quinta-feira, 11 de outubro de 2012

CANTANDO A ILHA: MOSQUEIRO

Autor: Rogério Portela

Magnífico glamour e opíparo frescor
Odor que deriva das flores
Semente que brota alegria, fascina
Querida, adorada, fadada a saciar
Uma delícia, o hino do coração do amor
Esperança que ilumina a vida, alucina
Inspiradora, o lume dos olhos do mar
Resplandecente como o sol do amanhecer
O alimento que vigora o verão do prazer.

O autor:

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“Paraense de Belém-Pa e mosqueirense apaixonado. Arrisquei-me na literatura em 2004 escrevendo alguns sonetos (que me levaram a vencer concursos). "Ninfa cabocla" intitula o meu primeiro livro. Adoro jornalismo e não vivo sem internet, só que, atualmente, estou num novo projeto, que é escrever romances policiais. "Obsessão" e "Liberdade condicional" são meus mais novos trabalhos e serão publicados em breve.”

FONTE:http://rogeriomportela.blogspot.com.br/search?updated-max=2010-10-18T09:18:00-07:00&max-results=7

terça-feira, 9 de outubro de 2012

NA ROTA DA HISTÓRIA: E A PONTE FOI LANÇADA!

Autor: Augusto Meira Filho

“Estávamos na Ilha do Mosqueiro, gozando o doce período das férias do mês de julho, em 1967, quando no domingo, dia 23, nos visita em nosso “Diamante”, o colega Engº. Octávio Bittencourt Pires. Era de manhã, aí pelas dez horas, quando sentamos à sombra dos nossos bambus, para um drinque. Octávio conversou muito sobre o sucesso da estrada, a situação das balsas e o desespero de quantos encontrara cedo, presos ao transporte fluvial no Tauarié.

O colega trazia um rolo de plantas e alguns papéis, que, vez por outra, colocava encostados às tabocas do quintal.

Depois de exaltar muito a obra da rodovia, comentando seus percalços e suas dificuldades, falou-nos com franqueza:

-- Companheiro! Essa travessia não pode continuar assim como está. Urge uma providência para que se pense, desde já, na possibilidade da construção da ponte sobre o Canal das Marinhas. O que vi, hoje, é de estarrecer. Um mundo de carros de todas as espécies aguardando, amargamente, a hora de atravessar.

A grita é enorme, contra tudo e contra todos. Milagre ninguém poderá fazer para atender a tantas viaturas, ao mesmo tempo. O serviço das balsas está cumprindo seu programa. Há limite na lotação das balsas e a maré baixa mais retarda a travessia. Aquilo está um inferno. Só vendo. Então?

Ouvimos o companheiro com paciência e respondemos calculadamente:

-- Meu caro, sabemos de tudo isso. Nós, dando exemplo, ficamos na espera até chegar nossa vez. Guilhon era pior. Pagava a passagem, normalmente, sem levar em conta sua posição de Governador. O problema é assim mesmo. As balsas vão saturar brevemente. Nessa altura, alguém de boa vontade deverá tomar a frente desta nova guerra. Nós já fizemos a nossa. Vinte anos no campo de batalha nos deram experiência bastante para, agora, ficarmos na plateia assistindo ao rufar dos tambores e aplaudir os vencedores. É nosso pensamento não mais interferir em qualquer coisa que se prenda às obras da ponte. Você não viu o prêmio que nos conferiram? Somos os donos de todas estas terras da estrada e, assim, para o grande público, abrimos a rodovia pelo caminho que está só para tirar proveito. Nós, os de nossa família e amigos! Então?

Pires concordou com as nossas observações e esclareceu:

-- Acredite você que a quantos falo nessa ponte todos indagam se está no meio da nova investida o colega e amigo, baluarte e pioneiro na construção da estrada. Todos confiam. Querem a ponte com sua colaboração à frente. Afinal você completaria sua obra. E não há nada de mal nessa hipótese. Que me diz?

