segunda-feira, 17 de setembro de 2012

NA ROTA DA HISTÓRIA: A PRIMEIRA BALSA PARAENSE PARA O FURO DAS MARINHAS

“QUERIDA”... NA BELÉM-MOSQUEIRO!

Autor: Augusto Meira Filho

“O leitor sensível e inteligente que também vê e sente na beleza das praias mosqueirenses a confirmação da profecia: a “terra de Canaã”, e não vai atrás do canto das sereias, merece a homenagem de saber que a “Querida” vai chegar e, festivamente, ocupará seu trono no Canal das Marinhas. Não será ornada de pedras preciosas e nem possuirá casco de ostras ou de marfins. Mas, certamente, será a última caminhada nesse sentido – esperançosa caminhada que se fixou em 12 de junho de 1959 em memorável jornada – para a solução do conforto de milhares de pessoas e de veículos que se aprestarão à travessia da Belém-Mosqueiro pela PA-17 e BL-19, no próximo período de férias do mês de julho.

Sim, prezadíssimos leitores, que, como eu, não apreciam peixe “salpreso” e há tanto tempo esperam o “parto-da-montanha”, é verdade cristã o fato que hoje anuncio: a “délivrance” da esperança que muitos haviam perdido... Você, eu e todos os habitantes desta Belém “mangueirosa” iremos gozar a delícia de cinco minutos sobre as águas pardas do Furo que Deus marcou entre o Mosqueiro e o continente, como quem nos desafia e nos testa a inteligência.

A avançada não me foi surpresa. Testemunhei os entremeios da luta já que o destino me leva, sempre, ao campo dessa batalha vintenária, agora, parcialmente vencida por meia dúzia de bravos. A solução para o velho problema está decidida: a obra em fase final demonstra que a tão sonhada Balsa, denominada com a ideia feliz de “Querida”, poderá transportar dezesseis (16) veículos normais em poucos segundos, vencendo aquela reta de 1.500 metros que une a “Boa-Esperança” à “Flor das Marinhas”, no eixo fluvial da rodovia Belém-Mosqueiro.

Sim, companheiros de todos os tempos – das horas boas do presente às amargas do passado – chega à sua fase final a campanha para a melhoria daqueles serviços. Em breves dias, a “Querida” estará proporcionando a travessia do Canal, sem atropelos, sem ausências, sem momentos desagradáveis. Com esse passo à frente, para o acesso mais prático à Ilha do Mosqueiro, poder-se-ia fazer justiça, nessas quadrinhas improvisadas, que traduzem a significação do fato e o de sua aplicação:

“Vencendo dias tristonhos

E um passado de emoções

Vem a Balsa de meus sonhos

Ligando dois corações...!

Assim a história consagre

A presença de “Querida”...

Pedrinho... fez o milagre

Aliverti... deu-lhe a vida!”

Bem se vê não há mais motivo para descrenças e você, caro leitor, acabe com esse pessimismo de quem bebeu água do “Caranã”, barbaramente batizada com sal de “Andrews”...

É uma realidade, hoje, aquela “Balsa” que sonhei em 1948. Seus quatro possantes motores, sua rampa larga e automática, seu fácil acesso, sua velocidade permitirão a toda a gente alcançar o “oásis”, o “paraíso”, o “sanatório”, a ilha da felicidade dos belenenses bem formados.

Advogado da “ação” naquele sentido de Goethe, previ o sucesso da empreitada,

Para disciplinar o crescimento do balneário, função direta da rodovia e do processo na travessia do Canal das Marinhas, apresentei ao plenário da Câmara um projeto de lei estabelecendo normas técnicas que disciplinassem a evolução natural da Ilha. Aprovado, unanimemente, esse texto legal dará ao Prefeito de Belém poderes para contratar serviços especializados de firmas interessadas nos problemas de eletricidade, o poder público abrir novos logradouros, fixar locais para estacionamentos, construir escolas, melhorar as condições sanitárias das zonas mais populosas, zelar pelas praias e disciplinar as construções particulares e oficiais.

Tais encargos e posturas são indispensáveis à Ilha do Mosqueiro, nesse ponto de renovação em que se encontra, após o advento de sua penetração rodoviária. Seu crescimento é de tal ordem que há urgência na solução dos problemas de circulação e de estacionamento de veículos em toda a área interna e litorânea das praias, propriamente dita, desde a Vila até a Baía-do-Sol. A Comuna, pelo seu departamento rodoviário (DMER) já está providenciando as linhas de penetração às praias recém-descobertas na face leste da Ilha (do Maraú à Queimada, totalizando mais sete recantos) e um ramal variante da BL-19, para a aproximação da Avenida do “Chapéu Virado” a BL-19, economizando ao visitante cerca de 10 quilômetros, em relação à atual estrada passando por Carananduba. Essa variante foi idealizada e levantada pelo saudoso engenheiro Rui Almeida, cujos levantamentos ofertou-me antes de falecer e que, agora, o DMER está executando como medida indicada e tecnicamente aconselhável.

