sexta-feira, 31 de maio de 2013

A OUTRA FACE DA ILHA: MAIS AUTONOMIA PARA TIRAR MOSQUEIRO DO ABANDONO.

Autor: Armando Amarante Filho

“A matéria publicada na coluna do nobríssimo Guilherme Augusto que fala sobre o novo agente distrital do Mosqueiro me fez lembrar novamente que o atual modelo de gestão, Agência Distrital, é, sem sombra de dúvidas, fator determinante para a falência de nossa fantástica e abençoada Ilha do Mosqueiro, retratada na referida matéria, pois as obras e os serviços dependem da boa vontade e até da disponibilidade das secretarias municipais, ou seja, o agente, independente de sua qualificação profissional, nada poderá realizar, pois não dispõe de autonomia administrativa, financeira e política. Ele apenas cumpre ordens de quem lhe indicou ao prefeito de Belém e, como na política brasileira o que interessa é a manutenção do poder dos grupos políticos, infelizmente, só nos resta a triste condição de morar em uma ilha abandonada, sem turismo, sem emprego para seus moradores, suja, sem água, sem transporte público e em processo de erosão de toda sua orla, o que lamentavelmente acaba afastando os turistas e visitantes, contribuindo ainda mais para o empobrecimento dos desassistidos socialmente, a falência do empresariado e da própria economia.

Mas o digno prefeito Zenaldo, que esteve pelo menos duas vezes em Mosqueiro durante sua campanha, não pode ficar alheio às gravíssimas necessidades da Ilha e precisa adotar medidas urgentes e saneadoras para começar a minimizar esse estado de “vergonha pública”, buscando um novo modelo de gestão.

Venho já há algum tempo sugerindo a criação do Distrito Municipal do Mosqueiro, que assim passaria a ter dotação orçamentária própria, instalaria as cinco secretarias básicas, possibilidade de realizar convênios e parcerias com o poder estatal e a iniciativa privada, instalação da Guarda Municipal e da Amub, com estrutura e efetivos suficientes para atender toda a Ilha, além de outras ações de fundamental importância para resgatar nossa outrora bucólica. Finalmente, a Ilha do Mosqueiro, por suas belezas naturais, é com certeza um presente de Deus.”

FONTE: ESPAÇO DO LEITOR- A 2- Diário do Pará – Belém-PA, 30/05/2013.

MOSQUEIRANDO: Há poucos dias foi normalizado o abastecimento de água nos bairros da Vila e do Maracajá, problema que vinha atormentando a população fixa da área e afastando os veranistas. Entretanto, não devemos esquecer que a água doce, potável é um bem finito e que, apesar de nossa ilha pertencer ao grande estuário amazônico, precisamos conservar impolutos os nossos rios e suas nascentes, pois deles será retirada a água que beberemos num futuro bem próximo. Aliás, chegou a hora de o governo municipal e as autoridades competentes empreenderem estudos e ações nas áreas de conservação previamente já delimitadas, com o objetivo de resguardar os recursos hídricos da Ilha e elaborar projetos para a instalação de estações de tratamento de água.

Outro ponto de suma importância que deve ser lembrado é o Projeto de Esgotamento Sanitário há oito anos não concluído, enterrado, abandonado e esquecido sob as ruas da Ilha – talvez até poluindo as águas dos lençóis freáticos superficiais. As autoridades devem avaliar tais instalações, assim como as chamadas “lagoas de contenção”, atualmente abandonadas.

Por outro lado, o lixo não é apenas um problema governamental (e que problema!), mas um problema social e, sobretudo, cultural. Acreditamos que a Prefeitura deve promover maciças campanhas educativas – inclusive nas escolas – orientando a população, realizar fiscalizações efetivas e fazer funcionar o Código de Posturas do Município. No entanto, a coleta de lixo e de entulhos e a limpeza das vias urbanas devem estar plenamente regularizadas.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

NA ROTA DO TURISMO: O TURISMO E A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA: A PRAIA DO PARAÍSO.

Autores: Maria Goretti da Costa Tavares, Kleber dos Santos Gomes, Maria Augusta Freitas da Costa e Williame de Oliveira Ribeiro

Trecho do Trabalho “Turismo e desenvolvimento local em uma ilha fluvial na Região Metropolitana de Belém: o caso da ilha de Mosqueiro na Amazônia brasileira”, produzido em 2007 e publicado na Revista Universitaria de Geografia – versión impresa ISSN 0326-8373.