-- Está dito, meu caro. Nossa contribuição para o Mosqueiro está concluída e sacramentada. Estamos afastados dessa segunda etapa. Não concorda?

Pires insistia no caso e, sentindo perder o terreno, recorreu para os desenhos. Abriu uma planta enorme e falou:

-- Isso aqui é um estudo prévio para a futura ponte que resolvi pedir ao Noronha – o escritório que calculou o Maracanã – sem qualquer compromisso. Já a mostrei a vários interessados e a acolhida tem sido ótima. Mas todo mundo quer ver você metido nisso...

Agradecemos aquela simpatia e apreço, mas não podíamos fugir de nossa decisão anterior. A obra da ponte deveria ficar em outras mãos.

Contudo, o colega insistia para que nós tomássemos conhecimento do projeto-estudo da firma Noronha, para sentirmos melhor as condições da obra e suas possibilidades. O escritório do Rio punha-se à disposição para apresentar um anteprojeto da obra, com alguns detalhes próprios, sem qualquer despesa. Apenas uma tomada de posição em face do problema.

A isso não nos opusemos.

Os desenhos previam o vão a vencer, as distâncias prováveis de pilares e seu dimensionamento. Um cálculo aproximado, àquela altura, fixava cerca de dez a doze milhões de cruzeiros, na dependência de orçamentos posteriores e do detalhamento da construção. Tratava-se, em verdade, de um pequeno estudo da pretendida ponte sobre o Canal das Marinhas. Raciocinamos em termos de uma Sociedade especificamente criada para esse fim, a qual seriam atribuídas as responsabilidades desse empreendimento.

A empreitada, agora, como antes, era temerosa. Meter-nos, outra vez, em um movimento que, por certo, iria culminar com as mesmas características da trabalhosa rodovia: uma realização oficial sem o reconhecimento público a quem realmente iria comandar esse novo conflito, conflito de ideias e de interesses sub-reptícios e indesejáveis. A experiência rodoviária revelava, a todo instante, a nossa dúvida, o nosso desejo de colaborar, mesmo que a contragosto.

Finalmente, após o diálogo histórico, aceitaríamos participar da campanha destinada a realizar a construção da ponte para o Mosqueiro, sobre o Canal das Marinhas.

Combinamos com Octávio Pires uma reunião de “amigos do Mosqueiro” naquela mesma tarde e no mesmo local. Antes do meio-dia, procuraríamos vários companheiros mosqueirenses e seriam todos convidados a participar do encontro vespertino para aquele fim específico.

Recordamos que, já pela tarde, sob uma chuva fina e renitente, conversávamos com os amigos e vizinhos Lauro Brandão e seu filho, o colega Ives, sobre o acontecimento daquele dia.

Nesse domingo, dia 23 de julho de 1967, decidiu-se a organização de uma empresa particular que iria chefiar a nova luta para a construção da ponte do Mosqueiro.

Indicamos, na ocasião, Rodolfo Chermont para seu Presidente; Luiz Vitório Bisi, para seu Vice-Presidente; Edmundo Moura, para seu Diretor Financeiro; Expedito Fernandes, para Diretor Secretário. Coube-nos a direção técnica e, para o Engº. Raul Rodrigues Pereira, a Assessoria Técnica da primeira Diretoria.

Em reuniões subsequentes, adotaríamos o nome de “Mosqueiro Empreendimentos e Turismo S/A” com a sigla M.E.T.A. para a novel instituição que teria o encargo de construir a Ponte Belém-Mosqueiro, no Tauarié.

Nesse mesmo dia histórico, à noite, o “Netuno Iate Clube” iria eleger a Miss Veraneio do Mosqueiro, de 1967 com a presença de Miss Pará – Sonia Ohana a quem fizemos “madrinha” do empreendimento, lançando-o publicamente, naquela bela festa da sociedade paraense, ali presente, prestigiando o acontecimento.