Desta coluna, que não se esquece de exaltar os grandes feitos a favor do Mosqueiro, vai o aplauso aos planejadores e executores da construção da “Balsa Querida”. Aos técnicos dos SNAPP (estaleiros e oficinas) na pessoa do chefe engenheiro Pedro Coutinho de Oliveira e aos do DER-PA, na figura do engenheiro Oswaldo Aliverti, responsável por aquele serviço no “Tauarié”, ambos sob o comando de Fernando Guilhon (SNAPP) e de Alírio Cezar de Oliveira (DER-PA), o abraço sempre grato e despretensioso, amigo, sincero e fraternal do colega colunista que, lutando pela prosperidade do Mosqueiro, o faz desinteressadamente e, sempre, pelo bem comum.

Parabéns, pois, da Cidade de Belém, e que prossigam, com a mesma coragem e devotamento, os estudos para a solução definitiva da última etapa dessa guerra santa: a p-o-n-t-e!”

FONTE: MEIRA FILHO, Augusto. “Mosqueiro Ilhas e Vilas”- ED. GRAFISA, 1978- pp. 493, 494 e 495.

MOSQUEIRANDO: Destacamos em negrito, no texto, a preocupação do autor com o progresso da Ilha, com o crescimento de sua população, com o irreversível processo de urbanização. O interessante é que isso foi escrito por Augusto Meira Filho no final da década de 1960, abordando uma problemática que se tornou real com o transcorrer dos anos. É atual e pode vir a ser dramática. Seria ele um visionário? Não. Era um homem de visão plena e futurista, que não se contentava com soluções paliativas.

Como seria bom, nesta época de eleições municipais, encontrar, entre os inúmeros candidatos, alguém que defendesse as ideias do Augusto Meira e os reais interesses da Ilha do Mosqueiro!

sábado, 15 de setembro de 2012

JANELAS DO TEMPO: MORCEGANDO O TRENZINHO DA HISTÓRIA

Autor: Prof. Alcir Rodrigues

“A primeira pessoa entrevistada por nós é o Sr. José Brígido da Trindade, nascido em 1933, portanto, com 72 anos, residente na Av. Getúlio Vargas, nº. 738, Vila. Nascido em Mosqueiro, passou sua infância, adolescência e parte da juventude na Ilha. Viveu também em Belém durante algum tempo. Atualmente aposentado, como funcionário público municipal por Belém, trabalhou como datilógrafo, escriturário e tesoureiro. Estudou até a 5ª série e depois concluiu o Ensino Fundamental pelo Projeto Minerva. Apesar de mencionar que os fatos às vezes lhe fogem à lembrança, é pessoa de memória vívida, de conversa fluente e bem-humorada, que muito pode contribuir como informante em pesquisas futuras, pela gama de conhecimentos que salvaguarda em sua lúcida mente e sua bem organizada ‘pasta’ de documentos antigos. Reside com sua sobrinha, Neliza, que é também sua filha de criação, pessoa primeira contatada por nós, para nos apresentar de modo mais espontâneo possível (em benefício da entrevista) para seu pai, o entrevistado.”

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SR. JOSÉ BRÍGIDO DA TRINDADE (Foto: Alcir Rodrigues)

“Transcrição da narrativa oral do Sr. José Brígido da Trindade

O Sr. Brígido, como é simplesmente conhecido na Vila do Mosqueiro, concedeu-nos uma entrevista em que nos relatou inúmeros fatos e prestou esclarecimentos relevantes, numa conversa fluente e amigável, na varanda de sua residência. É verdade que tivemos dificuldade na transcrição de seus relatos, visto sermos inexperientes no uso do equipamento de gravação, ficando a fita com trechos quase inaudíveis, por causa de problemas já mencionados nesta monografia. Desta feita, procedemos recuperando trechos de imprescindível importância, salvaguardando a fidedignidade das informações originais. As lacunas, claro, prejudicam a íntegra do trabalho, no entanto todo o esforço fizemos para que os dados correspondam aos originais, e a fala esteja transcrita quanto mais exato seja possível fazê-lo, respeitando as legítimas palavras e opiniões do entrevistado.

