quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

TROCA DE OPINIÕES: O APELO DA JUVENTUDE

MOSQUEIRANDO: Publicamos este texto no Jornal do Mosqueiro, na década de 1980, procurando retratar a juventude mosqueirense da época. O mesmo texto foi reproduzido, em 1993, no Informativo do Mosqueiro, do Prof. Marco Antônio O. Chagas e, agora, nós o submetemos à reflexão dos internautas que visitam este blog. Eis a questão: O que mudou em nossa Ilha e em nosso país sobre a juventude e seus problemas, as instituições e suas propostas? Comente, opine, proponha!

O APELO DA JUVENTUDE

 

“Assemelhando-se ao carioca, o jovem mosqueirense vive num clima de euforia e liberdade condizente com a própria paisagem física e social da Ilha. É alegre, brincalhão e, naturalmente, simpático. Adora festas, procura trajar-se de acordo com a moda e falar bem, numa linguagem de comunicação muitas vezes pontilhada de gírias e expressões coloquiais que, em geral, são criadas nos grupinhos de rua. Sua característica fundamental é o espírito gozador, com o qual transforma os fatos mais chocantes em piadas cômicas ou maliciosas. Como bom brasileiro, empolga-se com o carnaval e é fanático por futebol. Qualquer espaço lhe serve para rolar a redonda, principalmente nas praias, onde a pelada, quase sempre arbitrada no grito, é mais emocionante e, algumas vezes, termina com a advertência da polícia, quando um chutador sem pontaria acerta uma bolada em alguém que nada tem a ver com a disputa. E por falar em praia, esta é a grande diversão da juventude mosqueirense que, nos fins-de-semana, feriados ou nas badaladas férias de julho, desfila em roupas sumárias, nas belas e aprazíveis praias da Ilha. O jovem mosqueirense sabe remar, pescar e nadar, mas não facilita, pois tem um grande respeito pelo mar. Casos de afogamentos são raríssimos. A cerveja, a cachaça, a caipirinha, a batida e o vinho são suas bebidas prediletas, consumidas quando surge algum pretexto de comemoração ou como acompanhamento indispensável de qualquer “avoado”, que não é nada mais, nada menos do que o ato de assar o peixe geralmente na beira das praias ou dos igarapés, talvez uma lembrança dos antigos habitantes da Ilha, aqueles índios que andavam moqueando o pescado e, com certeza, bebendo cauim. Bicicleta e moto são os transportes preferidos e a paquera jocosa, seu ofício constante. Um toque de malandragem, algumas vezes, completa o retrato dessa juventude, que ainda conserva a capacidade de sorrir.

Porém nem tudo são flores e alegrias na ilha-paraíso. Aliás, todo paraíso que se preza tem suas “maçãs” e suas “serpentes”. E aqui não poderia ser diferente. A marginalidade, o tóxico, a promiscuidade sexual, as doenças venéreas, a gravidez indesejada, o aborto, o desemprego, o desrespeito e a violência são problemas que afligem muitos desses jovens. Não são problemas típicos da Ilha ou somente da juventude atual. São problemas universais que atravessam os tempos e mudam os destinos. Já na época dos filósofos gregos, diziam que a juventude estava perdida. No entanto, a turma sempre deu a volta por cima e o mundo não acabou e, se depender da juventude, jamais acabará.

Exigir, comandar, reprimir foram verbos bastante conjugados, principalmente nesses vinte anos de opressão. Ora, a opressão gera revolta e o proibido é mais desejado. A juventude tem grande potencialidade e precisa apenas de uma orientação segura. Essa orientação deve partir da família, da escola, da Igreja e daqueles que se dizem ou pretendem ser os responsáveis por este povo e por este país.