“Em Mosqueiro, expressão da particularidade amazônica, as preocupações com os ecossistemas não se concretizaram. Houve sim uma intensificação ferrenha dos recursos naturais transformando parte considerável das características naturais do local. Os processos de apropriação espoliativos se expandiram alcançando áreas cuja fragilidade ecológica requer manejo adequado, como as faixas de domínio dos rios e igarapés, metamorfoseando as formas preexistentes, definindo novas estruturas e funções, construindo meios ecológicos que aviltaram a qualidade de vida dos moradores dessa ilha (Cardoso, 2000).

Exemplo disso é a praia do Paraíso, que vem passando por intensas transformações nos últimos anos. Ressalta-se que a especulação imobiliária é um processo que reúne uma série de motivações que estão associadas a fatores de desenvolvimento industrial, comercial, urbanístico e turístico; com isso o processo de especulação imobiliária que vem ocorrendo na praia do Paraíso está diretamente motivado pela valorização turística da referida praia, já que a mesma recebe grande número de turistas principalmente nos meses de férias escolares, mês de julho, período denominado na região Norte como de veraneio, e nos dias de feriado ou fins de semana prolongados; sendo esse fluxo, portanto, considerado um dos elementos essenciais para as transformações verificadas na ilha.

A dinâmica especulativa imobiliária na orla fluvial da praia do Paraíso possibilitou a valorização do solo nesse espaço por intermédio de seu uso, o qual passou a ter significativa importância para o processo de produção e reprodução de capital, pois assume sentido de consumo (casas de veraneio). Villaça (1993) argumenta que a terra, a partir de sua valorização em um mercado especulativo imobiliário, passa a se caracterizar como terra-capital ou terra-localização, que assume um caráter urbano; enquanto que a análise através do aspecto de produção análoga da terra-fertilidade assume caráter agrícola.

Villaça (1993) ainda enfatiza que a renda diferencial da terra é diretamente fundamental para a especulação imobiliária, pois extrai da terra o seu valor nas seguintes formas: a) absoluta, quando corresponde ao valor pago pelo uso da terra matéria, ou seja, o valor que ela apresenta dentro de um espaço ainda não modificado; b) como juro ou amortização do capital, sendo fruto de investimentos sobre a terra (loja, banco, escritório etc.); e c) juro e amortização da terra-localização, a qual corresponde à parcela de capital disponibilizado pela funcionalidade da localização, no caso, o exemplo pode ser atribuído à orla fluvial da praia do Paraíso, pois a valorização de seu espaço se dá principalmente pelo fator turístico, devido, sobretudo, à acessibilidade.

Apoiados em Guerra (1995), pode-se entender a orla fluvial da praia do Paraíso como um ambiente predominantemente físico, estando situada aproximadamente em uma zona litoral, onde os efeitos da maré são visíveis e o contato com as amenidades naturais ainda encontra-se bastante presente. Além disso, a diversidade de ocupação espacial do Paraíso possui, como já mencionado, valor de troca, podendo ser entendida através da relação de aspectos que envolvem elementos naturais (ex: a praia) e artificiais (ex: infraestrutura hoteleira).

O Hotel Fazenda Paraíso implantado durante a década de 90, vem provocando várias transformações na área de orla da praia e é o responsável por fazer do Paraíso um local de atrativo turístico.

Outra categoria de agente identificada como grande motivadora das transformações na praia do Paraíso são os corretores imobiliários, e especialmente, a corretora imobiliária Moradia & Imóveis. Esses agentes começaram a desenvolver os seus empreendimentos na área a partir do ano de 1992, quando passaram a vender um loteamento com 350 m² de frente por 1.200 m² de fundo de proprietários particulares, dentre estes os Travassos, família bastante conhecida e tradicional que possuía residência no Paraíso.

Estes agentes utilizam como estratégia de ação para a venda dos loteamentos no Paraíso, a paisagem natural e exótica da praia fluvial; estratégia esta nitidamente observada em anúncios de jornais, nas faixas espalhadas pelo ramal de acesso à praia e em toda a extensão da orla fluvial. Torna-se fundamental enfatizar ser essa corretora imobiliária o agente de maior especulação imobiliária no Paraíso e responsável pela abertura de ruas e alamedas que possibilitaram a consolidação do bairro do Paraíso.

É importante lembrar também que a possibilidade de impacto ambiental decorrente desses loteamentos é iminente, seja pela extinção de espécies animais ainda existentes nessa parte da ilha, seja pela a ausência de cobertura vegetal, e mesmo pela extração mineral de areia, barro e pedras que se destinam às estâncias de materiais de construção; sendo esta última uma atividade que cresce cada vez mais na ilha.