Seguem abaixo excertos das narrativas do Sr. Brígido:

Eu gostava de estudar. À noite, pegava a lamparina, acendia a lamparina, e ficava, sabe, estudando. Estudando mesmo. Quando chegava na escola, já tava tudo na cabeça. Então, ia fazer sacanagem... (...) rendia castigo pra gente, né. Por exemplo, no Grupo Velho... Eu comecei a ter raiva de terço, desde aquela altura, que era castigo você rezar o terço... e botava de joelho, que era aquele Cristo que ainda tá lá... desde o Grupo Velho. Botava lá de joelho a gente, sabe. Aquele negócio de ajoelhar no monte de milho, tinha também, aí. Não era fácil, não.

Agora, eles não me botavam de joelho porque... eu ia ter de ficar só com um joelho, o outro não tem nada... (Ele riu bastante, contagiando também o entrevistador.)

Então, tinha uma diretora... uma boa professora, professora Noêmia. Ela teve um problema que ela tinha uma bochecha maior do que a outra. Égua! Mas a mulher, sabe?, era muito inteligente. Mas ela era perversa também. Gostava de dar castigo pra gente. E um dia... o Grupo Velho, ainda... (...)

Aqui o Sr. Brígido conta uma ‘peraltice’ dos tempos de estudante, pela qual ele e seus colegas foram duramente castigados, e tiveram de ficar trancados no banheiro.

Outro trecho relevante:

Eu saí em 46. Tenho o diploma e tudo... guardado. Gosto daquele diploma. E, naquelas alturas, no interior, com 13 anos terminava a 5ª série. Era barra! Mas... Agora, Inglês de Sousa... Não sei por que botaram o nome de Inglês de Sousa. Se bem que eu tenho até um livro dele aqui. (...) Herculano Marcos Inglês de Sousa. (...)

O que passava pela frente era o trem, né, o trem: uma locomotiva movida a lenha, né, com três, quatro vagões. Um dia vinha com três, vinha com quatro. (...)

Então, ela passava lá. Ela vinha lá do Porto Artur, Chapéu Virado, passava pela 3ª Rua. Aí, entrava pela Pratiquara... porque onde é o atual mercado, lá era a estação da...da... porra da maria-fumaça... (...)

Ela vinha devagar, sabe? Dava vontade da gente morcegar... (risos) E terminava a aula e poder... Ela passava bem na frente do Grupo e ela sempre devagar, sabe. Dava pra gente pular... Sabe como é... (...)... estudante... moleque também... (...)

Tornou-se quase impossível prosseguir com esta transcrição, em vista dos problemas já explanados anteriormente. Todavia, cremos já ter do Sr. Brígido, aqui, material suficiente para proceder a uma rica análise.”

“Nas atividades de ouvir, transcrever e “ler” as narrativas pudemos sem quase esforço algum detectar nelas a presença de traços sócio-histórico-culturais que preservam a memória de Mosqueiro (no que diz respeito a aspectos tais como economia, relações sociais, fatos históricos relevantes, geografia local, hábitos cotidianos, eventos cíclicos festivos, variantes linguísticas, etc.). Por exemplo, a narrativa do Sr. Brígido, faz referência a “castigos” impostos aos alunos por causa de ‘indisciplina estudantil’. Um desses castigos era ficar ajoelhado sobre grãos de milho, ou rezar o terço, fruto de confusão entre educação e opressão, religiosidade/fé e temor. São traços típicos e marcantes de uma época e seus valores cotidianos.”

“Análise da narrativa do Sr. José Brígido da Trindade

O Sr. José Brígido, tal qual nosso outro entrevistado que teve relato transcrito, oferece-nos dados de extrema riqueza a ser explorada, de natureza histórica, social, geográfica, pedagógica, religiosa, etc. Em sua narrativa, no início, reporta-se ao uso da lamparina para estudar à noite, o que nos permite a inferência de que energia elétrica não havia no Mosqueiro daquela época (década de 1940) em que ele era estudante. Só décadas depois éque seria criada, pelo Município de Belém, a Usina de Força, que funcionava irregularmente e deixava de fornecer “luz” após as 23 horas. A partir da energia vinda da hidrelétrica de Tucuruí, já na década de 1980, é que passaria a haver energia elétrica na Ilha 24 horas por dia.

Devido à carência generalizada de infraestrutura fornecida pelos governos (estadual e municipal), a educação só atendia a população até a 5ª série, dita ginasial, naquele tempo, no Grupo Escolar do Mosqueiro (do sistema estadual), chamado comumente pelo povo de Grupo Velho, que mais tarde receberia a denominação de Inglês de Sousa16, chamado de Grupo Novo. Essa escola ainda existe: fica na Vila, na R. Tenente Coronel José do Ó (ou, para o povo, 3ª Rua), e atendia toda a Ilha, tendo os alunos que se deslocar dos pontos mais distantes, quase sempre a pé, e tendo que sair bem cedo, para não perder as aulas. Uma enorme dificuldade.

