segunda-feira, 24 de julho de 2017

A IMAGEM E O TEMPO: "FAROFAFÁ" NA ILHA COM FILÉ, O REPÓRTER QUE DA PÉ




É verão amazônico e hora de aprontar a sacola para ir às praias.
Há 26 anos, o velho e grande rádio gravador carregado no ombro na altura do ouvido era eletro indispensável para quem queria " abafar" com as gatinhas... Isso sem falar na comida.
O dinheiro curto induzia a uma saída caseira de preparar tudo, arrumar no "isopor" e fazer a festa. O farofeiro virou algo pejorativo, sem nunca deixar de ser cultural. Símbolo de Outeiro, Mosqueiro, Marudá, Salinas.
Lá pelo início dos anos 90 do século passado, no programa "Outros" da TV Cultura, um repórter irreverente resolveu registrar esta memória inconsciente para a eternidade.
Mário Filé e seu " repórter que dá pé" nos enviam, na inesquecível reportagem, para aquele verão, antecipando um estilo que explodiria na década. 
No programa encontrado no YouTube, as aventuras de Filé na praia. Em meio à farofa, música nas alturas e tipos para todos os gostos, o registro é uma chance rara de rever uma cidade que ficou na memória.
FONTE: BELÉM ANTIGA
https://web.facebook.com/belemdopassado/?hc_ref=ARRx0lkyaDqEqKRBhMnqFRVW6DD9VXGQxPY9nuqOFClSu0OfPoiVjiU5SG98v7HnRWc&fref=nf

quarta-feira, 19 de julho de 2017

NA ROTA DA HISTÓRIA: UM PALÁCIO APENAS NO PROJETO


A desconhecida história de um palácio que o Murubira, em Mosqueiro, quase teve. Era o ano de 1913 quando a Associação Propagadora de Medicina Natural e Beneficente, anunciava que iria construir na aprazível praia do Murubira, um suntuoso edifício com quase 100 metros de frente, com uma altura de 33 metros e uma torre central.
O empreendimento teria também grande salões para cinemas, teatros, jogos de bilhar, biblioteca e restaurantes, um grande parque, com criação de peixes, áreas de esportes e um colégio misto.
Um palácio que ficou registrado na velha propaganda da revista. Sonhos de uma cidade que um dia sonhou se tornar Paris...

Fonte: Revista Fon Fon 6.9.1913
FONTE: 
https://web.facebook.com/belemdopassado/?hc_ref=ARQWSL173-fLM2G7e48ht3oPctLodkz4aF8L7rKKp0rjth-pGhUvZCobTLJvRZ5R4B8&fref=nf
Fonte: Revista Fon Fon 6.9.1913

quinta-feira, 6 de julho de 2017

EVENTO FESTIVO: 122 ANOS DA VILA DO MOSQUEIRO

Ewerton Freitas

Minha amada e querida Ilha de Mosqueiro 122 anos de história! 
Parabéns Ilha de contos e encantos! 
Que tu sejas tratada como merece por toda tua beleza natural! 
Aqui quero sempre morar e sempre irei te ajudar até os últimos dias de minha vida! 






HINO DE EXALTAÇÃO À ILHA DO MOSQUEIRO

Cesinha dos Anjos



sábado, 1 de julho de 2017

EVENTO CULTURAL: O MASTRO DE SÃO CARALHO

Realizado há mais de vinte anos na Praia do Bispo (Ilha do Mosqueiro), o Mastro de São Caralho congrega muitos foliões no dia 1.º de julho, numa festa puramente profana para celebrar o início das férias e do veraneio. O Mastro de São Caralho, que evidentemente não tem nada de santo, já foi tema de um filme-documentário produzido por Márcio Barradas e premiado no II Festival Internacional de Cinema Social/FEST-FISC.

Segundo a Academia Portuguesa de Letras, "CARALHO" é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas, de onde os vigias perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra. 














