sexta-feira, 17 de janeiro de 2025
quarta-feira, 21 de junho de 2023
A OUTRA FACE DA ILHA: TERMINAL HIDROVIÁRIO DO MOSQUEIRO: UMA PONTE PARA O NADA OU CARTÃO POSTAL PARA INGLÊS VER?
Construído pelos ingleses, o Trapiche do Mosqueiro, inaugurado em 06 de setembro de 1908, foi uma obra de grande importância, considerando-se o aumento do fluxo turístico para a nossa Ilha. A linha Belém-Mosqueiro-Soure, durante seis décadas, foi servida por diversos navios de grande porte, inclusive um de classe turística construído na Holanda: o saudoso Presidente Vargas, o cisne branco do rio Pará. Na década de 50, começaram a construir um trapiche em concreto, cujo projeto só ficou no papel, pois não passou da triste imagem de pilares levantados e abandonados ao lado do antigo porto. Com o Presidente Vargas afundado nas águas do rio Paracauari, em 1972, e com o monopólio dos ônibus da Empresa Beira Dão, o povo do Mosqueiro ficou “a ver navios” passando ao largo. E, com o correr do tempo, o histórico trapiche foi envelhecendo e desmoronando, esquecido pelo Poder Público.
Em 2014, o Governo Federal, na gestão da
Dilma, liberou a verba para a construção de um Terminal Hidroviário, o qual deveria
solucionar o problema de transporte, já que, na Amazônia, os rios são estradas.
Acontece que o Terminal do Mosqueiro, para ser construído, levou mais tempo do
que a Ponte Sebastião Rabelo de Oliveira, a qual liga a Ilha ao continente e
tem quase um quilômetro e meio de extensão.
Inaugurado este ano, pelos governos estadual
e municipal, sob a suave pressão do Ministério Público Federal, até que é
bonito de se ver, mas está longe de atingir sua finalidade: não existe a linha
Belém-Mosqueiro, responsabilidade da administração do Município e se,
eventualmente, alguém precisar da linha estadual das lanchas Golfinho para ir de
Mosqueiro a Soure, terá de comprar as passagens no Terminal de Belém. Em tempos
de internet, de redes sociais, de pix, de cartões de débito, de compras on-line até de passagens de balsas e de
aviões, isso, além de ser ridículo e cômico, é sinal de atraso e despreparo.
Olha, gente, no tempo dos ingleses o trapiche
funcionava e isso acontecia no início do século passado! Ou vai servir de pano
de fundo para turista registrar em sua selfie?
terça-feira, 28 de março de 2023
NA ROTA DA HISTÓRIA: A MORTE DO CISNE BRANCO DO RIO PARÁ
A misteriosa história de um navio feito na Europa, de luxo nunca visto no norte do Brasil, com poltronas de couro, ar condicionado e capacidade para 500 passageiros que, antes de naufragar, permitiu que todos os passageiros desembarcassem tranquilamente no cais e depois afundou. Uma história conhecida como o Titanic da Amazônia.
Houve um tempo em que navios fabricados na Europa ligavam Belém a toda a grande região da Amazônia. Lá dentro, a classe popular, em suas redes, convivia de maneira pacífica com a classe executiva em seus camarotes, salas de leitura e restaurante. Parte deles naufragou nos rios, parte virou ferro velho, condenando ao esquecimento um capitulo muito especial na história desta terra.
Os navios da chamada Frota Branca, eram as joias mais especiais da ENASA, a Empresa de Navegação da Amazônia. Foram os mais luxuosos e velozes que já passaram por aqui, vindos da fábrica da Holanda, atendendo o Marajó e o baixo amazonas, com capacidade para levar até 500 passageiros cada. Depois de uma vida relativamente curta e de muitos serviços, tiveram fins trágicos como a Empresa que sumiu nos desvios e descontroles públicos do país.
O navio Leopoldo Perez, ao navegar pelo estreito de Breves, foi abalroado por uma corveta da marinha, afundando imediatamente. Apesar de ser noite e estar com cerca de 400 passageiros a bordo, não houve vítimas. O Lobo D’Almada e o Lauro Sodré acabaram abandonados em um dos portos na margem da baía do Guajará, num cemitério de navios, em virtude de uma disputa judicial. O Augusto Montenegro acabou quase totalmente no fundo da baía de Guajará, próximo ao barranco de Miramar em Belém.
O último a ser apresentado, o Presidente Vargas, foi o mais luxuoso e o primeiro a deixar a Frota. O Presidente Vargas tinha três classes distintas e ar condicionado. Era domingo, 04/06/1972, às 21 horas no Porto de Soure, na ilha do Marajó. Havia desembarcado toda a sua lotação de passageiros. No misterioso naufrágio, em que não houve vítimas, rumores falavam em crime premeditado por obscuras razões, considerando que o navio tinha, recentemente, passado por reformas. O navio "fez água" calmamente, a ponto de passageiros e tripulação poderem sair ilesos do "Presidente Vargas". As circunstâncias do naufrágio - nunca esclarecidas - e as tentativas frustradas de retirá-lo do fundo do rio Paracauary apontam para um "naufrágio calculado", na opinião de um especialista da área. Um naufrágio que ficou conhecido como o do Titanic da Amazônia.
Era considerado a mais suntuosa embarcação de toda a bacia amazônica. Com poltronas de couro, cada uma com cinzeiro, o navio tinha cara de iate. Seus amplos compartimentos e largos corredores se assentaram no imaginário de quem viveu a época. Sucateada e mal administrada, a ENASA passou para o controle do Estado do Pará no final da década de 1990. Desapareceria de cena alguns anos depois.
Fontes: ignacioneto.blogspot.com.br / Salomão Laredo/ O Liberal. Belém Antiga é um Projeto Salomão Mendes Imóveis.
domingo, 26 de março de 2023
NA ROTA DA HISTÓRIA: O TRAPICHE DA VILA
O Trapiche da Vila em 1908 (Fonte: A. Meira Filho
O famoso vapor “Almirante Alexandrino” (Fonte: A. Meira Filho)
“Chatinha” dos SNAPP que fez várias viagens para a ilha (Fonte: A. Meira Filho).
O Trapiche Centenário. Ao fundo, Tatuoca e Cotijuba (Foto: Gerlei Agrassar)