O Sr. Brígido nos informa como era a ‘disciplina’ escolar na época. Sem quase liberdade alguma, aos alunos eram infligidos castigos físicos, como ficar ajoelhado no monte de milho, ou morais, como ficar rezando o terço, ajoelhado (a) em frente a uma imagem de Jesus Cristo. Claro que devemos evitar interpretações anacrônicas, contudo, não podemos deixar de opinar sobre o que pensamos ser equívocos educacionais (no que diz respeito à metodologia e didática de aplicação de medidas “socioeducativas” ‘daquele tempo’) e religiosa (no que diz respeito à mistura de religiosidade/fé e temor). Ambas − educação e religião − impunham valores por intermédio da opressão, do medo, do terror mesmo. Não poderia dar certo, nem em uma, nem em outra, mesmo em se tratando da religião católica, já que o Brasil é a maior nação católica do mundo; tanto que nosso entrevistado diz, numa passagem de sua entrevista: “[...] eu detesto esse negócio de terço [...]”. Diríamos ser, também, detestável a maneira de ‘estimular’ os estudantes por meio da sabatina: quem errasse o cálculo, ou uma data qualquer de um fato histórico, apanhava com a palmatória.

Nosso entrevistado faz alusão ao trenzinho, uma locomotiva do tipo maria-fumaça, que conduzia de três a quatro vagões, ligando a Vila ao chapéu Virado. Buscando apoio em Brandão & Dantas (2004:69), encontramos as seguintes informações:

O primeiro transporte oficial aproximando a ‘Vila’ do ‘Chapéu virado’ foi inaugurado em 1904, o Ferril-Carril, bonde com tração animal, propriedade de Arthur Pires Teixeira. Com o aumento de passageiros, provocado pela instalação da linha fluvial Belém-Mosqueiro, o Ferril-Carril é substituído por uma pequena locomotiva conhecida como ‘Pata Choca’ que se encarregava de levar quatro ou cinco vagões.

Sobre a denominação Chapéu Virado, de uma praia, de um bairro e de um antigo hotel, convém lembrar o seguinte: C. Wanzeller (2005: 47) explica a denominação deste modo:

“[...] Para aquele local, conhecido na época como ‘o lugar onde o chapéu vira’, convergiam vários caminhos, alguns vindos do interior da ilha e outros que levavam à praia, onde os pescadores moqueavam o peixe. O vento, canalizado por esses caminhos, chegava à clareira com grande violência, arrebatando os chapéus de palha da cabeça dos caboclos desprevenidos e lançando-os a distância.”

Já em Brandão & Dantas (2004: 65), encontramos os seguintes esclarecimentos:

Colonos portugueses fabricavam no local chapéus com abas denominadas beiras. Para alguns historiadores a expressão ‘chapéu beirado’ teria se convertido, com a pronúncia portuguesa, em ‘chapéu birado’ e depois ‘chapéu virado’. Outra possibilidade é a da corruptela cabocla que identificava a beira como a parte virada do chapéu.

Nosso informante refere-se a um topônimo: Porto Artur. Era um comendador que possuía um chalé em frente à praia que hoje recebe o nome de Porto Artur, por causa do porto que ficava em frente a sua casa, onde podia aportar o barco que trazia sua família para o aprazível fim-de-semana. Hoje, além da praia, um logradouro também tem seu nome: Trav. Artur Pires Teixeira. A razão de se dar importância a esse ilustre frequentador da Ilha é que foi ele fundador, além da linha férrea, do primeiro e único cinema de Mosqueiro: o Cine Guajarino, que, conforme Pedro Veriano (1999: 40), funcionou de 1912 até 1976.

O Sr. Brígido falou, ainda, de dois logradouros: a 3ª Rua e a Pratiquara. O nome oficial da 3ª Rua é Tenente Coronel José do Ó. É bem comum na Vila esse fato, pois a grande maioria dos moradores costuma nomear os logradouros de 1ª, 2ª, 3ª, etc., até a 8ª Rua. Porém, todas têm nomes oficiais de personalidades históricas que, de um modo ou de outro, foram relevantes para a história do Mosqueiro de outrora. Pratiquara é o nome de uma travessa importante na Vila, bairro mais antigo da Bucólica (que é outra denominação da Ilha). É de origem tupi o vocábulo e originou-se a partir do principal rio que banha Mosqueiro, o Pratiquara, que, em português, significa “rio das pratiqueiras”. Muitos outros topônimos no Mosqueiro são de origem tupi: Mari-Mari, Ariramba, Carananduba, Sucurijuquara, etc.