Acontece que os pais, que em sua maioria fazem parte da classe operária, com seus salários devorados pela inflação, trabalhando como burros-de-carga para sustentar o capitalismo selvagem que assola este país, não dispõem de tempo para os filhos. A Igreja, por sua vez, nem sempre vem ao encontro dos anseios da juventude, principalmente porque vivemos uma era dominada pelo materialismo e as palavras fé, amor e caridade perdem-se no ar, não sendo transformadas em ações. Por outro lado, a escola, cujo objetivo precípuo é desenvolver no indivíduo as suas capacidades físicas, espirituais e intelectuais, parece-me falida e distante da realidade, com professores mal preparados e mal remunerados, sem metodologia convincente, currículo adequado, material didático e sem democracia.

E os nossos governantes, os representantes do povo, os líderes das comunidades, os paladinos das instituições devem, por um momento, esquecer os interesses pessoais e partidários e pensar no povo, pensar na juventude, pois existem problemas e encontrar soluções é apenas uma questão de boa vontade”.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

JANELAS DO TEMPO: TRIBUTO AO SIBAMBA

Autor: Carlos Augusto Santos

 

Escolhemos esse tema para o enredo desenvolvido, no Carnaval de 2010, pela E. S. Estação Primeira de Maracajá, com o intuito de homenagear um ilustre personagem que o mundo do samba perdeu: ele que muito representou a esse gênero da música brasileira, na noite, nas praias, nas casas de show, nas escolas de samba, enfim, nos palcos da vida.

Seu nome era João Francisco da Silva. Nasceu em Petrolina, Pernambuco. Na condição de andarilho, ainda muito jovem, resolveu sair da sua pequena cidade, em busca de melhores condições de vida em outros centros mais desenvolvidos. Assim, saiu caminhando, conhecendo novos lugares, novas pessoas e, também, novas oportunidades.

No Maranhão, passou por várias cidades e conheceu vários costumes e manifestações religiosas como, por exemplo, a Umbanda. Tornou-se assíduo frequentador dos terreiros e fez muitas amizades com pais-de-santo do lugar.

Sempre com seu espírito aventureiro, um dia João Francisco saiu do Maranhão e caminhou rumo às terras paraenses, escolhendo a ilha do Marajó, mais precisamente a cidade de Soure, para passar um tempo. Foi, nessa cidade do Pará, que ele conheceu o carnavalesco e empresário Mário Couto, hoje senador da República. Ao convite de Mário Couto, Sibamba (como era conhecido) chegou até Belém.

Nessa época, a Escola de Samba Arco-Íris era considerada a revelação do Carnaval paraense, trazendo grandes estrelas do Rio de Janeiro para desfilarem na destacada agremiação do bairro do Guamá: a Nega Piná; Celso, Mestre de Bateria; Laila, Diretor de Harmonia; o carnavalesco Joãozinho Trinta; Carlinhos de Pilares, grande intérprete de samba da Caprichosos de Pilares, na época no grupo de elite.

Destacavam-se também Fernando Gogó de Ouro e Sibamba, que cantava, sambava e fazia acrobacias com o pandeiro. Tudo isso num tempo em que o Carnaval de Belém chegou a ser o terceiro do Brasil.

Em Belém, Sibamba viveu de modo bastante ativo. Ele era muito requisitado para fazer shows de pagode, serestas e concursos de calouros da Rádio Clube do Pará. Cantava para os grandes notívagos de Belém, como Alencar do Lapinha e João Bosco Moisés do Rancho. Na ilha do Mosqueiro, ele vivia sempre acompanhado por boêmios, pagodeiros, músicos e pessoas ligadas à vida noturna mosqueirense.

Sibamba passou a ser considerado um show man. Era repentista, pagodeiro, seresteiro, intérprete de samba-enredo e fazia acrobacias com o seu inseparável pandeiro. Sambava também com uma leveza impressionante. Suas apresentações, sempre, foram um grande sucesso: sua voz e suas interpretações encantavam as pessoas.