O CARALHO, dada a sua situação numa área de muita instabilidade (no alto do mastro) era onde se manifestava com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco.
Também era considerado um lugar de "castigo" para aqueles marinheiros que cometiam alguma infração a bordo. O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros no CARALHO e quando descia ficava tão enjoado que se mantinha tranquilo por um bom par de dias. Daí surgiu a expressão: “MANDAR P’RO CARALHO”.
Hoje em dia, CARALHO é a palavra que define toda a gama de sentimentos humanos e todos os estados de ânimo.
Ao apreciarmos algo de nosso agrado, costumamos dizer: “ISTO É BOM COM’Ó CARALHO”.
Se alguém fala conosco e não entendemos, perguntamos: Mas que CARALHO é que estás a dizer?
Se nos aborrecemos com alguém ou algo, mandamo-lo pro CARALHO.
Se algo não nos interessa dizemos: NÃO QUERO SABER NEM PELO CARALHO.
Se, pelo contrário, algo chama a nossa atenção, então dizemos: ISSO INTERESSA-ME COM’Ó CARALHO.
Também são comuns as expressões:
Essa mulher é boa com’ ó CARALHO (definindo a beleza);
Essa gaja é feia com’ ó CARALHO (definindo a feiura);
Esse filme é velho com’ ó CARALHO (definindo a idade);
Essa mulher mora longe com ’ó CARALHO (definindo a distância).
Enfim, não há nada que não se possa definir, explicar ou enfatizar sem juntar um “CARALHO”.
Se a forma de proceder de uma pessoa nos causa admiração dizemos:
"ESTE TIPO É DO CARALHO”.
Se um comerciante está deprimido pela situação do seu negócio, exclama:
“ESTAMOS A IR P’RÓ CARALHO”.
Se encontramos um amigo que há muito não víamos, dizemos:
“PORRA, POR ONDE CARALHO É QUE TENS ANDADO? ”                                         
É por isso que lhe envio este cumprimento do CARALHO e espero que o seu conteúdo lhe agrade com ‘ó CARALHO, desejando que as suas metas e objetivos se cumpram, e que a sua vida, agora e sempre, seja boa com‘ ó CARALHO.
A partir deste momento poderemos dizer "CARALHO", ou mandar alguém pro "CARALHO" com um pouco mais de cultura e autoridade académica ...
Envie esta mensagem para alguém de quem goste com’ ó “CARALHO”.
E TENHA UM DIA FELIZ! “UM DIA DO CARALHO”.

FONTE: http://www.docspt.com/index.php?topic=4704.0


Os organizadores do II Festival Internacional de Cinema Social / FEST-FISC divulgaram a programação oficial do evento, que vai acontecer nos dias 8, 9 e 10 de fevereiro. Atividade cultural autogestionada do FSM, aberto para todos os formatos, tecnologias e linguagens, o FEST-FISC, que recebeu filmes das mais diversas origens e propostas estéticas, não tem caráter competitivo: todos os seus participantes recebem “Menção Honrosa”.
Sob responsabilidade do professor-doutor Hilton P. Silva, do departamento de Antropologia da UFPa; e do poeta e realizador de cinema, o professor-especialista em semiótica Francisco Weyl, a organização/curadoria garante que o FEST-FISC valoriza a diversidade, a relação local-global e a cultura como produção simbólica de construção de identidades e de espaços plurais, de natureza intercultural, para a manifestação artística, a fruição estética e o diálogo solidário.
A novidade deste ano, entretanto, é que, além de ser realizado na Universidade Cheik Anta Dioup, em Dakar, Senegal, durante o Fórum Social Mundial (FSM 2011), o FEST-FISC terá uma extensão Brasil, mais exatamente Belém, no âmbito do projeto Cinema de Rua, que retoma as suas atividades cineclubistas na Praça Tancredo Neves, sob a coordenação do Cineclube Amazonas Douro, REDE Aparelho e Movimento Cultural da Marambaia.
Entre os filmes selecionados estão “”Como a noite apareceu”, de Regina Mainardi (Espírito Santo); “O futuro manda notícias”, de Amaury Tangará (Mato Grosso); “Visagem”, de Roger Lou (minas Gerais); “Sonoro Diamante Negro”, de Suely Nascimento (Pará); e “O mastro de São caralho”, de Márcio Barradas (Pará). Além destes filmes, o II FEST-FISC fará duas mostras (“Os 7 filmes capitais”, com sete filmes que participaram do I FEST-FISC, e “Resistência Marajoara”, com filmes produzidos por jovens realizadores da ilha do Marajó). Todos estes filmes passarão a fazer parte do acervo da PARACINE – Federação Paraense de Cineclubes, que os utilizará com fins educativos, sem que os mesmos venham a ser comercializados ou reproduzidos.