A expressividade de nosso entrevistado vem de sua espontaneidade ao falar, de seu ótimo humor, da coloquialidade de sua fala. Por exemplo, emprega a palavra ‘morcegar’ que, segundo Houaiss (2004: 1959), significa, no contexto usado, “[...] embarcar ou saltar de (trem, bonde etc.) em movimento.” E, de certa forma, sentimo-nos também com vontade de morcegar, tanto o trenzinho, quanto a narrativa contada, tamanha a vivacidade e importância de suas reminiscências.”

FONTE:http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAQssAF/narrativas-orais-ilha-mosqueiro-memoria-significado

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

CANTANDO A ILHA: TARDE EM MOSQUEIRO

Autor: Itamar Rabelo

Terra, doce terra. Uma ilha.
Ilha de rio, com ondas de mar.
Com suas praias tropicais sinuosas
e chalés rendados, tão coloridos.

Doce sabor de pecado,
cheia de formas femininas.
Divinas esculturas, sensuais,
pequeninas.
Jamais vi outras iguais,
jamais...

Meu coração enamorou-se de ti
e teus ares me aprisionaram.
Ai de mim, que não te esqueço.
Ai de mim, ai de mim,
que se não ver-te uma vez mais,
de desgosto e saudade padeço.

FONTE: http://poesiasitamar.blogspot.com.br/2006/12/tarde-em-mosqueiro.html

 

O autor:

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Poeta, editor, cronista e numismata de Ourinhos (São Paulo). Autor de sete livros: "Aqueles Dias Felizes...", "Crônica de um pracinha", "Dinheiro Dinheirim, Moeda no Cofrim"; "O Dinheiro, de Cabral ao Real", "Pequenas Alegrias", "Contos Nada Plausíveis" e “Rimancim”. É editor do informativo cultural O Avesso, dirige um Videoclube e realiza a cada dois anos o Concurso de Poesias Cidade de Ourinhos.

FONTE: http://www.blogger.com/profile/15582974320531029786

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CURIOSIDADES: PRAIA DO MURUBIRA



Segundo a História local, o nome dado à praia e ao rio que, nascendo às suas proximidades, corta a Ilha do Mosqueiro de noroeste a sudoeste, é registro da presença de nossos ancestrais morobiras, os pacíficos tupinambás que se dedicavam à pesca e ao moqueio.
Entretanto, esse topônimo ganhou outra explicação de cunho popular: estória jocosa bem ao gosto do mosqueirense, fielmente captada pelos versos do nosso poeta repentista Manoel Gomes da Silva e registrada em sua literatura de cordel:


“A praia do Murubira
É a praia da emoção.
Dizem que lá morreu
Um tal de Manoel João,
Que era neto legítimo
Do perigoso Lampião.


O tal de Manoel João
Tinha um filho holandês
Que se casou com uma jovem
Filha de um português,
Que se banhava na praia
Sempre uma vez por mês.


Um dia ela ia descendo
Pra na praia passear
E viu o sogro no muro
E viu que o muro ia virar.
E gritou: o muro bira!
Ainda pode te pegar.


E foi desde aquele dia
Que este nome pegou:
Praia do Murubira
Todo mundo o consagrou
E até em nossos dias
Este apelido ficou.”

FONTE: Gomes, Manoel. As Mais Belas Praias de Mosqueiro e História do Círio de N. Srª do Ó. 2006. Estrofes esparsas..

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Praia do Murubira em 1976 (FOTO: Augusto Meira Filho)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

JANELAS DO TEMPO: FIGURAS INCONFUNDÍVEIS

Autor: Augusto Meira Filho

“Sempre dissemos que há uma fisionomia mosqueirense predominante na Ilha”. Há gente com cara de mosqueiro, cuja presença recorda, imediatamente, as eternas lembranças do balneário famoso do paraense. Comecemos pelo serviço judiciário em mãos daquela figura especial de Theóphilo de Araújo Lameira, já falecido, e a de seu herdeiro, do nome e do lugar, Amilton Quaresma Lameira. Do foguista (ao tempo da Usina de Eletricidade) Raimundo Valentim e a do seu Chefe: Joaquim Agrassar. O Cecy (com seu posto) que poucos conhecem como Raimundo de Assunção da Cruz.

O conhecido Mário “Maracujá” que ninguém sabe ser Mário Pontes de Carvalho. Pois o “Sete” – carregador estimado e amigo – chama-se Raimundo Costa.

O Lemuel Lopes da Paz com sua mercearia-restaurante e o Rufino Magalhães, vendedor de caldo de cana. E José Maria Ribeiro que é o atual proprietário do antigo Bar “Elite” do Antônio – “aguadeiro”. Impossível faltar uma profunda referência política: a das irmãs Dora com sua corajosa Francisca Dora Puga.

Também assinalar a patriótica presença, na Vila, de Marieta Contente Melo, operosa dona da Farmácia Moderna, seguida de Rosa Custódio sua similar de Nossa Senhora do Ó.