Para a criação inicial da M.E.T.A., tivemos muitos colaboradores e que ficaram como instituidores do empreendimento. Foram eles, os companheiros: Octávio Pires, Angenor Penna de Carvalho, Luiz Vitório Bisi, Teófilo Conduru, Fernando Guilhon, Dias Ferreira, Expedito Fernandes, Rodolfo Chermont, Wady Chamié, Arnaldo Morais Filho, Octávio Mendonça, Horácio Coelho, Roberto Jares, Domingos Silva, Benedito Mutram, Acácio Sobral, Cécil Meira, Giórgio Falângola, Rui Meira, Rainero Maroja, Arruda Câmara, Rui Coral, Manoel Pereira dos Santos, Nilo Franco, Fernando Velasco, Adelino Simão, Luiz Lima, Radir Amaral, Lauro Brandão, Celso Malcher, Carlos Mendonça, Ajax Carvalho de Oliveira, Argemiro Tobias, Feliciano Santos, Raul Rodrigues Pereira, Octávio Meira, Pedro Direito Álvares, Joaquim Bastos e muitos outros.

Nos estudos iniciais para a ponte, já estavam previstos dois sistemas 0de concreto protendido: o Freysinet, mundialmente conhecido e, mais tarde, seria parcialmente incluído o sistema Lozinger, de origem belga. O primeiro era francês.

A sociedade precisava, então, instalar-se e organizar-se definitivamente, para o lançamento de uma sociedade anônima local e privada, destinada exclusivamente a dar vida à M.E.T.A., em bases ainda informais para sua definição pública.

Isso provocou uma reunião convocada pela M.E.T.A., provisória, para um encontro de todos os mosqueirenses instituidores da empresa, nos salões da Assembleia Paraense, gentilmente cedida para esse fim.”

FONTE: MEIRA FILHO, Augusto. “Mosqueiro Ilhas e Vilas”- ED. GRAFISA, 1978- pp. 249, 250, 251 e 252.

sábado, 6 de outubro de 2012

MEIO AMBIENTE: DESMATAMENTO: NOSSO PROBLEMA COMUM

 

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O desmatamento planetário é um dos principais problemas ambientais de nosso tempo e tema de estudos, debates e soluções propostas no alcance do desenvolvimento sustentável.

Assim, tanto na Rio + 20 como na Cúpula dos Povos, soluções serão apontadas na superação da perda da cobertura vegetal nas áreas rurais e nos ambientes urbanos.

O desmatamento e as mudanças no uso da terra, como resultado das atividades humanas na Amazônia e na bacia do Prata, aumentaram rapidamente nas recentes décadas e há evidências de que estas ações modificam as características termodinâmicas da baixa atmosfera.  Estas mudanças são o resultado de complexas interações entre o clima, hidrologia, vegetação e o gerenciamento dos recursos água e terra.

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Desmatamento na Amazônia, acritica.uol.com.br

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), através do mapeamento e do cálculo da taxa de desmatamento na Amazônia Legal para o período agosto/2010 a julho/2011, está computando o valor de 6.418 km2 a área de desmatamento. Esse valor representa a menor taxa de desmatamento registrada na Amazônia Legal desde que o INPE começou a medi-la, em 1988. Em abril de 2012, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detectou 71 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representou uma diminuição de 76% em relação a abril de 2011, quando o desmatamento somou 298,3 quilômetros quadrados.

Por outro lado, segundo estudos técnicos, as principais capitais da região (Belém e Manaus) continuam a perder áreas verdes. Segundo o IBGE (2012) em Belém, somente 22,4% das moradias têm árvores por perto.