Tanto o proprietário do Hotel Fazenda Paraíso, como os corretores imobiliários são estritamente favoráveis à emancipação de Mosqueiro, pois acreditam que o distrito reúne condições suficientes para se tornar um município, uma vez que possui receitas decorrentes de impostos, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), licenciamentos para estabelecimentos de empreendimentos e comércios, licenças especiais em meses de veraneio, ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços), dentre outros, que possibilitam arrecadar recursos para iniciar em Mosqueiro uma possível administração municipal autônoma de Belém.

Na visão da administração distrital na época, o Paraíso é uma área problemática devido ao intenso mercado imobiliário que desestruturou, de certa maneira, a paisagem natural dessa parte da ilha. Portanto, qualquer projeto urbanístico a ser realizado no Paraíso necessitaria de um processo de reorganização espacial completo, que envolveria: a reestruturação de barracas de sua orla, de legalização de loteamentos, estudos técnicos da CODEM e SEURB (Secretaria Municipal de Urbanismo), construção de infraestrutura adequada.”

FONTE:

http://bibliotecadigital.uns.edu.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0326-83732007000100005

segunda-feira, 27 de maio de 2013

MEIO AMBIENTE: NAS ÁGUAS DA ILHA, O PEIXE DE QUATRO OLHOS.

Autor: Pedro Leão

O tralhoto (Anableps anableps), também chamado carinhosamente de "quatro-olhos", é um peixe originário das Américas Central e do Sul - onde vive em águas quentes e levemente salobras, com pH alcalino, como as molinésias - de médio e grande porte, comprido e meio achatado, cinza com o ventre claro, com gonopódio (os machos), sempre nadando rente à superfície d'água e que tem uma peculiaridade rara: seus dois olhos estão posicionados acima da cabeça e têm a retina bipartida, servindo tanto à visão subaquática quanto fora d´água, e muitos pesquisadores acreditam que ele pode enxergar os dois ambientes simultaneamente. Eles são grandes saltadores e também podem sobreviver por curtos períodos fora d'água, embora não sejam adaptados para a vida em terra. Alimentam-se de uma vasta gama de animais (insetos, etc...) abaixo ou acima d'água.

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Local de origem: Águas salobras e marinhas do sul do México e América do Sul.

Comprimento: 30 cm

Reprodução: vivíparo

Água: alcalina com um pouco de sal (7.2 a 7,5),

Temperatura: 24 a 28c.

Aquário: médios e grandes

Comportamento: são excelentes saltadores e vivem também em água salgada.

Alimentação: insetos, peixinhos, patês, aceita bem flocos (onívoro), alconBASIC, alconSHRIMP, Blood Worms F.D:, Tubifex F.D.

O gênero Anableps inclui três espécies popularmente conhecidas como tralhotos ou peixes-de-quatro-olhos, assim chamados por terem os olhos elevados acima do topo da cabeça e divididos horizontalmente por uma membrana, permitindo-lhes enxergar acima e abaixo d’água (Bone et al., 1995; Miller, 1979; Santos, 1987).       As três espécies de Anableps são: A. dowi (costa do Pacífico), que ocorre do sudeste do México até a Guatemala, e A. anableps e A. microlepis ambas da parte leste da América do Sul, da Venezuela à costa do Pará (Baughman, 1947; Burns & Flores, 1981; Ghedotti, 1998; Knight et al., 1985; Parenti, 1981).

Melhores informações podem ser encontradas nos trabalhos abaixo:

http://www.museugoeldi.br/editora/bn/artigos/cnv3n3_2008/ecologia(nascimento_assuncao).pdf

http://repositorio.museu-goeldi.br/jspui/handle/123456789/206

FONTE: http://mosqueiroambiental.blogspot.com.br/p/

sábado, 25 de maio de 2013

A FiCÇÃO E A ILHA: SERENATAS NO TRAPICHE

Autor: Cândido Marinho Rocha

“Carlindo gostava de falar a Estrela sobre episódios da vida de Paulo Ney, Emílio de Menezes, José do Patrocínio, Castro Alves e outros. Reconhecia no amigo interessado ouvinte. Paulito vinha também, de mansinho, bagana de cigarro pendurada aos beiços. Encostava-se. Ouvia, silencioso, confirmativo. Uma que outra vez lembrava detalhes, que Carlindo aceitava como corretos. Paulito sabia ler, isto é, leituras, na mocidade. Readquiria-se com a palavra do cronista.

A cabeceira da velha ponte de madeira definia-se como sítio adequado porque era afastado do movimento da Praça Matriz. Poucos casais ficavam ali, nas bolinagens e, portanto, indiferentes ao grupo de amigos. Sempre com o violão a tiracolo, Estrela vibrava com as anedotas dos famosos boêmios.

