteriormente praticadas na ilha, como a pesca, sem, todavia, gerar benefícios para os grupos humanos nativos de Mosqueiro, como declara Cardoso (2000). Mas essa atividade gerou um poder social de elite e um poder econômico local, como demonstrou os relatos dos moradores da ilha – donos de postos de gasolina, de hotéis, de bares e restaurantes e comerciantes em geral, principalmente os donos de lojas de materiais de construção.

É neste momento que emerge a relevância dessa atividade no âmbito da discussão emancipacionista de Mosqueiro, pois, como afirma Mesquita (1992), os movimentos de redivisão territorial são, geralmente, conduzidos por interesses econômicos e pelas elites sociais locais que, motivados, especialmente pela intensificação da descentralização político-administrativa de várias atividades pelo governo federal, anseiam alcançar o poder político local. No caso mosqueirense, isso se intensifica pelo processo de descentralização da atividade turística, realizada pela esfera federal através do Plano Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT). O turismo é evidenciado como sendo a base de sustentação da ilha, “a salvação da lavoura”, como afirmam alguns. E um projeto de descentralização dessa atividade poderia fortalecer o local se este assumisse a condição de município.

Dessa forma, a descentralização do turismo e dos demais setores é uma estratégia implementada de cima para baixo, ou seja, não parte de uma perspectiva autonomista e conseqüentemente não resulta num desenvolvimento sócio-espacial de fato. Dessa forma, a autonomia político-administrativa de Mosqueiro poderá beneficiar alguns poucos grupos dos setores do poder hegemônico desse local, em outras palavras, o poder social da elite e o poder econômico local que provém da atividade turística e, sendo assim, seriam beneficiados duplamente com o poder político local e com o reforço da atividade turística pela não completa descentralização, mas, como alguns repasses de verbas, municipalização dessa atividade pelo PNMT. Pois como aponta Tavares (1992) e observa-se nos trabalhos de campo realizados, os grupos minoritários, a maioria da população local ficará marginalizada do processo de construção do Município de Mosqueiro: “a discussão não tá na população, mas em pensadores, políticos, acadêmicos, comerciantes que o povo é massa de manobra” – Pescador, morador da Baía do sol (Mosqueiro), presidente da Colônia de Pescadores de Mosqueiro.

Sem a participação da maioria da população o processo de autonomia político-admisnitrativa de Mosqueiro, não promoverá o desenvolvimento da área, bem como a atividade turística, que se manterá como relatou Cardoso (idem): sem provocar qualquer melhoria de qualidade de vida à população mosqueirense. A qualidade de vida é um dos parâmetros indicadores, de acordo com Souza (2002) do desenvolvimento sócio-espacial, essa (a qualidade de vida), entretanto, só pode ser alcançada com um aumento da justiça social em Mosqueiro, mas, para que haja justiça social é necessário que todos tenham autonomia individual e coletiva para decidir o que deve ser realizado na ilha de Mosqueiro, contudo, é possível que um grupo muito restrito será o responsável por gestar o Município, se esse for criado.”

DA COSTA TAVARES, Maria Goretti, DOS SANTOS GOMES, Kleber, FREITAS DA COSTA, Maria Augusta et al. Turismo e desenvolvimento local em uma ilha fluvial na Região Metropolitana de Belém: o caso da ilha de Mosqueiro na Amazônia brasileira. Rev. Univ. Geogr. [online]. 2007, vol.16, no.1 [citado 07 Setembro 2010], p.125-145. Disponível no World Wide Web: <http://www.bibliotecadigital.uns.edu.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0326-83732007000100005&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0326-8373.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CANTANDO A ILHA: A CASINHA DO RIO PRATIQUARA

 

É uma casinha, mas tão pequenina,

Perdida na mata,

À margem do rio,

Lembrando silêncio,

Lembrando sossego,

Lembrando saudades

Dos tempos de estio.

É uma casinha, mas tão pequenina,

Coberta de palha,

Tão pobrezinha,

Tão infantil,

Lembrando que o homem faz parte da vida

Sofrida,

Faz parte da mata,

Faz parte do rio.

(Claudionor Wanzeller)

NA ROTA DO TURISMO: UMA VIAGEM ECOLÓGICA AO CENTRO DA ILHA

 

(Roteiro para a prática de ECOTURISMO criado com base na atividade interdisciplinar de EDUCAÇÃO AMBIENTAL desenvolvida pelos professores Antônio Fiel, Carlos Mathias, Claudionor Wanzeller e Mauro Braga da Escola Estadual Honorato Filgueiras – ilha do Mosqueiro, na década de 90).