Através de seu programa de monitoramento o IMAZON declarou que até 1986 foram desmatados 597,5 quilômetros quadrados de floresta da Grande Belém, o que representava 50% da área terrestre (1.186 quilômetros quadrados). No processo de redução da cobertura vegetal, a área de floresta na Grande Belém sofreu uma pequena redução entre 2001 e 2006. Em 2001 eram 388 quilômetros quadrados (33%), enquanto em 2006 esse número caiu para 369 quilômetros quadrados (31%).

Em Belém (4,5 Km 2) e Ananindeua (2,6 Km 2), as maiores áreas desmatadas ocorreram nas ilhas e nas na áreas destinadas a loteamentos urbanos.

No estudo realizado em 2010 pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), “A importância dos fragmentos urbanos para a conservação da flora e fauna da grande Belém no Estado do Pará”, os resultados revelaram que a proporção do desflorestamento dos municípios que compõem a Grande Belém varia de 51% em Belém a 67.2% em Benevides. Todos os municípios têm elevado grau de uso e ocupação, que segundo a pesquisa é resultado da falta de planejamento urbano e rural ao longo do tempo. Ao analisar separadamente a Belém continental e as ilhas a pesquisa constatou-se que o desflorestamento na Belém continental é de 87,5%, enquanto na parte insular do município o desflorestamento corresponde a 32,6%.

Desmatamento na Ilha de Mosqueiro

Em 2006, o IMAZON revelou que o desmatamento já atingia 50% da APA (Área de Proteção Ambiental) de Belém até o ano de 2006. No caso do Parque Ambiental de Belém, o desmatamento alcançou cerca de 34% da área. A APA do Combu perdeu cerca de 3% de sua floresta original, enquanto no Parque Ecológico do Mosqueiro o desmatamento somou 21%. Por sua vez, o Parque Ecológico de Belém (Médici) perdeu 45% de suas florestas originais.

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Áreas de desmatamento com destaque para o Parque Ambiental do Mosqueiro, IMAZON, 2006.

 Através de técnicas de geoprocessamento em estudos ambientais visando à realização de análise ambiental observa-se a expansão da perda da cobertura vegetal, definindo assim um dos graves problemas ambientais na Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém.

Na década de 80 já se delineia em algumas áreas, conforme Imagem trabalhada em aerofotogrametria, a antropização local, sobretudo com a urbanização e com o uso de recursos naturais como madeira e extração de materiais minerais.

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Imagem Aerofogramétrica,1986.

Até os primeiros anos da década de 90 estudos mostraram ainda forte presença de floresta primária na ilha, porém “...  Isso explica-se pelo fato que estas áreas estão em grande parte distantes das regiões noroeste e norte da ilha, as quais vêm sofrendo tradicionalmente as maiores pressões de ocupação, em virtude de concentrarem a Vila do Mosqueiro e, sobretudo, as praias". A partir desse período tem-se ampliado o desmatamento no espaço ilhéu.

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 Imagem de satélite definindo as áreas de uso do solo na Ilha, 1995.

Através da imagem abaixo, obtida através do Satélite Lansat 7/ETM, observa-se que, após 19 anos, o processo de ocupação e uso do espaço em questão se aprofunda, agora sob a pressão das ocupações desordenadas com desmatamento de parcela da cobertura vegetal da ilha. Este processo amplia-se com a abertura de mais áreas para extração de matérias minerais para a construção civil.

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Imagem 03 - Satélite Landsat 7/ETM www.cdbrasil.cnpm.embrapa.br/2004

Com uso de imagem do Programa Google Earth (2010), observa-se a área de extração de material mineral se ampliando, trazendo pesados passivos ambientais para o meio ambiente local, que precisará, urgentemente, de ações mitigadoras (corretivas) nas áreas degradadas.

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  Área degradada por ação de curvão. earth.google.com/intl/pt/ - 2010

A AMB (Área Metropolitana de Belém) contém consideráveis frações da biodiversidade. Os fragmentos florestais podem ser considerados como “ilhas de biodiversidade”, pois são os únicos lugares onde ainda se podem conseguir informações biológicas necessárias para a restauração da paisagem fragmentada e a conservação de ecossistemas ameaçados na região.