Tradição que remonta há pelo menos 20 anos, o Mastro de São Caralho se apresenta como marco diferencial, por não existir como parte constituinte de festividade nenhuma, mas sim por ser ele mesmo a própria festividade. Some-se a isso o fato de propor uma recusa à tradição sincrética, por ‘inventar uma tradição’ própria de profanidade, remontando ao mitológico deus grego Príapos, o São Caralho daquela época. O São Caralho é milagroso e phoderoso; sua índole, contestatória e anti-hipócrita; sua longa e dura luta sempre será contra qualquer forma de discriminação, não aceitando interferência alguma de qualquer tipo de “otoridades”, quaisquer que sejam. Sua festividade não tem fins lucrativos. E como o mastro é reciclado, é também, enfim, um “santo” ecológico. Por isso, seu número de ‘devotos’ vem se expandindo numa proporção geométrica. Trata-se de uma divindade do povo, não das elites.
Argumento, roteiro, operador de câmera e realizador: Márcio Barradas
Assistente de câmera e operador de boom: Marcelo Bittencourt
Participações: Alcir Rodrigues, Daniel Tavares, Aldo de Vasconcelos, Carlos Augustos Fonseca e Diva Palheta.



MEIO AMBIENTE: O MURO DO BISPO VAI CAIR!

O muro de arrimo dos barrancos da praia do Bispo, o mais antigo da Ilha do Mosqueiro, que foi inaugurado em 1936 pelo prefeito Alcindo Cacela, está prestes a cair (Fotos - Wanzeller 2011).























































A ação do tempo, a infiltração das águas pluviais, a força das marés e a falta de conservação nos últimos cinco anos, responsabilidade da Prefeitura Municipal de Belém, colocam em risco de desabamento uma obra de 81 anos, cuja utilidade e importância histórica são incontestáveis (Fotos de 2017).
















Enquanto o Poder Público dorme, embalado nas redes da "burrocracia", a Natureza age e o povo fica "a ver navios que passam ao largo", aguardando as reformas na orla da Ilha e a interminável construção do Terminal Hidroviário. Espero que aquelas colunas, lembranças de uma obra inacabada da década de 50, sirvam de alerta para a atual administração (Fotos de 2017).





lerta para a atual administração.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

EVENTO RELIGIOSO E CULTURAL: FESTIVIDADE DE SÃO PEDRO DO AREIÃO



Há noventa e nove anos atrás, na manhã do dia 29 de junho de 1918, sob uma frondosa mangueira na praia do Areião, Dona Izabel Magalhães, matriarca da família Palheta, ladeada pelas senhoras Isaura Magalhães e Helena Magalhães, aguardava ansiosa a chegada dos barcos que conduziam o quadro de São Pedro, numa bonita e alegre procissão fluvial.



Ano passado, na tardinha de 28 de junho, também ansiosa e emocionada, a Prof.ª Maria Diva Palheta Bittencourt, promotora da festividade quase centenária, embora debilitada pelo tempo e pela doença, esperava, com a mesma firmeza de outrora, a chegada do Mastro do Santo, um dos símbolos folclóricos da festa, que nos remete aos tempos de agradecimento dos pescadores pelos frutos da terra e do mar.