Recordamos o amigo prestimoso Manoel Joaquim Luna e o Orlando, que começou revisor de ônibus e acabou como comerciante em seu Bazar, ao lado da Igreja, sempre delgado, solícito, amável.

E lá para as nossas plagas no Diamante, valerá ressaltar o Cabo Victor, emérito pescador, o Pantoja, o Peroba, o Zito (surdo), o Matias, o Aurino, o Levindo. Também a simpática D. Georgina (baiana), com seu velho André, o maior caseiro da Ilha, com a Joana e a Maria, suas filhas. Também seu filho Raimundo (calango) que um dia salvou de afogamento no Farol o nosso colega Alfredo Boneff. Destaquemos o compadre Capitulino Rabelo e sua mulher Raimunda. A filha Elza, do primeiro matrimônio, casada com o Tertuliano Souza, e da segunda, seus nove rebentos que cresceram à sombra dos nossos bambus e hoje progridem na cidade, alegrando e orgulhecendo seus genitores.

E o João Louchard com sua brava Maria, o Luiz Anselmo com sua Ovídia, tão conhecida lavadeira chamada de Vivi? Os Cohem, Isaac (empregado do Zacharias e honrado serviçal) e o irmão, macumbeiro, vendedor de tapioquinhas, o Daniel, vizinho e contador de prosa. O velho marimbeiro Amâncio, companheiro da Brígida Lamego. Esta Brígida ainda reside no mesmo lugar, com seis filhos três claros e três escuros. Mulher admirável! Pobre, humilde, vivendo em uma casinha de taipa, coberta de telha, ao lado do atual Netuno Iate Clube. Não tem nada além desses filhos. Trabalha, luta, cria, serve a uns e outros, lava roupa e vai levando a vida como Deus manda. Um dia – nas férias grandes de julho de 1977 – achou na estrada, em frente a seu terreno, uma carteira cheia de dinheiro e de papéis. E viu em cartão preso no seu interior o nome e o endereço de seu proprietário. Procurou uma vizinha séria, a Elza filha do Capitulino, morador no Diamante, e não sossegou enquanto não convenceu a amiga de mandar uma de suas filhas, a Maria, acompanhando-a a Belém, para fazer a entrega da carteira achada.

Indescritível, depois, vendo-a relatar o espanto do moço da cidade em receber seu objeto sem nada lhe faltar. Gratificou generosamente Brígida, agradecendo seu gesto, afirmando, mesmo, que não mais tinha esperança de ressarcir sua carteira, sobretudo, valiosa, pelos documentos que continha. Ao despedir-se fez questão de afirmar, com eloquência, que atitudes como aquela há muito haviam desaparecido da face da terra. O encontro foi emocionante, conforme nos contou Maria, filha de Elza, acompanhante de Brígida a Belém só com o fim de entregar a seu verdadeiro dono, o achado acidental, no Mosqueiro. Fazemos questão de assinalar o fato, pela sua grandeza e significação.

Relembramos o Adelino, erguendo sua casa com sacrifício, em frente à nossa e que possuía uma grande qualidade: dava, ou melhor, aplicava injeções de qualquer tipo e era enfermeiro. Com a meninada em casa, longe de Belém, os melhores serviços nos prestaria, sempre com boa vontade e simpatia. Era irmão de D. Adelaide, esposa do mestre Zacharias.

E por falar, outra vez, no Zacharias, devemos recordar aquela figura magra, esperta, segura e trabalhadora, de dona Maria, a sogra do dono da casa, que madrugava, acordando hóspedes, preparando café e dando início cedo à sua luta no Hotel. Trabalhou muito toda a vida e morreu de velhice, sem moléstia!

Havia, no hotel, também, um empregado cabeçudo (doente) e uma cozinheira tão feia que alguém dissera (sic) serviria para “pousar” no atelier do artista brasileiro Cândido Portinari...

O Capitulino Rabelo não era do Mosqueiro. Nascido na Vigia, contudo, se instalara na Estrada do Diamante (quando ainda era do Pau-Grande) onde o conhecemos. Teve uma filha, com a 1ª. Esposa Adélia Farias. Com a 2ª. Consorte, vieram nove rebentos: Wivaldo, Osvaldo, Aurivaldo, Lourival, José, Laurinéia, Inez e Lucineide, esta última nossa afilhada.

Excelente criatura humana, serviçal de absoluta confiança, sério e responsável, ainda hoje nos serve com dedicação e verdadeira amizade.