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Imazon.com

INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

www.imazon.org.br/.../110118belemsustentavelfloresta_urbana-pdf

Técnicas de Geoprocessamento em Estudos Ambientais/ Thiago Augusto Domingos, Ewerton de Oliveira Pires. - São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

Princípios de Sensoriamento Remoto, disponível em

www.ptr.poli.usp.br/.../Principios_de_Sensoriamento_Remoto.pdf. Acesso: 13/10/2010.


CONAMA. Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente Nº 01, de 18 de junho de 1986. Ministério do Meio Ambiente, Brasília, 1986.

FURTADO, Ana Maria Medeiro e JUNIOR, Oscar Costa e Silva. IMPACTOS AMBIENTAIS DO DESMATAMENTO E EXPANSÃO. URBANA NA ILHA DO MOSQUEIRO (BELÉM – PARÁ – BRASIL), Universidade Federal do Pará, 2009.

VENTURIERI, A. Avaliação da Dinâmica da Paisagem da Ilha do Mosqueiro, Município de Belém, Pará. Anais IX Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Santos, Brasil, 11-18 setembro 1998, INPE, p. 247-256. Disponível em:

www.marte.dpi.inpe.br/col/sid.inpe.br/deise/1999/02.08.../4_69o.pdf.Acesso:04/12/2010.

acritica.uol.com.br

EcoDebate

Posted 14th June by Pedrosleao@yahoo.com.br

FONTE: http://mosqueiroambiental.blogspot.com.br/2012/06/desmatamento-nosso-problema-comum.html

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A IMAGEM E O TEMPO: UMA VISITA ILUSTRE

 

Quase quarenta e sete anos atrás, em 12 de dezembro de 1965, no dia do Círio de Nossa Senhora do Ó, o Pe. Nazareno Menezes Moreira, vigário do Mosqueiro, teve a honra de receber, em sua primeira visita à Ilha, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, a qual, também pela primeira vez, deixara o seu nicho, no Colégio Gentil Bittencourt, para abençoar a Rodovia Augusto Meira Filho e os fiéis devotos de uma comunidade distante. Conduzida pelas mãos de Monsenhor Leal nessa viagem histórica e recebida com carinho e extrema emoção pelo povo mosqueirense, a Imagem da Virgem participou do Círio, em seu trajeto do Chapéu Virado à Vila, permanecendo na Igreja Matriz durante quinze dias, na mais longa visita à nossa Ilha.

Ontem e hoje, mais uma vez a Imagem Peregrina esteve entre nós, sendo acolhida e venerada pelos católicos mosqueirenses das Paróquias de Nossa Senhora do Ó e Nossa Senhora da Conceição. Durante a manhã, visitou a Agência Distrital do Mosqueiro, o Hospital e o Colégio das Irmãs, onde recebeu bonita homenagem de alunos e funcionários. A Virgem de Nazaré, no dia 14, estará recebendo a oração e a súplica de milhões de devotos, na maior e mais emocionante manifestação de fé do povo brasileiro: o Círio, o Natal dos Paraenses! Venha, participe e sinta o renascer da Esperança!

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Uma homenagem do poeta e compositor Edinaldo Lobato:

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

CURIOSIDADES: VESTÍGIOS DO PASSADO EM MARAÚ

 

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Populações indígenas do passado deixaram marcas, que podem ser vistas durante a maré baixa, sobre blocos de rocha nas areias da Praia de Maraú, na Ilha de Mosqueiro, Belém, Pará. Os arqueólogos denominam esses vestígios de polidores e afiadores fixos, que são constituídos por sulcos e depressões resultantes do processo de confecção de objetos de pedra polida, tais como lâminas de machado. Em geral, são encontrados em afloramentos rochosos próximos a cursos d’água onde há disponibilidade de areia, que era utilizada como abrasivo no processo de polimento. Além disso, podem ter sido aproveitados como moedores de grãos e sementes. No Brasil os estudos sobre os polidores e afiadores são raros e tratam de sítios arqueológicos localizados, principalmente, no litoral sul e sudeste.