A imagem pode conter: 7 pessoas, pessoas sorrindo



Hoje, essas senhoras, como centenas de pessoas que já se foram deste mundo, não mais estão presentes de corpo na praia do Areião, mas, com certeza, pelo alto significado religioso, histórico e folclórico desta festa, estão e continuarão presentes em espírito, pois, através de uma fé inabalável no Santo Pescador de Almas, tiveram a honra de construir uma bonita história intimamente ligada às origens da Vila do Mosqueiro e, com essa tradição, passaram a integrar a alma coletiva do povo mosqueirense.
Que cada um de nós tenha a humildade de agradecer a Deus pela Vida e pela oportunidade de participar mais um ano deste legado tradicional de nossos antepassados!

domingo, 25 de junho de 2017

CANTANDO O VER-O-PESO: Sampleados: Especial de Ver-o-Peso



Sampleados: Especial de Ver-o-Peso

A LITERATURA E A ILHA: CIRCUITO - ESCRITORES DA PRAIA



Circuito - Escritores da Praia

sábado, 24 de junho de 2017

CANTANDO CARIMBÓ: DONA ONETE - JAMBURANA





 Dona Onete - Jamburana

EVENTO CULTURAL: Charme da Ilha vence concurso de quadrilhas do programa É do Pará em 2017


A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, no palco e dançando
                                                         Foto de Rodrigo Trindade

A quadrilha Charme da Ilha foi a campeã do concurso de quadrilhas do programa É do Pará em 2017! O resultado foi divulgado neste sábado (24), após as três quadrilhas finalistas se apresentarem ao vivo durante a grande final. Com a vitória, o grupo leva para a ilha de Mosqueiro o troféu comemorativo do arraial do É do Pará. 
O grupo de Mosqueiro recebeu dois votos durante a apresentação ao vivo, ficando empatado na avaliação do júri técnico com a quadrilha Romance Matuto. A decisão, então, coube aos internautas que participaram através da enquete aberta no site do É do Pará para escolha da quadrilha vencedora.
E a preferida na internet foi justamente a quadrilha de Mosqueiro! O grupo Charme da Ilha teve 38 mil votos, que representam 54% do total. Para os internautas, o grupo Forró Sanfonado ficou em segundo, com mais de 22 mil votos (32%).
Mais de 70 mil pessoas participaram da votação popular, que foi aberta quarta-feira (21) e encerrou neste sábado, após as apresentações das quadrilhas.

Conheça a trajetória da quadrilha

A quadrilha Charme da Ilha garantiu sua vaga na final ao vencer a segunda eliminatória do concurso de São João do É do Pará no dia 10 de junho. A votação do júri técnico terminou empatada, então coube aos internautas decidirem o grupo vencedor – e foi a Charme da Ilha que conquistou a preferência dos internautas: em enquete aberta no site do É do Pará, o grupo teve 69,71% dos mais de de 21 mil votos.
A quadrilha do distrito de Mosqueiro foi fundada em 5 de fevereiro de 2007, e já venceu o concurso realizado pela agência distrital da ilha duas vezes. O grupo tem 20 brincantes e 5 diretores, que ensaiam de segunda a sexta em uma quadra de esporte. Eles usam as cores lilás e rosa, e dançam em 2017 com o tema “Alegria de São João”, que comemora os seus 10 anos de fundação.