Financeiramente, ele nunca recebeu o reconhecimento compatível com o seu talento. Nos últimos tempos, já bastante abatido pelo alcoolismo, ele cantava nas barracas da praia e, ao final de suas apresentações, pedia ajuda aos admiradores e amigos presentes. As pessoas colocavam moedas e às vezes, generosas cédulas dentro do chapéu do artista.

Dos grandes palcos de sucesso por onde passou, aos poucos as portas se foram fechando, até que a última luz que iluminava o seu show se apagou. Sibamba foi vencido pela dependência maléfica do vício e não teve mais forças para se reerguer.

Para nossa tristeza, no dia 26 de dezembro de 2008, ele mergulhou e desapareceu para sempre, nas águas da praia do Areião. O corpo do artista nunca foi encontrado. Aos cinquenta anos, a grande voz emudeceu.

O nosso objetivo é tentar mostrar, para as pessoas ligadas ao samba e à música de um modo geral, o lado brilhante e positivo desse grande artista que foi Sibamba e que, para o nosso orgulho, cantou e alegrou muita gente, quando se apresentava na Estação Primeira de Maracajá, aqui na Ilha. Os nossos sinceros agradecimentos à Srª. Maria do Socorro Lima Santos e aos seus seis filhos, que nos ajudaram, fornecendo dados para a feitura deste relato.

MOSQUEIRANDO: Carlos Augusto Santos também compôs o samba-enredo da E. S. Estação Primeira de Maracajá, naquele Carnaval de 2010, homenageando SIBAMBA, o saudoso sambista pernambucano, que parou no Pará e escolheu a ilha do Mosqueiro como a sua última morada. Carlos Augusto assim escreveu:

“A luz do palco se apagou,

Mas o show não terminou.

Nós, sambistas, não vamos esquecer

E guardamos os aplausos pra você!”

CARNAVAL NA ILHA: UNISAM NA FOLIA

 

Desfile da UNIVERSIDADE DE SAMBA DO MOSQUEIRO (UNISAM) realizado no domingo gordo, à noite, homenageando o Cartorário Belém Amazonense da Costa.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

JANELAS DO TEMPO: CARNAVAL DO MOSQUEIRO: “LA DÉCADENCE APRÉS LA ÉLÉGANCE”

Autor: Prof. Alcir Rodrigues

Após certo tempo de ponderação, penso hoje que a Ilha já teve sua era de glamour carnavalesco, mas que o tempo já levou junto com aquela época e com o que ficou naquela última curva que o mesmo vento fez, quando primeiro fez desaparecer a agremiação carnavalesca chamada de Expedição Africana, décadas atrás, que rivalizava, naqueles tempos idos, com Os Peles-Vermelha.

De lá para cá, as agremiações tradicionais, que ainda a custo conseguem suspirar, como a citada Os Peles-Vermelha, Os Piratas da Ilha (e até mesmo o Tá Feio!), mais algumas outras que surgiram depois, como a Estação 1ª. de Maracajá (agora em 2012 festejando 25 anos de fundação), como o Bacu de Sunga e As Peruas, entre outras, devem muito mais sua existência ao entusiasmo, à alegria e à empolgação dos brincantes e simpatizantes (ou mesmo foliões de última hora) do que a qualquer suposta ação institucional de algum órgão (in) competente, como por exemplo PMB, ADMO (Agência Distrital) ou FUMBEL, que, diga-se de passagem, se alguma coisa realizam, é apenas um arremedo do que poderiam/deveriam fazer.

Por isso, dá uma imensa saudade ficar lembrando as “batalhas de confete”, com desfiles em frente a palanques montados diante das sedes do Parazinho e do Pedreira. Dá saudade também dos “carnavais de salão”, com seus bailes (o do Havaí, o do Vermelho e Branco, por exemplo), com a bandinha que encerrava o Carnaval na “Praça da Vila”, depois de já ter ido buscar os foliões nas sedes dos clubes já citados, Pedreira e Parazinho; isso na manhã de Quarta-Feira de Cinzas.