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O sítio arqueológico de Marahu constitui-se no primeiro registro de polidores e afiadores do litoral amazônico brasileiro, portanto, os dados provenientes de seu estudo contribuirão para o entendimento da ocupação humana em ilhas da Amazônia. Convém mencionar que o patrimônio arqueológico é protegido pela Lei Federal nº 3924/61 e sua destruição é considerada crime. Denuncie qualquer ameaça aos sítios arqueológicos da sua região ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN pelo telefone (91)3224-1825 e 3224-0699 (www.iphan.gov.br). Preserve a história da Amazônia!

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Texto: Maura Imazio da Silveira (doutora em arqueologia, MPEG/CNPq), Márcia Bezerra (doutora em arqueologia, UFPA/CNPq), Elisangela Regina de Oliveira (mestre em arqueologia e bolsista do MPEG/CNPq) e Fernando L. Tavares Marques (doutor em arqueologia, MPEG)

Fonte:

http://pt.scribd.com/doc/80020984/Polidores-Marau-Curiosidade-Amazonia-2-Liberal-abril-10

Imagens:

http://leitorerrantegilcez.blogspot.com.br/2010/06/formacao-eco-museu-2010-parte-ii.html

Posted 4 weeks ago by Pedrosleao@yahoo.com.br

FONTE: http://mosqueiroambiental.blogspot.com.br/2012/09/vestigios-do-passado-em-marau.html

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

JANELAS DO TEMPO: HOMENAGEM À DONA NOÊMIA

Dona Noêmia da Silva Pereira, durante a sua vida, teve uma participação destacada nas manifestações folclóricas de nossa terra. Hoje, descansa em paz no Cemitério de Santa Maria, em Carananduba, na Ilha do Mosqueiro. Alguns dias após o falecimento da veneranda senhora, em 2008, o grande poeta João de Jesus Paes Loureiro, que a conhecia e admirava, prestou-lhe esta merecida homenagem:

PRANTO POR DONA NOÊMIA

Autor: Paes Loureiro

Quem era essa mulher
feita de rendas
pele noturna felina e querubínica,
aureolada pela lua de sua poesia?

Quem era essa mulher
de sonho e osso
de alma musical e terno canto
com o fervor da bondade em seu olhar?

Quem era essa mulher
feita de carne
na esculpida matéria da cor negra
e rios indígenas correndo em suas veias?

Essa mulher nascida na Ilha do Mosqueiro,
servente aposentada de escola municipal,
mãe de muitos filhos,
mulher a carregar na vida
o esposo paraplégico
invertendo a versão do amor Tambatajá.
Essa mulher
que não cansava de andar a cada dia
na busca desse pão de cada dia
em dias e mais dias e mais dias.

Essa mulher tem um nome,
Noêmia da Silva Pereira,
matriarca da cultura junina do Pará,
que fez da vida o sacrifício de tornar
mais leve pela arte a vida também dura,
das criancinhas, dos humildes e excluídos.
Essa mulher de quem talvez ninguém se lembre,
que não foi consagrada pelo andor da mídia
que não foi coroada de manchetes
que não recomendou políticos ao voto
que não fez propaganda de produtos
que nem sequer desfilou portando modas
que não era reconhecida, anônima, nas ruas
que nem sequer tem um túmulo decente
em que possa repousar também na eternidade.

É a grande autora, encenadora, musicista
de Pássaros Juninos, Bumbás e Pastorinhas
com jovens e crianças no Pará.
Que veio ungida por deuses e caruanas
para arrancar a luz do solo em que pisasse,
para espalhar luar em noite escura.