FONTE DO TEXTO: http://g1.globo.com/pa/para/e-do-para/noticia/charme-da-ilha-vence-concurso-de-quadrilhas-do-programa-e-do-para-em-2017.ghtml

sábado, 17 de junho de 2017

CANTANDO A ILHA: E O VERÃO CHEGOU NA AMAZÔNIA.......(CRÔNICA)

Ao ajoelhar-se notou que uma de suas desilusões amorosas estava fora de órbita! Que fazer? Adorou essa novidade de buraquinhos férteis...E lá estava também uma velha notícia, e toda notícia ainda que artificial possui seu personagem...ou personagens que imploram nessas músicas lentas e românticas, faz parte do verão que está surgindo, venha meu amor, me desarme, quero chorar pela manhã...quero acordar cedo, jogar coisas velhas...outras mandar embora, que silêncio árduo e ironias baratas, que tal abrir um livro já amarelado, pelo menos agora já existe mais coragem, há drinks amigos, telefonemas que já estavam mortos na roupa que utilizávamos para sair a noite...mas que peito é esse? Onde todos estão entrando, céu azul e os sentimentos para escrever...quando tudo é tempo, inclusive da pergunta também jurar, e eu fico aqui derramando lágrimas sem sentido sobre os teclados, ah como eu queria que fossem teclas de um piano de cauda! As formigas voariam...a casa seria toda palco...e eu veria sumir muitas cicatrizes, pra que moer tantas sutilezas caro poeta da ilha do Mosqueiro!? Tua terra natal é a tua mediunidade, quantas vezes fui obrigado a guardar bem escondido tudo o que sentia...mas hoje dane-se! Venha luz do dia me trazer paz de espírito...luminosidade atrevida, se antes eu era um palhaço de arame farpado, hoje sou república de cafuné com as cores da lua! Venha verão, traga-me as mulheres nuas, seja a ficção ou a verdade...quero uma xícara bem simples e bordada, passarinhos com asas geladas...creio que nenhuma tela ficará vazia e as gulas serão bem educadas...seja bem vindo verão! Julgue nossa clarividência, nossas palavras, estou aqui sendo o suficiente...vendo o sorvete subindo e descendo escadas...muitos irão dizer que eram as nuvens, tudo bem, aceito as intensidades...é no verão que a sabedoria troca de casca...ou se você preferir, por mim é assim, ela troca de roupa com as janelas abertas...escancarando almas!

FONTE: https://web.facebook.com/gigio.ferreira.5?hc_ref=NEWSFEED&fref=nf

quarta-feira, 14 de junho de 2017

CANTANDO A ILHA:: ZOOLÓGICO DE VALOR

Prof. Eduardo Brandão



Se você frequenta Mosqueiro com assiduidade ou pretende vir morar por aqui – MUITO CUIDADO, você está arriscado a receber o nome de algum animal como apelido. De qualquer forma, se isso vier a acontecer, fique tranquilo, isso significa que você já faz parte do seleto grupo de “celebridades” locais.
Dando sequência ao objetivo do Blog Mosqueiro Pará Brasil de resgatar a memória da “ILHA”, publico, desta vez, o trabalho em “prosa” ou “poesia” do Manoel Gomes da Silva que, na época em que se comemorava os 100 anos de Mosqueiro, dedicou de um modo muito especial àquelas pessoas que através dos seus apelidos, lhes deram condições de produzir esta obra.


                  I
Já escrevi sobre Mosqueiro
A Vila maravilhosa
Escrevendo sobre as praias
Meu livro foi feito em prosa
Pois Mosqueiro eu comparo
Com um jardim cheio de rosas

                  II
E agora eu vou falar
E peço a vossa atenção
É sobre os animais
E também as suas funções
Que exercem no Mosqueiro
Bem no meio do povão

                  III
Os animais que me refiro
São pessoas que moram aqui
E que lograram apelidos
Sem deles poder fugir
E aceitaram numa boa
Sem resmungar ou sair

                  IV
A história que vou escrever
É sobre esses animais
Vou dizer o que eles fazem
Na vida profissional
Falando de cada um
Sem ferir sua moral

                  V
Pois nós aqui no Mosqueiro
Damos apelido em tudo
Quem mente é verdadeiro
Quem fala muito é mudo
Quando é magro e come muito
Seu apelido é pançudo
                    VI
Mas nessa minha história
Vou simplesmente falar