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Iniciando a excursão ecológica (Foto: Gerlei Agrassar)

ROTEIRO: Porto do Pelé, igarapé Tamanduaquara, trecho do rio Murubira, trecho do rio Pratiquara (descendo até a foz), trecho do rio Pará (subindo pela baía de Santo Antônio), trecho do rio Mari-Mari (subindo a partir da foz), igarapé Canavial, povoação do Castanhal do Mari-Mari, trilha ecológica Olhos d’Água, povoação do Caruaru, retorno descendo o rio Caruaru e o rio Pratiquara.

Porto do Pelé: nome que se refere ao primeiro morador do local, à margem do igarapé Tamanduaquara, no fim da Trav. Siqueira Mendes (bairro do Maracajá).

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Porto do Pelé (Foto: Marcos Silveira)

Igarapé: termo de origem indígena (igara: canoa; pé: caminho – caminho de canoa); braço de rio que se perde na floresta. Segundo a lenda, sulco na mata aberto pela Cobra Grande ao sair do rio.

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O transporte do ribeirinho (Foto: Gerlei Agrassar)

Tamanduaquara: de origem indígena (coara: lugar; lugar de tamanduá) designa um braço do rio Murubira.

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Igarapé Tamanduaquara (Fonte: Google Earth)

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Seguindo pelo Tamanduaquara (Foto: Gerlei Agrassar)

Sítio do Pau-Amarelo: local do igarapé Tamanduaquara onde, segundo a lenda, surge, em noite de lua cheia, uma Cobra Grande Encantada, às vezes na forma de uma linda jovem caminhando sobre as águas.

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Sítio do Pau-Amarelo (Fonte: Google Earth)

Murubira: termo de origem indígena (morobira: homem cabeludo); designa a tribo de tupinambás que habitava a ilha do Mosqueiro; rio que nasce no interior da ilha e é afluente do rio Pratiquara.

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No plano inferior, rio Murubira (Fonte: Google Earth).

Foz ou embocadura: ponto terminal do rio popularmente conhecido como “boca do rio”, lugar onde o rio deságua (em outro rio, lago, baía ou oceano). Pode ser estuário (sem obstáculo, uma única “boca”) ou delta (várias “bocas”).

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De baixo para cima, foz do Murubira (Fonte: Google Earth)

Ribeirinhos: pessoas que vivem às margens dos rios e igarapés, tirando exclusivamente deles o seu sustento. A atividade desenvolvida é a pesca artesanal de subsistência.

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População ribeirinha (Foto: Gerlei Agrassar).

Pratiquara: termo de origem indígena (prati: peixe miúdo; coara: lugar – lugar de peixe pequeno); rio que nasce no interior da ilha e deságua a sudoeste, no rio Pará (baía de Santo Antônio).

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Foz do Pratiquara no rio Pará (Fonte: Google Earth)

Furo: curso d’água que liga um rio a outro rio ou a um lago.

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Furo do Figueiredo no Pratiquara (Fonte: Google Earth)

Furo do Engenho: liga o rio Pratiquara ao rio Mari-Mari. No início do século passado, um engenho de cana-de-açúcar deu-lhe o nome; posteriormente, ficou conhecido como Furo do Figueiredo (dono de pequeno comércio ribeirinho que existia à entrada do Furo, no rio Pratiquara).

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Atravessando o Furo (Foto: Gerlei Agrassar)

Igapó: área de várzea, à beira dos cursos d’água, alagada todos os dias pela ação da maré de enchente (conceito conforme a situação geográfica da ilha do Mosqueiro).

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Foto: Gerlei Agrassar

Várzea: área, à beira dos cursos d’água, alagada somente com as marés de sizígia (marés de lance ou de lua: as mais altas).

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Foto: Gerlei Agrassar

Teso: ponto alto de terra firme em área de várzea.

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Foto: Gerlei Agrassar

Palafita: habitação característica do ribeirinho, construída sobre “estacas”, bem acima do nível dos rios para evitar as grandes enchentes. Originalmente, construção rústica da Amazônia, cujas paredes e assoalho eram feitos com troncos de palmáceas, e coberta com palha.