Se a lua descia para os lados da Ilha de Tatuoca, do outro lado da baía, esta, larga e profunda e deserta, parecia enorme plateia de um teatro vazio. Terminadas as piadas, Paulito exibia-se, interpretava os boêmios que, na sua opinião, eram apenas inteligentes vagabundos sociais.

As reuniões não se alteravam, todavia, porque logo moças e rapazes, descobrindo o violonista, rodeavam-no, em alegrias, pedindo canções. E valsas, modinhas antigas. Catulo, Canhoto, Bem-Bem, Aluízio, nos lamentos do instrumento, se reproduziam. A baía dava original acústica e o som de violão viajava sobre as águas como mãos de artista em harpa invisível.

As luzes da Usina do Tio Jorge piscavam para, em seguida, se apagarem. Na total escuridão, o luar espelhava a baía, a serenata crescia, melhorava a acústica e já era então partitura da natureza.

A olorosa madrugada era recebida com a canção do Santa Cruz também conhecido por Zé Nome Feio.

Assim:

             Ai ai ai

             Ai ai ai

             A madrugada que já passou

             não volta mais.

Animavam-se. Palmas assustavam as pirararas marisqueiras e cardumes de pratiqueiras fugiam para longe do barulho. Um que outro peixinho descuidado ficaria ali embaixo esperando migalhas de pão, pedaços de bolachas, restos de roscas.

Quem sabe o Boto estaria também mundiado pela música, ele que, príncipe e amoroso, embora encantado, sabia cantar as cunhãs para o exercício do amor à beira d’água.

De certo a Iara descera dos rios, onde reside, para incorporar-se aos ouvintes do mágico violão daquele que tinha uma estrela na testa.

Quem sabe a Cobra Grande estaria, mais uma vez, calculando a quem daria sonhos de amor, levando para os leitos mulheres belas e novas, proporcionando ilusões?

Quem sabe o Baiacu astucioso, a míope Pirapema, o Tralhoto de quatro olhos, a gorda Piramutaba, a Tainha-mãe, as Corvinas dentuças, o belo Filhote, a multicolorida Dourada, o Capitão Bagre e o Dr. Xaréu estariam, em sociedade, deslumbrados, silenciosos, ouvindo Estrela?

FONTE: MARINHO ROCHA, Cândido. “Ilha Capital Vila”- GRÁFICA FALÂNGOLA EDITORA. Belém-Pa. 1973- pp. 144 e 145).

quinta-feira, 23 de maio de 2013

CANTANDO A ILHA: MOSQUEIRO EM TEMPO DE MARÉ ALTA

Autora: Celeste Proença

Mosqueiro, Mosqueiro, que canta e se espalha
em grande aguaceiro, morrendo de rir...
Mosqueiro do verde, do verde esperança
do branco empoando as folhas bem altas
de esguias imbaubeiras que dançam e se miram
se viram e reviram
segredando à brisa que é tempo de amar.
Não importa, meu bem, se chove ou faz sol.
Carinho tem hora, beleza tem dia, amor tem lugar?...
Vem vindo bem perto o beijo esperado
o abraço apertado de quem se quer bem!
Vem vindo ditoso, bem agasalhado
na boca da noite que a lua embrulhou.
Se chove de dia, se chove bem forte
aguarda que a noite é só de luar.
Lavaram as calçadas, banharam as estradas
e até o céu cinzento já mudou de cor!
É céu azulado, todo acolchoado
de algodão bordado, pra lua passear.
E quando ela surge no céu tão limpinho
o mar com carinho começa a cantar.
Ah! Mosqueiro engraçado, de tanto contraste
em que até os insetos
se organizam em filas para sarava dar (saravá)
É grilo, é mosquito
é tanto bichinho saindo das tocas
que a gente se esconde, se embrulha e reclama
porque ninguém pode mais
sair de casa para passear!
Violões aparecem contando vantagens
em acordes que vibram a causar sensação.
E a gente se anima e os sons vão chegando
num balanço doce em suave oração...
Tudo isso é Mosqueiro em paisagem de inverno
em tempo de chuva, pra falar melhor.
Deixem que ela venha, ora forte, suave
revirando a ilha, sem temer ninguém!
Derrubando muros, arrancando plantas
remexendo areia pra jogar ao mar.
Todo mundo sabe que chegou seu tempo
que não adianta nada a gente se zangar.
A brisa azougada bloqueia os caminhos
e enxágua o infinito pra o sol se deitar.
E a gente aproveita pra ver maré alta
crescendo e cantando pra nos alegrar
voltando a ser jovem, de novo criança,
amando a esperança dos dias que virão.
Ó Deus da beleza, ó Deus das crianças
eu amo esta ilha de sonhos formada
cheinha de afeto, tão apaixonada
qual doce feitiço que faz tanto bem!
Te quero cantando, mais nova, mais bela
como Cinderela, sorrindo a dançar.
Trazendo nas mãos punhados de areia
das praias formosas, das terras sem fim.
Guardando o mistério, a beleza e a denguice
toda a faceirice de cunhã mirim...
Com chuva ou com sol, no inverno ou verão
tristonha ou sorrindo eu te quero feliz.
Mosqueiro moreno, de doce veneno
cantando em surdina no meu coração!