Das grandes atividades
Das pessoas que vou citar
Que trabalham e exercem bem
O que eu vou analisar

                  VII
Pois aqui neste Mosqueiro
O animal tem valor
Pois o CAVALO é motorista
GERICO guia trator
BARATA corta cabelo
LONTRA é distribuidor

                  VIII
MACACO é protocolista
CUTIA é grande pedreiro
GATO tem padaria
BAIACU é açougueiro
CALANGO é farmacêutico
CURIÓ é marceneiro

                  IX
CORÉ toca pistão
MUCURA é funcionário
BACU é um taxista
SAPO é comerciário
FOCA já é aposentado
E RÃ um bom operário

                  X
MUTUCA é pescador
PATATIVA é sapateiro
BODE era pintor
GALO é um bom padeiro
GARNIZÉ é profissional
Em motor de geladeira

                  XI
COBRA é um bom motorista
E ANUM já foi coveiro
O BOI é um vigia
O TREQUE camarueiro
PIABA é capataz
E também é baiuqueiro

                  XII
PREGUIÇA era jogador
PEREMA é um mestrão
Com madeira ele faz tudo
E fabrica até pião
CAITITU está doente
E já não trabalha não

                  XIII
No tempo que trabalhava
No trabalho era exemplar
Trabalhava numa firma
Que se pode até lembrar
Uma indústria de borracha
Grande fábrica Bitar

                  XIV
O BURRO também é mestre
É pedreiro e carpinteiro
Gosta de boi-bumbá
E brinca e ano inteiro
Ainda faz bico aos domingos
Pois também é sorveteiro

                  XV
JACARÉ é exigente
Trabalhava no restaurante
O PACA na prefeitura
Se julga até importante
O BOTO trabalha sempre
Em serviço ambulante

                  XVI
O PORCO é um bom ferreiro
Também jogava uma bola
TATU o rei do telhado
Construidor de uma escola
Hoje em dia já está idoso
E nunca pediu esmola

                  XVII
ARARA se aposentou
Motora de caminhão
GURIJUBA empresário
VAGALUME faz carvão
MANDIÍ é bom pedreiro
Trabalha em construção

                  XVIII
MORCEGO é o rei do azulejo
É príncipe do acabamento
Trabalha sempre à noite
Com madeira e com cimento
Trabalha na profissão
Que tem bom conhecimento

                  XIX
PATO era operário
Só que cedo se acabou
Pois pegou uma doença
E a sua morte brusca
A sua família se enlutou

                  XX
CAMARÃO é gente boa
Tem fama de brigador
Se fia que é tira-gosto
Por isso já se ferrou
Mas é o cara bacana
E até um bom pescador

                  XXI
GRILO é um bom peixeiro
E trabalha todo dia
Lá no mercado da vila
Onde tem boa simpatia
Ao lado do seu BARATA
Peixeiro lá da Vigia

                  XXII
SIRI na luta ficou cego
E passou a tocar violão
Quando era bom ele era
Pescador de camarão
A doença obrigou-lhe
A mudar de profissão

                  XXIII
CARANGUEJO é taberneiro
O ACARI já morreu
Era um bom lavrador
E muita produção deu
Morava em Caruaru
O lugar onde nasceu

                  XXIV
Temos o BACU LAVADO
É um grande eletricista
É um bom profissional
Sempre teve suas conquistas
Se aposentou e hoje vive
Uma vida de artista

                  XXV
Existia o CACHORRINHO
Que já estava aposentado
Trabalhava lá na praça
E era um homem esforçado
Com sua morte sua família
Veio sentir um bocado

                  XXVI
Temos também o CACHORRO
Que trabalha em construção
É um grande profissional
Leva sério a profissão
Para construir com ele
Tem que ter a planta na mão