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Habitação do ribeirinho (Foto: Gerlei Agrassar).

Mata ciliar: vegetação que protege as margens de rios, igarapés, lagos e diversos cursos d’água. Evita o desmoronamento dos barrancos, o assoreamento dos rios e, consequentemente, as inundações.

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Foto: Gerlei Agrassar

Manguezal: popularmente conhecido como “mangal” ou mangue, é o conjunto de mangueiros, vegetais muito importantes para o equilíbrio ecológico, pois filtram a poluição, produzem grande quantidade de oxigênio, purificando o ar, e facilitam a reprodução de peixes e crustáceos, inclusive dos saborosos camarões mosqueirenses. Os índios utilizavam esses vegetais na produção de tinturas e de remédio contra a diarréia.

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Manguezal na foz do Pratiquara (Fonte: Google Earth)

Mangueiros: vegetais superiores característicos de igapós e várzeas: mangueiro vermelho (Rhizophora mangle), siriubeira (Avicennia germinans) e tinteiro (Laguncularia racemosa), as espécies mais comuns na ilha. Entram na composição da mata ciliar, pois suas raízes aéreas são poderosos sustentáculos dos barrancos, servindo para o equilíbrio e alimentação desses vegetais. Apresentam forma de reprodução ímpar, porque são os únicos cuja germinação se dá ainda com o fruto na árvore. Com o amadurecimento, a semente já germinada se desprende do fruto e cai, prendendo-se no tijuco mole ou sendo levada pelas águas para outros pontos, às vezes muito distantes, garantindo a disseminação da espécie.

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Espécie de mangueiro (Foto: Gerlei Agrassar).

Pará: termo de origem indígena (abundância d’água) primitivamente empregado para designar os lagos e as inundações do Amazonas. Nome que recebe o rio Tocantins (sig.: bico de tucano) ao passar por Belém em busca do Atlântico. Em frente à cidade de Belém, forma a baía de Guajará. Banha a ilha do Mosqueiro, formando a baía de Santo Antônio, do Marajó e do Sol.

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Rio Pará banhando o sudoeste da ilha (Foto: W. J. Lameira)

Baía de Santo Antônio: banha a costa sudoeste da ilha do Mosqueiro, que teve o seu nome num passado remoto (ilha de Santo Antônio). Saindo pela foz do Pratiquara, observamos, à direita, a Ponta da Pedreira e, em frente, a ilha de Tatuoca, dois lugares de grande importância histórica.

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Baía de Santo Antônio (Fonte: Google Earth)

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Baía de Santo Antônio (Foto: C. S. Wanzeller).

Ponta da Pedreira: consta nos mapas desde o século XVII (1680) com o nome de Ponta da Musqueira. Lugar da ilha, às margens da baía de Santo Antônio, utilizado no século XVIII para exploração de pedras (com alto teor de ferro) destinadas às construções em Belém. Era uma das pedreiras do Reino.

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Ponta da Pedreira ou do Bitar (Fonte: Google Earth)

Fábrica Bitar: localiza-se na Ponta da Pedreira. Foi fundada em 1924 pela firma Bitar e Irmãos, com o nome de Usina Santo Antônio da Pedreira. Suas máquinas alemãs destinavam-se ao beneficiamento da borracha e ao refinamento de óleos vegetais extraídos das sementes de ucuuba, murumuru, andiroba, pracaxi, babaçu, patauá e algodão. Em 1932, o óleo “Fortaleza”, produzido pela Fábrica, foi premiado na exposição Farroupilha. Fabricava-se, também, o famoso sabão “Santa Helena”, que era exportado para o Nordeste. O trabalho na Fábrica passou a concorrer com a pesca artesanal, primeira atividade econômica da Vila do Mosqueiro, empregando homens, mulheres e até crianças. Em 1925, os funcionários que jogavam futebol na praia do Areião fundaram o Pedreira Esporte Clube. Em 1938, na Fábrica Bitar, ocorreu o primeiro movimento grevista do Estado do Pará. A Fábrica tem grande importância para o folclore mosqueirense, pois, segundo a lenda, sob a Ponta da Pedreira existe imensa caverna habitada por uma Cobra Grande.