Noêmia, certamente, um dia foi beber
na fonte da juventude revelada por Virgílio…
No campo das ideias
era mais nova que todos os mais novos.
Ela foi, dentro de si, sempre menina
com a adolescência que a arte propicia
aos que têm na poesia o seu secreto ser.

Vida, vida, vida…
Por que só tu tens o metro
de medir a tua medida?
Essa mulher, eu sinto, há de ser mais do que tu.
Pois sua medida é maior que tua medida
e sua medida com morte não se mede.
É vida a se medir sempre com vida.

Noêmia.
                  Este poema,
rosa de luto que tomba em tua tumba.
Não há como dizer que não te foste.
E tu te foste, é certo, discreta, ao teu estilo,
Voaste alada e leve nas encantarias
para o terreiro junino das estrelas…

O autor:

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João de Jesus Paes Loureiro é poeta, prosador e ensaísta. Professor de Estética e Arte, doutorou-se em Sociologia da Cultura na Sorbonne, em Paris, com a tese Cultura Amazônica: uma poética do imaginário. Sua obra poética tem sua universalidade construída a partir de signos do mundo amazônico – cultura, história, imaginário – propiciando uma cosmovisão e particular leitura do mundo contemporâneo. Dialogando com as principais fontes e correntes literárias da atualidade, Paes Loureiro realiza uma obra original, quase uma suma poética de compreensão sensível do mundo por meio das fontes amazônicas, em que o mito se revela como metáfora do real.

FONTE: http://paesloureiro.wordpress.com/category/geral/

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

JANELAS DO TEMPO: MACEDÃO E OS VELHOS TEMPOS DO ARIRAMBA

Autor: Augusto Meira Filho

“No “Retiro IBI” de sua propriedade, adquirido de um velho lusitano precursor no lugar, o ilustre e caridoso médico Dr. José Mariano Cavaleiro de Macedo fez a sua segunda tenda de vida e de trabalho. Mosqueirense de “quatro costados” amava sua ilha e deixava-se ficar encantado no seu Ariramba, sem perder qualquer fim-de-semana e algumas folgas, quando seus trabalhos em Belém no Instituto Médico Legal e em outras atividades profissionais o permitiam. Na sua vivenda altaneira, de porão alto, em madeira de lei, o Macedão – nome decorrente de seu corpanzil – pontificava entre os nativos, ajudando-os de todas as formas e fixara em sua casa o centro social do bairro. Amava aquele Ariramba como ninguém. Freguês do Antônio no Ponto Certo e do João Vicente Lima (O Manteiga) próximo ao seu IBI, Macedão reunia aos sábados e domingos a fina flor da elite arirambense e outros convidados de lugares mais distantes.

Ficara famoso pela excelência do “aperitivo” que sabia preparar com maestria, dando-se ao luxo, muitas vezes, de exigir frutas especiais para uma aguardente de primeira ordem que recebia em botijões de amigos e clientes. Uma personalidade curiosa do eminente médico e a do mosqueirense simples, amigo da gente humilde do Mosqueiro, prestativo e generoso, dando de tudo de si para atender qualquer caso, mesmo nos pontos mais distantes, no Carananduba, no São Francisco, no Sucurijuquara, na Baía do Sol. Ele porfiava com Oswaldo Medrado nessa caridade coletiva prestada aos habitantes da Ilha naquelas lonjuras da Vila propriamente dita.

Grupos e mais grupos se formavam em sua casa, no barranco fronteiro, na praia para desfrutarem do ambiente feliz que reinava em torno do Macedão, saboreando o mais notável aperitivo do bairro. Juntavam-se ali, prazerosamente, os Fontes, os Azevedo, os Bisi, os Andrade, os Santos, os Costa, os Machado, os Bentes, os Leite. Famílias inteiras, tradicionais, do “bairro alto” comungavam da festa que culminava numa alegria coletiva, secando bojões e bojões do aperitivo sortido e delicioso do grande Macedão. O Ariramba, realmente, reunia clãs antigos e respeitáveis, velhos admiradores do local e que não o trocavam por qualquer outro na Ilha, mesmo com os que se gabavam de estar mais perto da Vila, da ponte, do navio, do mercado, etc. A verdade é que, hoje, pela estrada, são os primeiros beneficiados. E merecem!

