terça-feira, 10 de novembro de 2015

JANELAS DO TEMPO: AEROPORTO NA ILHA

 

Autores: Prof. Francisco Almeida e Prof.ª Maria Beatriz Mendes

O bairro do Aeroporto na Ilha do Mosqueiro, que fica a cinco quilômetros da Vila, tem a origem do nome por funcionar como campo de pouso feito por aviões de pequeno porte nesse local, nas décadas de sessenta e setenta. Tinha uma pista principal de 900 metros, um pequeno hangar com um funcionário que coordenava a linha aérea Mosqueiro-Belém, sem instrumentos específicos da aviação e curso qualificado, o senhor “Capitão Rufino”, como era conhecido. Durante duas décadas, trabalhou a bem do desenvolvimento desse bairro e da aviação, ficando no anonimato, porém contribuindo muito para a urbanização dessa comunidade. Tentando escrever sobre o Bairro do Aeroporto, entrevistei o casal, o filho do seu Raimundo Rufino Lemos, chamado Francisco Araújo Lemos, e a sua esposa Maria Lemos; os mesmos se reportaram dessa forma:

“O aeroporto, no início, era só mato, mato, não tinha casas. O meu pai veio do Ceará em 1961; depois o prefeito de Belém, Carlos Arruda, mandou construir uma pista de asfalto, fez um hangar e um bar dentro e chamou o meu pai para ser funcionário da prefeitura e tomar conta do hangar e do bar, em 1963. No bar, vendia café, refrigerante, bebida para os pilotos e passageiros. Nos finais de semana ficavam 18 aviões no hangar. A viagem para Belém durava em média de cinco a quinze minutos. Os aviões quando passavam de madrugada só faltavam derrubar as casas; uma vez um avião bateu num abacateiro e ficou sem as asas, só com o corpo da aeronave no meio da pista, mas ninguém morreu; era um treinamento de pilotos. Meu pai trabalhou do início da fundação do aeroporto até fechar, com a chegada dos cabos de alta tensão da CELPA, porque ficou proibido o pouso dos aviões; mas antes disso, com a abertura da ponte Belém-Mosqueiro, nesse período o trânsito de aviões já era pouco, pois muitas pessoas já tinham automóveis e aos poucos foram sumindo os transportes aéreos” (Francisco e Maria Lemos, 24/10/2012).

Esse modelo de trabalho desenvolvido no aeroporto de Mosqueiro era conhecido como “guarda-campo” e foi a profissão do “Capitão Rufino”, que trabalhou no comando de pouso dos teco-tecos que faziam a linha aérea Belém-Mosqueiro- Marajó, transportando em média quatro pessoas contando com o tripulante e, em outros momentos, serviam para o transporte de peixes e jacarés, geralmente para o abate comercial; os aviões eram de propriedade particular e da empresa Aeroclube da cidade de Belém. Segue foto do antigo Hangar ainda resistindo ao tempo e à urbanização do bairro do Aeroporto.

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Seu Francisco recorda que logo quando veio do Ceará o bairro era só mato, o mesmo já era rapaz, trabalhava e, nos finais de semana, acompanhava o pai. Afirma também que teve o prazer de pegar carona nos teco-tecos, a pedido de seu pai para os pilotos, quando era necessário, e os mesmos não negavam a carona. Hoje, sendo septuagenário (78 anos), lembra-se de tudo que viu na história da aviação no Mosqueiro. Em homenagem ao seu falecido pai, há uma Alameda em Mosqueiro chamada Alameda Rufino.

FONTE: Pereira, Francisco Antônio Almeida, Mendes, Maria Beatriz Pacheco. Mosqueiro: uma Viagem ao Passado. Belém: Imprensa Oficial do Estado. pp. 46, 47 e 48.

MOSQUEIRANDO: Não é bom lembrar, mas o histórico prédio do HANGAR já não existe! Contudo, os primeiros aviões a pousarem na Ilha não o fizeram nesse aeroporto. Em 1927, o “Breguet 118” e, em 1929, o monomotor “Peru” desceram na praia do Chapéu Virado e, durante a 2ª. Guerra Mundial, vários hidroaviões e até um Zeppelin pousaram na praia do Farol.

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