Saudade também se sente dos desfiles nos quais as agremiações saíam com suas alas fantasiadas, já que hoje praticamente impera o uso de abadás, hábito que veio com a abaianização e consequente perda de originalidade e identidade amazônida, que se podia constatar na presença de figuras carnavalescas típicas, como o Bicho-Folharal e o Homem-Lama, por exemplo, além dos Cabeçudos ou Marcianos, sem falar na miríade de homens vestidos de mulher, trajando uniformes de normalistas ou enfermeiras.

Nesse tempo, o desfile de Carnaval acontecia nas duas praças da Vila, a do coreto, em frente à igreja, que é a Cipriano Santos, e a da estátua, que é a Princesa Isabel, perfazendo uma volta completa em torno do “largo”. Blocos, como o Tá Feio!, aproveitavam o ensejo e davam várias voltas na “avenida do samba”. Alguns relatam o sugestivo e hiperbólico número de 33 voltas dadas pelo referido e teimoso bloco. Não sejamos céticos com relação a isso!...

Foi por esse período que passou a ser disputado um jogo de futebol, no campo do Pedreira, entre os times Bonecas e Deslumbradas, no dia 1º. de janeiro. O evento logo-logo se tornou tradição. Os atletas, todos homens, um tanto sob efeito etílico, fantasiados de mulheres, exibiam talento e técnica que só os ilhéus daquela época (e talvez alguns belenenses simpatizantes do carnaval daqui) tiveram o direito de testemunhar. Uma pena que tal tradição acabou!...

Os desfiles fantasiados, incluindo alas organizadas e bem divididas, com carros alegóricos coloridos, tudo de acordo com o enredo defendido pela agremiação, também chegou ao fim, junto com o itinerário que cobria o entorno da “Praça”. Hoje, parece que as “otoridades” e dirigentes das agremiações não mais fazem questão de desfiles desse tipo e nesse espaço privilegiado, mencionado por Castro Alves como local pertencente ao povo, no poema “O povo ao poder”, que inicia assim: “A praça! A praça é do povo/ Como o céu é do condor”. Sendo esse poeta baiano, em Salvador certa praça recebeu seu nome, para homenagear tão ilustre conterrâneo. Por isso, Caetano, renovando o dito do poeta, diz que “A Praça Castro Alves é do povo como o céu é do avião”.

Apesar de coerentíssimos, retomando inclusive uma ideia lá da Grécia antiga, quando a praça era espaço privilegiado de discursos e debates de natureza vária (e se chamava ágora), ambos os artistas são contrariados por essa prática retrógrada, aqui de Mosqueiro, de desrealização carnavalesca na praça, que deixa de ser do povo, portanto. E de quem será? Só se pode afirmar de quem não é mais: do folião. Pois aqui, diferentemente de Salvador, o que apraz aos “pensadores” do empreendimento carnavalesco na Ilha é sua marca notória de decadência. Não importa que tal atitude burra espante o turista, que esgane o emprego e a renda, que sufoque a brincadeira e a alegria momescas.

Já em Salvador ocorre o oposto disso: a estratégia logística bem arquitetada dos circuitos de blocos e trios elétricos desvia o trânsito, distribui e controla os agentes de segurança, com o apoio dos órgãos competentes, entre eles, as secretarias de Segurança, do Turismo e da Cultura, privilegiando a liberdade de ir e vir do folião (brasileiro ou estrangeiro), para este brincar seu carnaval alegremente e, claro, retornar nos próximos anos. E tudo tem sua apoteose na Quarta-Feira de Cinzas, na Praça Castro Alves (Esta, sim, do Povo!). Só que isso não representa o fim do evento, só o (re) começo de uma festa que seguirá até o domingo próximo, para a felicidade não só dos foliões da quadra momesca, mas também a dos trabalhadores em geral, que sentem positivamente em seus bolsos o incentivo da economia local aquecida. É um dinheiro muito justo e bem-vindo, para a alegria de todos e felicidade geral, parafraseando o bom viveur D. Pedro I.