Além do antigo e conhecido Colégio de Santa Catarina, retiro das Irmãs da mesma Ordem, residiam no Ariramba muitas famílias tradicionais vinculadas àquele recanto admirável do Mosqueiro. Os Chalets famosos dos Sarmento, dos Lobo, de dona Alzira, o “Vergel” de dona Flor (Florzinha), dos Pereira dos Santos, dos Dawer, dos Machado, dos Leite são memoráveis vivendas que povoaram o Ariramba quando Mosqueiro era somente servido do vapor Almirante Alexandrino. Pela dificuldade de transporte, precariedade nos serviços de ônibus entre a Vila e aquele ponto do Mosqueiro, realmente, tempo houve em que era uma temeridade residir-se tão longe da Vila que, por si só, centralizava toda a vida da Ilha. Passageiro do barco da Companhia, dependendo dos veículos da Prefeitura para chegar em casa, não só seria o último a desembarcar em sua residência depois de haver sofrido duras penas na viagem trôpega da viatura sempre defeituosa, como, na recíproca, era o primeiro a despertar, pela madrugada, para tomar o transporte que cedíssimo passava pela estrada apanhando a gente mal-dormida que se dirigia à capital. Por isso, dizemos com propriedade, era uma verdadeira temeridade edificar ou adquirir uma vivenda no Ariramba. Por isso, também, heróis, os que suportaram tantos anos essa adversidade e não se afastaram um só momento da brisa amena e da paisagem gostosa, que os barrancos do Ariramba proporcionam aos seus olhos. Há que se exaltar os que viveram ali ao tempo em que Mosqueiro vivia insulada, dependendo, inteiramente, do navio da linha. E o nosso Macedão liderou esse grupo de abnegados que agora desfruta das vantagens proporcionadas pela nova rodovia.

No Farol, durante algum tempo, exerceu um poder catalisador da boemia e adeptos da delícia regional dos preparados, das batidas, o odontólogo Jairo Barata. Um médico, no Ariramba; um dentista, no Farol, irmanados pela mesma simpatia e a mesma habilidade nessa química dos aperitivos à base de aguardente. A residência de Jairo, no Farol, teria a função paralela daquela do Ariramba a cargo do bom Macedão. Dizem que, um dia, encontram-se os dois, acidentalmente, no retiro do primeiro. Um dia amargo, sem banho de maré cheia, sem reserva de frutas e somente um resto de carne estava à disposição dos dois. Macedão correu à despensa sempre farta de cítricos, mel de abelha, chocolate, baunilha e outros ingredientes, estava seca, dolorosamente sem condições de atender à afamada técnica de ambos na elaboração das suas famosas “biritas”. E, na falta do material essencial ao preparo de uma boa batida, não tiveram dúvidas: adicionaram à caninha açúcar com pasta de dente, em quantidades próprias. Bateram o caldo, sacudiram a mistura e, espumosa, perfumada, foi servida à moda alemã, isto é, beber de um só gole! Assim firmou-se uma nova fórmula, privativa do Ariramba e em homenagem ao outro craque do Farol. Jairo ficou na história e foi um doloroso acontecimento sua morte, vítima de um trágico acidente. Macedão, no Ariramba, é figura legendária. Ganhou seu nome numa rua e é sempre lembrado.”

FONTE: MEIRA FILHO, Augusto. “Mosqueiro Ilhas e Vilas”- ED. GRAFISA, 1978- pp. 429, 430 e 433.

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