Celeste Proença
Louvação ao Mosqueiro
... e outros escritos
Editora Grafisa, 1983
Belém - Pará

FONTE: http://poesiasparamosqueiro.blogspot.com.br/2010/06/mosqueiro-em-tempo-de-mare-alta.html

terça-feira, 21 de maio de 2013

CURIOSIDADES: A ESTRADA E O INVENTOR

 

Na Ilha do Mosqueiro, a antiga Estrada ligando a Vila ao Chapéu Virado era, a princípio, uma estreita faixa de terra batida aberta na mata, por onde deslizaram lentamente, durante as primeiras décadas do século passado, um bondinho puxado a burro e um trenzinho conduzido pela locomotiva Pata Choca. No início dos anos 70, essa estrada foi alargada e a pista asfáltica, que já existia desde 1962, duplicada.

Conhecida atualmente como Avenida 16 de Novembro, a histórica artéria da Ilha poderia ter recebido outra denominação, conforme registro jornalístico da “Folha do Norte” de novembro de 1901, no qual consta que “José Cardoso Cunha Coimbra, inspetor municipal do Mosqueiro, juntamente com Manoel Baena sugeriram ao Conselho de Belém, através do Intendente Antonio Lemos, que a Rua 16 de Novembro passasse a ser denominada “Santos Dumont”, devendo as placas serem doadas, sem ônus para os cofres municipais. O Senador Lemos achou excelente a ideia. Mosqueiro seria o primeiro lugar do Brasil onde haveria uma via pública com o nome do inventor da aviação.”

Entretanto, tal não aconteceu e ainda não sabemos por que o projeto foi abandonado.

FONTE: MEIRA FILHO, Augusto. “Mosqueiro Ilhas e Vilas”- ED. GRAFISA, 1978- pp. 439 e 440.

domingo, 19 de maio de 2013

A IMAGEM E O TEMPO: O CARAMANCHÃO DO BISPO

 

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FOTO: Carlos Estêvão – Museu Estadual de Pernambuco (da UFPE).

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FOTO: Claudionor Wanzeller – 2013.

A foto histórica do Caramanchão da Praia do Bispo, encontrada pelo pesquisador Cássio Silva na Coleção Etnográfica Carlos Estevão, nome do ex-diretor do Museu Paraense Emílio Goeldi, advogado, poeta e folclorista, pertence ao arquivo do Museu Virtual do MEPE. Segundo o pesquisador, o referido acervo registra o período entre 1908 e 1946. É provável que essa foto tenha sido feita em 1936, ano em que o Prefeito Alcindo Cacela – um admirador apaixonado pela Ilha – inaugurou o muro de arrimo e as bonitas escadarias do Bispo, protegendo os barrancos da Vila do Mosqueiro. Observe que a proteção do mirante era feita por tubos metálicos (hoje, alvenaria), não havia o canhão, mas já existia a planta trepadeira que, nos anos 50, cobriria de flores todo o caramanchão, o qual, infelizmente, se foi com o tempo.

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FOTO: Carlos Estêvão – Museu Estadual de Pernambuco (da UFPE).

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FOTO: Claudionor Wanzeller – 2013.

Nota-se que as colunetas intervalares encimadas por vasos de cerâmica foram, depois, cortadas e substituídas por assentos. O canhão, introduzido nos anos 60, simboliza a resistência dos cabanos impedindo a primeira tentativa de invasão das tropas legalistas, em 20 de janeiro de 1836. Segundo informações, a referida peça de artilharia fora encontrada sob as areias da praia, às proximidades do Trapiche, desenterrada pela ação das marés.

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FOTO: O canhão da Praia do Bispo (WANZELLER, 2013)

FONTE: http://moskowilha.blogspot.com.br/2013/01/praia.html#links