                  XXVII
CHITA é operado
Trabalha com motosserra
É derrubador de árvore
E sempre diz que nunca erra
Ele diz que é bode velho
Apanha e nunca berra

                  XXVIII
O velho CAMALEÃO
Deus a tempo já levou
Trabalhava com madeira
Era um grande construtor
Era o rei do caixão que fabricou

                   XXIX
JACURARU foi funcionário
Da prefeitura daqui
Trabalhou há muitos anos
Na profissão de gari
Era um homem sociável
Vivendo sempre a sorrir

                  XXX
Tem o velho CURIÓ
Que é um bom trabalhador
Ele faz de tudo um pouco
Já foi até pescador
Se elogia entre os garis
Diz que é um grande professor

                  XXXI
Temos o jovem PICA-PAU
Ele é um pouco matreiro
É filho do Manoel Gomes
Genro do Manoel Monteiro
É vigia de uma escola
Também um bom biscateiro

                  XXXII
Tem um TUCANO na ilha
Há muito ouvi falar
Eu não sei o que ele faz
E não posso analisar
Conheço em Sucurijuquara
Meu amigo SABIÁ

                   XXXIII
Esse amigo SABIÁ
É empreiteiro de obras
Trabalha em grandes firmas
Não é homem de manobras
E trabalha porque tem
Conhecimento de sobra

                  XXXIV
PINTO tem cachorro quente
E é um bom funcionário
Trabalha já algum tempo
No terminal rodoviário
PERERECA é um pedreiro
E é um bom operário

                  XXXV
MATUPIRI vende há tempo
CARANGUEJO no mercado
MAPARÁ era escrivão
Mas já está aposentado
ZÉ CAÇÃO é um bom peixeiro
Quando alguém está ao seu lado

                  XXXVI
BOTINHO é funcionário
Trabalha em administração
Lá no mercado da vila
Que exerce sua função
Zela para que haja lá
Uma boa organização

                  XXXVII
Tinha o velho CORUJA
Que já era um pedreirão
Tinha também o ROLINHA
Que eu não sei sua profissão
Gostava de marretagem
Vendendo açaí e carvão

                  XXXVIII
Tem também o CURUPIRA
Que é um homem bem zangão
Trabalha de biscateiro
Tem até bom coração
E sua maior virtude
Que é torcedor pelo LEÃO

                  XXXIX
Temos o senhor PIPIRA
Um homem muito brigão
Que gosta de uma intriga
Em qualquer ocasião
Dizem que herdou do pai
Que se chamou FORMIGÃO

                  XL
Temos o MICO do táxi
Que é um amigalhão
E é um bom taxista
Já trabalhou em caminhão
Seu maior defeito às vezes
É andar na contramão

                  XLI
E o senhor JAÇANÃ
Que é um homem de bem
Trabalha de motorista
Na cidade de Belém
Já me disse que não gosta
De falar mal de ninguém

                  XLII
E tem o jovem MOSQUITO
Que já foi acidentado
Apanhou uma grande queda
Que lhe deixou aleijado
Mas com a graça de Deus
Já melhorou um bocado

                  XLIII
Temos ainda outro MOSQUITO
Que trabalha de marceneiro
E o JABUTI CARUMBÉ
Que trabalha de pedreiro
Tem também seu TEM-TEM
Que é um grande marreteiro

                  XLIV
E o senhor CUANDU
Que gosta de uma seresta
Ele diz que é homem bom
Não traz letreiro na testa
E a profissão que ele gosta
É ser porteiro de festa

                    L
PATURI joga uma bola
E é até um bom jogador
CANÁRIO era barbeiro
E CUPIM carregador
QUATI um grande açougueiro
RATO CEGO lavrador

                  LI
Tem o POMBO do táxi
Tem o POMBO da Marinha
Tem outro POMBO motora
Que até comércio tinha
Tem o POMBO da dezesseis
Que tem uma baiuquinha