É fácil camuflar a falta de vontade política e o descaso usando em defesa disso a bandeira da segurança pública, o respeito à religiosidade, ou sei-lá-o-que-mais; isso é fácil. O que não é fácil é explicar por que se despreza o estímulo ao emprego e à renda, com o incremento ao turismo como ponta-de-lança desse bem. Também não é fácil explicar que não se estimule o lazer, a cultura e a arte locais. Pois o Carnaval também contribui (e muito!) para o desenvolvimento desses setores.

Como se vê, o único incentivo institucional dado é o caminho para o abismo, ou o fundo do poço! Nem direito sequer a uma frase esperançosa, como “Fé no que virá!” Só o que resta, então, é o melancólico destino que deixa na lembrança dos mais idosos aquela frase paradigmática: “Ah! No meu tempo é que era bom!” Agora, no final da estrada, o esperançoso caminhante encontra tão-somente a decadência, os rastros do que “já-foi”, do que “já-teve”. Junto com a decadência, emerge da lagoa o vazio cultural, a mediocridade da ruína e da pobreza (neste caso, em diversos sentidos). Por tudo isso, pede-se o seguinte aos Srs. Gestores dos órgãos competentes (PMB, ADMO, FUMBEL) e aos dirigentes das agremiações carnavalescas: “Chega de décadence aprés élégance. Devolvam a praça e o Carnaval ao povo!”

Por fim, resta dizer que o Carnaval, verdadeiramente, não pode subsistir sem exalar beleza por todos os poros da epiderme na avenida, nem também sem a alegria no coração do brincante, sem o samba no pé (ou o frevo, o maracatu, dependendo do lugar), ou sem as marchinhas saudosas dos tempos idos, embalando, no ouvido e na alma de todos, o amor incondicional pelo Carnaval, verdadeira e inegável festa do povão.

Apesar dos pesares... Um bom Carnaval para todos. Um abraço para todos os tafeienses de coração, que aqui brindo com uma sequência de fotos resgatadas do ostracismo pelo amigo Gajoba. Também brindamos a todos com o mais ilustre tafeiense, ele o grande inspirador da estética do Bloco, fechando a sequência.

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ADIVINHEM QUEM É?

FONTE: http://moskowilha.blogspot.com/2012/02/carnaval-do-mosqueiro-la-decadence.html#links

CARNAVAL NA ILHA: FOLIA 2012

 

A ilha do Mosqueiro viveu um domingo gordo bem animado. Muito sol, pouca chuva e bastante euforia dos foliões, que, solitários ou em blocos, entrando pela noite e pela madrugada, buscavam extravasar a alegria singular do Reinado de Momo, no palco armado na Vila, pela Prefeitura Municipal de Belém. Ah! Essas Figuras Carnavalescas!

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CARNAVAL NA ILHA: SAMBA-ENREDO 2012 DA E. S. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MARACAJÁ

O samba-enredo intitulado “Vinte e Cinco Anos de Lutas e Muitas Glórias” é uma composição de CARLOS AUGUSTO SANTOS, exaltando a Escola pelo seu 25º. Aniversário e rememorando momentos importantes em sua história.

PESQUISE NESTE BLOG:

Samba-enredo 2012 da U. S. Piratas da Ilha.

Samba-enredo 2012 da E. S. Peles Vermelha.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CARNAVAL NA ILHA: BAÍA DO SOL NA FOLIA 2012

 

PESQUISE NESTE BLOG:

“Baía-do-Sol”

“Ocupação e Colonização da Baía-do-Sol”

“Chupa-chupa na Baía-do-Sol”

“Antigos Carnavais”

“E. S. Estação Primeira de Maracajá”

“Piratas da Ilha”

“Peles Vermelha e sua História”

“UNISAM”

“Tá Feio: ironia e irreverência na avenida”

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

TROCA DE OPINIÕES :” DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: CRÍTICA AO MODELO PADRÃO”

Autor: Leonardo Boff

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Os documentos oficiais da ONU e também o atual rascunho para a Rio+20 encamparam o modelo padrão de desenvolvimento sustentável: deve ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. É o famoso tripé chamado de Triple Botton Line (a linha das três pilastras), criado em 1990 pelo britânico John Elkington, fundador da ONG SustainAbility. Este modelo não resiste a uma crítica séria.