Também vemos na pessoa da Antônia (filha de Luiz Anselmo), casada com outro Zacarias, uma criatura dinâmica, braço direito do esposo, ambos explorando na praia do Farol um pequeno pavilhão, que serve de tudo ao veranista. Não sabemos se ele continua, ainda, como funcionário municipal. Residem às proximidades do campo de aviação e do novo “Camping” recentemente instalado pela Prefeitura, no correr da Av. 16 de Novembro, à ilharga daquele campo. É uma das novidades da Ilha, instituído agora, na administração do Prefeito Ajax Carvalho de Oliveira.

Na prainha do Farol, próximo já à Praia Grande, pontificava o Caranguejo. Tinha uma bodega, negociava ao pé da estrada e era muito procurado porque vendia peixe fresco, toda vez que suas barcas apanhavam um bom filhote nas marés altas. Com uma buzina feita de chifre de boi, anunciava aos quatro cantos do bairro a chegada do produto. Também possuía carroças, para o transporte de material de construção e outras cargas.

Residindo bem perto do nosso Diamante, muitas vezes, apelávamos à sua camaradagem, para um passeio pitoresco à Vila, pela “carroça-da-linha”!

Aquela região da Ilha é muito habitada e construída. Nos velhos tempos, a Praia Grande foi centro social da Vila, à mesma época em que as festas na Vila Faneca ficavam marcadas na história do lugar. Entre esta Faneca e a casa do estimado amigo Chedem Bitar se situava o terreno imenso, verdadeiro bosque, residência dos Maristas e que ali se reuniam nas férias ou fins-de-semana. Amigos, todos, muitas vezes os visitamos para um alegre encontro, à sombra do belo arvoredo, saboreando vinho de missa e alguns quitutes regionais. Recordamos as figuras dos franceses Edmundo Dansot e André Delpuech, os mesmos que, um dia, nos fariam a surpresa de levar ao Diamante o Bispo D. Ives Bossière que, de passagem por Belém, visitaria a aconchegante Vivenda dos filhos de Champagnat, na Praia do Bispo. Entre uns e outros a casa do Noronha, o construtor oficial do Mosqueiro. Na passagem, o tradicional retiro Escalhão de um velho português, amigo do Mosqueiro e dos melhores.

Na Quarta Rua, residia o amigo Luiz Lima, pioneiro de nossa maravilhosa avançada a pé de Belém à Ilha, em 1959, que já relatamos. Dona Lúcia, o afilhado Antonio Maria, sempre dispostos à caminhada pela estrada até o Farol, onde aproveitavam as lindas manhãs do Mosqueiro, num delicioso banho no Farol e, depois, invariavelmente, passavam no Diamante para um drinque e um dedo de prosa. Velhos tempos, bons tempos, belos tempos, quando o Mosqueiro só era mesmo uma ilha. Na casa avarandada da 4ª. Rua, o doutor José Luiz Sousa Ferreira, quase sempre, reclamava o silêncio, a paz eterna, o “nada-que-fazer” e se dispunha com a família numerosa a nos responder:

-- Estou cansado disto aqui. Só se faz dormir, tomar banho de praia, comer e dormir de novo. Não aguento mais o chamado dos meninos, para ir lá fora e ver mais uma vez o “cruzeiro do sul”, ponteando no céu como uma dádiva. Ver toda noite, ou melhor, todas as noites o cruzeiro cintilante, anunciando os caminhos do sul. Nada mais. Uma sueca ligeira e toma rede até amanhecer. A viagem para a praia, o retorno no sol quente abrasando a sola dos pés, o desgaste físico do percurso de perto de uma légua, e eis umas férias mortificantes para quem não sabia ter espírito esportivo.

Ma para o grande dermatologista, o Mosqueiro era a liberdade, a fuga da luta citadina, do inferno dos hospitais. Ele sempre soube ser um notável mosqueirense, mesmo quando se mudou para o Chapéu Virado, em seu tranquilo apartamento no Lilian-Lúcia.”

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Viagem pitoresca em carro de boi (FONTE: Augusto Meira Filho)

FONTE: MEIRA FILHO, Augusto. “Mosqueiro Ilhas e Vilas”- ED. GRAFISA, 1978- pp. 385, 386, 387 e 388.

domingo, 9 de setembro de 2012

MEIO AMBIENTE: ILHA DO MOSQUEIRO: TENSORES AMBIENTAIS NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO

Autor: Pedro Leão

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Os tensores ou estressores ambientais podem ser descritos como qualquer fator ambiental que retira energia de organismos, restringe o crescimento e a reprodução deles, ou perturba o equilíbrio de um sistema mobilizando seus recursos e aumentando seus gastos energéticos (ODUM, 1988).