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Usina Santo Antônio da Pedreira (Foto: Cássio Nascimento)

Tatuoca: termo de origem indígena (oca: casa – casa de tatu). Ilha localizada em frente à Vila do Mosqueiro, às proximidades da ilha de Cotijuba. “Quando os cabanos, no século XIX, tomaram Belém, o Marechal Manuel Jorge Rodrigues, Presidente da Província, instalou o governo em Tatuoca. Tendo recebido reforços de Pernambuco, organizou várias expedições para eliminar os participantes da revolta nativista que se haviam fixado em dois pontos do Mosqueiro: Vila e Chapéu Virado. A invasão do Mosqueiro pelas tropas legalistas ocorreu no dia 21 de janeiro de 1836. Cem homens do 2º. Batalhão de Caçadores, sob o comando do Major Manuel Muniz Tavares e com a proteção de dois navios de guerra, “Independência” e “Brasília”, além de lanchões e canoas de pequeno calado, desembarcaram na ilha. Apesar da resistência tenaz, depois de algumas horas de combate, as tropas legalistas conseguiram a vitória. Os cabanos foram perseguidos no interior da ilha, durante a fuga, e lanchões artilhados cruzaram os furos das baías do Sol e de Santo Antônio. Os heróis paraenses que lutavam contra o despotismo implantado na Província não se rendiam. Aparentemente derrotados nas praias e nas matas mosqueirenses, avançaram sertão adentro, alcançando a Vigia, Curuçá e outros centros, quase atingindo os limites do Maranhão” (A.M. Filho).

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Tatuoca, tendo ao fundo a Ilha de Cotijuba (Foto: Wanzeller)

Mari-Mari: termo de origem indígena para um fruto comestível (cássia leiandra) da Amazônia; designação do rio que nasce no interior da ilha, às proximidades do Furo das Marinhas, e, como afluente do rio Pará, tem sua foz na baía de Santo Antônio.

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Rio Mari-Mari (Fonte: Google Earth)

Castanhal: braço do rio Mari-Mari, esse igarapé recebe o nome da povoação às suas proximidades.

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Igarapé do Castanhal (Fonte: Google Earth)

Canavial: igarapé onde se localiza o primeiro porto da povoação do Castanhal do Mari-Mari; era o acesso a uma área onde, no passado, havia uma extensa plantação de cana-de-açúcar.

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Igarapé do Canavial (Fonte: Google Earth)

Castanhal do Mari-Mari: singela povoação no interior da ilha, cujo centro sócio-cultural é constituído de um campo de futebol, uma escola de ensino fundamental, um salão de danças (que serve para diversos eventos) e uma capela dedicada à Santa Maria, padroeira local festejada durante o mês de maio.

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Castanhal do Mari-Mari (Fonte: Google Earth)

Conheça Castanhal do Mari-Mari! (Veja em futuras postagens.)

Trilha Olhos d’Água: com aproximadamente 3,5 km de extensão, liga o Castanhal do Mari-Mari a Caruaru, povoação situada à margem esquerda do rio de mesmo nome, afluente do Pratiquara. São aproximadamente quarenta minutos de caminhada em trechos de floresta tropical e matas de capoeira.

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Trilha Olhos d’Água (Fonte: Google Earth).

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Trilha ecológica (Foto: Marcos Silveira)

Curupira: ser mitológico também conhecido como Caipora, que é o protetor da floresta. A palavra Curupira originou-se do tupi antigo (curu: abreviação de curumim: menino + pira: corpo), assim como o termo Caipora (caá: mato + pora: habitante do). Para não perder o rumo é bom pedir licença a ele e não poluir o local com o nosso lixo.

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Curupira (Autor: Antônio Elielson S. da Rocha)

Floresta tropical: floresta com árvores de copas fechadas, presença de cipós, alto grau de umidade relativa do ar e ausência de gramíneas.

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Foto: Marcos Silveira

Capoeira: mata secundária, ou seja, não mais virgem, onde foram retiradas ou acrescidas espécies vegetais.

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Foto: Gerlei Agrassar

Sitiantes: pessoas que, mesmo vivendo às proximidades de rios ou igarapés, têm como principal atividade econômica a agricultura de subsistência (plantio de roças).

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Entrevista com representante da comunidade (Foto: Gerlei).

