Hoje, 18 de dezembro, comemora-se Nossa Senhora
do Ó, a Padroeira dos Mosqueirenses.
No dia 10 de outubro,
os católicos da Ilha festejaram 150 anos da fundação da Freguesia do Mosqueiro
e da Paróquia de Nossa Senhora do Ó, cuja devoção é única no Norte do Brasil.
A denominação de Freguesia de Nossa Senhora do
Ó para as terras da Ilha parece revelar a imensa relação entre o Mosqueiro e a
sua Santa Protetora, uma relação mais antiga – acreditamos -- que a devoção da
Irmandade local ou o trabalho catequético dos jesuítas da Missão Myribira.
Talvez seja oriunda dos primeiros tempos de ocupação. Sabe-se que a devoção a
Nossa Senhora do Ó teve início na Espanha e, segundo o historiador João Lúcio
D’Azevedo, há fortes indícios de que aventureiros espanhóis sob o comando de
Francisco de Orellana estiveram na Baía do Sol, em 1545, exatamente no dia
consagrado à Santa, conforme relato do Frei Gaspar de Carvajal, escrivão da
viagem.
A
imagem original de Nossa Senhora do Ó veio da ilha das Onças, em 1869, doada
pelo Ten. Cel. José do Ó de Almeida, deputado provincial do
Partido Conservador e autor do projeto de lei da
fundação da Freguesia e da indenização, pela Província do
Grão-Pará, da igreja e cemitério em funcionamento, ao fundo da atual Praça
da Matriz.
Somente no fim do século XX se voltou a falar
e pesquisar o assunto, tendo-se encontrado imagens antigas enterradas sob o
altar das igrejas.”
No dia 05 de outubro de 2008, às 19h30, na
Igreja Matriz, abrindo a Semana Comemorativa aos 140 anos de fundação da
Paróquia, foi apresentada pelo então pároco Pe. José Maria da Silva
Ribeiro e abençoada pelo Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Orani
João Tempesta, a nova imagem de
Nossa Senhora do Ó (exclusiva da Ilha), a qual representa uma visão da Mãe
de Jesus diferente da tradicional, porém sob a luz das Sagradas
Escrituras. Sem dúvida, é uma inovação no culto mariano surgida na Ilha
do Mosqueiro, uma imagem que aproxima a Virgem Maria de todas as mães, para as
quais é exemplo de amor e disponibilidade, elementos essenciais à base
familiar.

Com 60 centímetros de altura e peso de 4,194
Kg, a imagem foi esculpida em cedro pelo artista plástico Afonso Falcão
de Oliveira e apresenta aspecto físico de uma jovem mulher
gestante (Maria aos 15 anos), nos seus últimos dias de gravidez (18 de
dezembro: uma semana antes do Natal). O objetivo é retratar a
alegria da proximidade do parto. O ventre dilatado assume
a forma da letra “O”, o símbolo do infinito (Ela é a Mãe do
Infinito.) e dentro do ventre da Virgem Maria estava a Palavra (“E
a Palavra se fez carne e habitou no meio de nós.” (Jo, 1,14). Os cabelos
longos e caídos sobre os ombros são um gesto de reverência
para com o Senhor, ao qual se colocou inteiramente disponível: “Eis aqui
a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa Vontade. ” (Lc 1, 38).
As vestes reproduzem de forma estilizada
o traje típico das jovens da Galileia. Na túnica, predomina o dourado,
com detalhes em branco e pedras preciosas (a pureza e
a realeza do Filho de Deus). O Sol impresso à
altura do ventre simboliza o próprio Messias, de quem falavam os
profetas e os evangelistas: “Levanta-te, resplandece, pois chegou a
tua luz, e a glória do Senhor brilha sobre ti! Sim, as trevas envolvem a
Terra e a escuridão, os povos, mas sobre ti brilha a luz do Senhor,
sua glória sobre ti se manifesta. ” (Is 60, 1 – 2); “Festeja, filha de
Sião! Grita de alegria, filha de Jerusalém! Aí vem o teu rei: ele é
justo e vitorioso, humilde, ...” (Zc 9, 9); “Graças ao coração
misericordioso de nosso Deus, o sol do alto nos visitará, para
iluminar os que estão sentados nas trevas e nas sombras da morte, e dirigir
nossos passos para o caminho da paz. ” (Lc 1, 78 – 79). No manto que
a envolve, o azul-marinho (a grandiosidade do amor de
Deus como o mar) e o vermelho (o sacrifício
de Jesus na cruz, sinal de nossa redenção). Em seu antebraço,
o azul-celeste simboliza a nossa meta: o Céu,
destino do cristão batizado que segue Jesus (“Eu sou o Caminho, a Verdade e
a Vida! ”). A imagem não traz a coroa, pois representa Maria ainda
em estado de gravidez, portanto na condição humana e terrena. Vale
ressaltar que a Coroação da Virgem Maria como Rainha foi
realizada pela Igreja Católica somente após a sua Assunção ao Céu.
É inegável que a nova imagem da Padroeira dos
Mosqueirenses é um exemplo de modernidade, de ação pastoral inovadora da Igreja
na Ilha. Humanizando a Santa, aproxima-a de todas as mães e de todos nós,
porque a humanidade também tem o seu lado divino e Santos são os homens que
sobrepujam as forças do mal, ultrapassando as barreiras do egoísmo, da
ganância, do vício, da omissão, do materialismo, do ódio, do preconceito, da
falta de amor e do falso moralismo.