Nos ambientes aquáticos e seu entorno, muitos tensores ambientais têm se manifestado, decorrentes da supressão das matas ciliares, da excessiva exposição do solo associada a práticas agrícolas degradadoras, da introdução equivocada de espécie animais e vegetais, do lançamento de esgotos e lixo nas águas dos rios, da exploração inadequada de areia e argila, e em muitos casos, da falta de planejamento e cuidados com a malha viária local, causando carreamento de particulados para os leitos dos rios.

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Estuários apresentam características ambientais únicas que resultam em elevada produtividade biológica. Esses ecossistemas desempenham papéis ecológicos importantes, como exportadores de nutrientes e matéria orgânica para águas costeiras adjacentes, habitats vitais para espécies de importância comercial, além de gerarem bens e serviços para comunidades locais.      .

Assentamentos urbanos e o desenvolvimento de atividades industriais, portuárias, pesqueiras, de exploração mineral, turísticas, entre outras, sem planejamento adequado, vem colocando em risco os atributos básicos dos estuários brasileiros e ecossistemas associados; resultando na diminuição da qualidade de vida da população local.

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Tensores de origens antrópicas vêm pondo em risco os ambientes naturais e a vida no Estuário Amazônico, sendo este considerado uma das regiões mais produtivas do país, estimando-se que cerca de 40% da produção brasileira seja originária desta área. Esta riqueza faz com que o local seja um grande polo industrial de exploração de recursos pesqueiros.

As ilhas próximas à cidade de Belém como Combu, Onças, Mosqueiro e Outeiro, situam-se na área intermediária do estuário amazônico, ou seja, uma área de transição entre a água doce (ao sul da Baía de Guajará e à direita do Rio Guamá) e a água salgada (ao norte de Belém na altura da cidade de Colares). Dentre os ambientes que a integram estão os rios, igarapés, as florestas, a várzea, as baías, os campos alagados e as praias das ilhas.

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Face a sua localização no Estuário Amazônico, a Ilha de Mosqueiro é influenciada ambientalmente pelo oceano atlântico.  A influência marítima do atlântico afeta as águas estuarina (salinidade), sobretudo quanto ao estoque pesqueiro e a dinâmica do sistema sustentável de pesca artesanal local.

Ao localizar-se no estuário Amazônico, a Ilha de Mosqueiro nas últimas décadas, vem sofrendo influência e recebendo impactos sócio-culturais e históricos de todas as ordens e em ritmo acelerado no seu espaço de ocupação e produção, pela ação de diversos atores sociais, pelo controle, uso e gestão de seus recursos naturais.

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Na ausência de um plano de desenvolvimento local sustentável (PDLS) para as ilhas de Mosqueiro e políticas de gestão ambientais compartilhadas induzidas pela administração regional de Mosqueiro e em parcerias com outros órgãos de gestão e fiscalização em outras esferas, garantindo na forma da lei, uso, controle, promoção e gestão dos recursos ambientais, potencializam-se e desenvolvem-se tensores antrópicos na ilha, sobretudo na faixa litorânea e nos corpos d’águas que ali deságuam, trazendo fortes passivos ambientais ao local e comprometendo direta e indiretamente a qualidade de vida de sua população.

Baseado em literaturas da área cientifica e em observação in loco na Ilha de Mosqueiro, apresentamos o quadro abaixo, demonstrando os principais tensores, seus impactos e prejuízos.

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Diante de sua dramática realidade, sobretudo sócioambiental, qual e como será o futuro desta comunidade tradicional da Amazônia, a bucólica Ilha de Mosqueiro?

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Depende da responsabilidade de cada um... na vivência do presente e na construção de um futuro ambientalmente responsável para as gerações futuras! Moradores, visitantes e poder público, sobretudo da administração pública local!

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REFERÊNCIAS:

Considerações Ambientais para o Desenvolvimento Sustentável da Atividade Portuária: uma análise da interface porto-estuário. In.:www.unimep.br/phpg/editora/revistaspdf/rct20art12.pdf

FIDELMAN, P.I.J. Impactos causados por tensores de origem antrópica no sistema estuarino do rio Santana, Ilhéus, Bahia.

www.aba-agroecologia.org.br/ojs2/index.php/.../6639

Procedimento Administrativo N°. 1.23.000.002652/2007-11- MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Procuradoria da República no Pará.

www.prpa.mpf.gov.br/news/2011/AR_Poluicao...Mosqueiro.../file

www.basa.com.br/.../Revista/.../Revista_Amazonia_9_Completa.pdf

www.ibcperu.org/doc/isis/13408.pdf

FONTE: http://mosqueiroambiental.blogspot.com.br/2012/09/ilha-de-mosqueiro-tensores-ambientais.html

PESQUISE NESTE BLOG:

http://mosqueirando.blogspot.com.br/2011/07/ilha-de-mosqueiro-praticas-de-pesca.html

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