Desenvolvimento economicamente viável – Na linguagem política dos governos e das empresas, desenvolvimento equivale ao Produto Interno Bruto (PIB). Ai da empresa e do país que não ostentem taxas positivas de crescimento anuais! Entram em crise ou em recessão com consequente diminuição do consumo e geração de desemprego. No mundo dos negócios, o negócio é ganhar dinheiro, com o menor investimento possível, com a máxima rentabilidade possível, com a concorrência mais forte possível e no menor tempo possível. Quando falamos aqui de desenvolvimento não é qualquer um, mas o realmente existente que é aquele industrialista/capitalista/consumista Este é antropocêntrico, contraditório e equivocado. Explico-me.

É antropocêntrico, pois está centrado somente no ser humano, como se não existisse a comunidade de vida (flora e fauna e outros organismos vivos), que também precisa da biosfera e demanda igualmente sustentabilidade. É contraditório, pois desenvolvimento e sustentabilidade obedecem a lógicas que se contrapõem. O desenvolvimento realmente existente é linear, crescente, explora a natureza e privilegia a acumulação privada. É a economia política de viés capitalista. A categoria sustentabilidade, ao contrário, provém das ciências da vida e da ecologia, cuja lógica é circular e includente. Representa a tendência dos ecossistemas ao equilíbrio dinâmico, à interdependência e à cooperação de todos com todos. Como se depreende, são lógicas que se autonegam: uma privilegia o indivíduo, a outra o coletivo, uma enfatiza a competição, a outra a cooperação, uma a evolução do mais apto, a outra a coevolução de todos interconectados.

É equivocado, porque alega que a pobreza é causa da degradação ecológica. Portanto, quanto menos pobreza, mais desenvolvimento sustentável haveria e menos degradação, o que é equivocado. Analisando, porém, criticamente, as causas reais da pobreza e da degradação da natureza, vê-se que resultam, não exclusiva, mas principalmente, do tipo de desenvolvimento praticado. É ele que produz degradação, pois dilapida a natureza, paga baixos salários e gera assim pobreza.

A expressão desenvolvimento sustentável representa uma armadilha do sistema imperante: assume os termos da ecologia (sustentabilidade) para esvaziá-los. Assume o ideal da economia (crescimento), mascarando a pobreza que ele mesmo produz.

Socialmente justo – Se há uma coisa que o atual desenvolvimento industrial/capitalista não pode dizer de si mesmo é que seja socialmente justo. Se assim fosse não haveria 1,4 bilhão de famintos no mundo e a maioria das nações na pobreza. Fiquemos apenas com o caso do Brasil. O Atlas Social do Brasil de 2010 (IPEA) refere que cinco mil famílias controlam 46% do PIB. O governo repassa anualmente R$ 125 bilhões para o sistema financeiro para pagar com juros os empréstimos feitos e aplica apenas R$ 40 bilhões para os programas sociais que beneficiam as grandes maiorias pobres. Tudo isto denuncia a falsidade da retórica de um desenvolvimento socialmente justo, impossível dentro do atual paradigma econômico.

Ambientalmente correto – O atual tipo de desenvolvimento se faz movendo uma guerra irrefreável contra Gaia, arrancando dela tudo o que lhe for útil e objeto de lucro, especialmente para aquelas minorias que controlam o processo. Em menos de quarenta anos, segundo o Índice Planeta Vivo da ONU (2010), a biodiversidade global sofreu uma queda de 30%. Apenas de 1998 para cá, houve um salto de 35% nas emissões de gases de efeito estufa. Ao invés de falarmos nos limites do crescimento, melhor faríamos se falássemos nos limites da agressão à Terra.