Caruaru: termo de origem indígena com significado incerto: teria vindo de iakuruarú (jacuraru: variedade de lagarto) ou do dialeto dos índios cariris: caru (coisa boa) + aru aru (abundância), que pode ser entendido como terra da fartura ou terra fértil; designa importante povoação no interior da ilha, tendo como centro um campo de futebol, em cujas cercanias existem uma escola de ensino fundamental (E. M. Profª Maria Clemildes), um salão de festas e uma capela dedicada à Santa Rosa de Lima, padroeira do lugar, festejada em agosto, inclusive com procissão fluvial, um evento que já se tornou uma tradição.

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Caruaru (Fonte: Google Earth)

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Porto de Caruaru (Foto: Marcos Silveira)

Conheça Caruaru e a Festividade de Santa Rosa de Lima! (Veja em futuras postagens.)

Retorno, descendo o rio Caruaru:

Rio Caruaru: afluente do rio Pratiquara, banha a povoação de mesmo nome

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Rio Caruaru (Fonte: Google Earth)

Retorno descendo o rio Pratiquara:

Sítio Pratiquara: localizado na margem direita do rio de mesmo nome, um pouco mais abaixo da confluência com o rio Caruaru, é um local aprazível, cuja área possibilita a prática do ecoturismo e do turismo de aventura.

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Sítio Pratiquara (Fonte: Google Earth).

Conheça o Sítio Pratiquara! (Veja em futuras postagens.)

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Retorno pelo Pratiquara, descendo o rio. (Fonte Google Earth)

SÓ PRESERVA QUEM CONHECE. Ainda há tempo para conservarmos nossas riquezas ambientais, usando-as de forma racional. Ou queremos a ilha, no futuro, desordenadamente ocupada, com nossos rios e igarapés transformados em canais, verdadeiros esgotos a céu aberto poluindo as praias, as baías e o nosso maior patrimônio: a água?

terça-feira, 27 de julho de 2010

NA ROTA DO TURISMO: NAS ONDAS DE RIO

Chegou o verão! Ou deveria dizer estiagem?! Época em que chove menos: quase todo dia, mas não o dia todo?! Talvez isso! Afinal, estamos na rota da chuva e chuva da tarde aqui não é lenda nem catástrofe, é bênção dos Céus: vem para aplacar o calor e vai embora. Nesta época, chove sim, principalmente se é de lua a maré, e quando chove, é muita água com vento, raios e trovoadas capaz de lavar a ilha toda e a alma de todos. Mas é gostoso, porque “depois da tempestade vem a bonança” e o Sol ressurge morno ou quente, às vezes até escaldante, despertando a vida.

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Foto: Christopher Bahia                   Foto: Christopher Bahia

E tudo é movimento frenético na busca do conhecer, do lazer, do prazer. Mosqueiro quase esbarra na linha do Equador e suas águas cálidas e doces de rio amazônico banham bronzeados corpos bonitos expostos sensualmente, que os reduzidos e vistosos trajes de praia não conseguem esconder.

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Foto: Gerlei                                         Foto: Gerlei

É verão e os ventos do Atlântico começam a soprar forte sobre as baías que nos cercam, sobre o “mar dulce” do Pinzón, encapelando as ondas da maré de enchente, as quais rugem na arrebentação em torrentes de espumas. São dezoito quilômetros de praias de água doce com ondas – a maior extensão no mundo todo – e há mais de cem anos, os veranistas belenenses, embora os europeus tenham iniciado o costume, buscam este recanto paradisíaco nas férias escolares. No passado, procuravam descanso e tranquilidade. Mas os tempos mudaram: agora, tudo são cores, sabores e agitos e, sem dúvida, o turismo de sol e praia predomina.

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Foto: Gerlei                                          Foto: Gerlei

O que não falta é animação: o vai-e-vem de carros e banhistas, o multicolorido dos guarda-sóis fincados na areia e das pipas bailando no céu, a movimentação dos vendedores, a preocupação do pessoal da assistência e da segurança, a alegria de crianças e jovens e muito som, som alto do tecnobrega e do forró “arretado” brotando das barracas de praia, das malas dos carros transformadas em potentes aparelhagens e dos trios elétricos que percorrem a orla arrastando multidões. Tudo isso, reflexo de uma ligeira fuga dos grilhões do cotidiano, às vezes liberdade excessiva que conduz às mazelas do nosso tempo. Mas é verão e o cenário é lindo: belezas naturais fantásticas, atraentes e carregadas de magia!

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Foto: Gerlei                                       Foto: Gerlei

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Foto: Gerlei                                         Foto: Christopher Bahia