                   LII
João VIADO vende PEIXE
ARRAIA é marreteiro
CHULA era pescador
MUCUIM grande pedreiro
PIRARUCU já morreu
E era um grande padeiro

                  LIII
O BACUÍ já morreu
Era o pai da Dagmar
Trabalhava na indústria
Até vir se aposentar
Foi grande trabalhador
Lá na fábrica Bitar

                  LIV
Também existia um homem
Bom de bola pra chuchu
Sua profissão eu não lembro
Dizem que vendia beiju
Era filho do seu Heráclito
Se chamava CURURU

                   LV
BICUDO é motorista
Guia sempre um caminhão
Mas tem outro BICUDO
Que eu não sei sua profissão
Ele vendia raspa-raspa
Na frente do Canecão

                  LVI
Temos também o BIGODE
Que é um bom motorista
Mora lá no aeroporto
Passando um pouco da pista
Fala que não usa óculos
Pois é muito bom de vista

                   LVII
E o senhor PORAQUÊ
É um grande trabalhador
Sua grande profissão
Era de carregador
Hoje ele vive mais de bicos
Já foi até pescador

                  LVIII
SARARÁ é um bom pedreiro
Gosta de uma empreitada
E quando vai construir
Topa qualquer parada
Nas construções que ele faz
Eu nunca vi dar mancada

                  LIX
Tinha o velho PICOTA
Pedreiro de profissão
Foi grande comerciante
Em nossa povoação
Era um homem pacífico
E muito bom de coração

                  LX
CAMORIM era pescador
De peixe e de camarão
PESCADA era servente
Trabalhava em construção
E era um cara bacana
E homem de boa ação

                  LXI
BACURAU era padeiro
E que muito trabalhou
Na padaria do “seu” Oscar
Lá até se aposentou
E até em sua vaga
O senhor ITUÍ ficou

                  LXII
Pois ITUÍ é bom padeiro
E ninguém diz que não é
Trabalha e é pontual
Bem cedinho está de pé
Já me disse que é devoto
Da Virgem de Nazaré

                  LXIII
E aqui estou terminando
A história que criei
Sobre todos os animais
Que apelido alguém deu
Peço desculpas e perdão
Se alguém comigo se ofendeu

                  LXIV
Por isso eu vos agradeço
Com toda a minha alegria
Também agradeço a Deus
E a Santa Virgem Maria
Pela grande inspiração
Pra rimar esta Poesia

                  LXV
O meu nome é MANOEL GOMES
Sou um simples funcionário
Eu nasci em 37
Julho é meu aniversário
Eu sou filho do Mosqueiro
Ele é o meu berçário

                  LXVI
E pra finalizar
Esta história popular
Quero dar vivas ao Mosqueiro
Também parabenizar
Pelos CEM ANOS DA VILA
A qual está a completar

                  FIM


FONTE: http://mosqueirosustentavel.blogspot.com.br/2015/03/zoologico-de-valor.html


quinta-feira, 8 de junho de 2017

A FICÇÃO E A ILHA: ARACAPURI


Já circula na Ilha o livro de Graciliano Ramos Milhomem com o título de Aracapuri. A obra, que classificamos como literatura infanto-juvenil, é ambientada no Mosqueiro da década de 50 e tem sido bastante elogiada pelos leitores locais. 

                       

Mais do que um conto, Aracapuri é uma crônica da floresta, pois registra também flagrantes pitorescos e interessantes da vida real do ribeirinho, embora numa outra época. E o autor, Graciliano Ramos Milhomem, amazônida maranhense que se tornou um filho ao mesmo tempo amante convicto de nossa Ilha, conseguiu captar esses momentos em sua viagem imaginária ao passado. Apesar da simplicidade do enredo, condizente com a temática abordada, a obra desperta o interesse do leitor pela facilidade com que Graciliano narra os fatos e descreve as cenas, prova inconteste da íntima relação do autor com a Natureza, iniciada nos tempos de criança, quando trabalhava como castanheiro em Marabá.