Em conclusão, o modelo padrão de desenvolvimento que se quer sustentável, é retórico. Aqui e acolá se verificam avanços na produção de baixo carbono, na utilização de energias alternativas, no reflorestamento de regiões degradadas e na criação de melhores sumidouros de dejetos. Mas reparemos bem: tudo é realizado desde que não se afetem os lucros, nem se enfraqueça a competição. Aqui a utilização da expressão “desenvolvimento sustentável” possui uma significação política importante: representa uma maneira hábil de desviar a atenção para a mudança necessária de paradigma econômico se quisermos uma real sustentabilidade. Dentro do atual, a sustentabilidade é, ou localizada, ou inexistente.

FONTE: http://ptdemosqueiro.blogspot.com/2012/02/desenvolvimento-sustentavel-critica-ao.html

MOSQUEIRANDO:

Leonardo Boff é autor do livro “Sustentabilidade: o que é e o que não é”, lançado pela Editora Vozes. Sem dúvida, é uma leitura bastante interessante e polêmica, uma vez que a expressão Desenvolvimento Sustentável está sendo propalada nos quatro cantos da Terra, como a “fórmula mágica ambientalista” para salvar o planeta. Discussões e opiniões divergentes sobre o tema são realmente importantes, mas o tempo é exíguo e as soluções se fazem urgentes e extremamente necessárias. Enquanto elas não chegam, a ilha do Mosqueiro continua sofrendo uma enorme pressão antrópica, resultante da ocupação desordenada de suas terras, sem um planejamento eficaz e futurista realizado pelo Poder Público.

PESQUISE NESTE BLOG:

“Poder versus Ecologia”

“A Emancipação da Ilha”

“A Emancipação da Ilha (2)”

“PMM – Desafios e Possibilidades para o Turismo”

“Análise do Turismo na Ilha de Mosqueiro Mediante a Análise de Mapas Ambientais”

“Entre Trapiches, Trilhas e Vilas”

“Guia Caruaru”

Práticas de Pesca Sustentável numa Comunidade Tradicional da Amazônia – Estudo de Caso”

Participação das Mulheres na Pesca”

A Ilha e o Paraguai”

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO DA PRAIA GRANDE

Mastro das Mulheres, evento profano da Festividade de São Sebastião da Praia Grande, na ilha do Mosqueiro.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

JANELAS DO TEMPO: OS PASSOS DA FÉ EM SÃO SEBASTIÃO DA PRAIA GRANDE

 

Comemorado no dia 20 de janeiro, São Sebastião da Praia Grande reúne inúmeros devotos em uma festividade tradicional na ilha do Mosqueiro.

Início da Devoção: o Sr. Domingos de Oliveira traz de Portugal a Imagem do Santo, em 27 de julho de 1856.

Popularização da festa: Teria ocorrido a partir de 1789.

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FOTO: Alice Lameira, 2011

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FOTO: Wanzeller, 2012

Doação da Imagem: Após o falecimento do patriarca, a família Oliveira doou a imagem original para a Capela da Irmandade de Nossa Senhora do Ó.

Retomando a tradição: Com a atual imagem, também trazida de Portugal, e através de manifestações populares religiosas e profanas, a família deu continuidade à tradicional festa, cujos promotores assim estão relacionados: Ângelo de Oliveira (filho), Dona Eufrásia de Oliveira (filha), Dona Guiomar de Oliveira (neta) e Wanda de Oliveira dos Anjos (bisneta), que assumiu a liderança a partir de 1979.

clip_image006 Wanda Oliveira (esq.) e Alice Lameira, Juíza da Bandeira (dir.)

A Imagem do Santo: É uma belíssima imagem restaurada há pouco tempo por um especialista, na Igreja de São Judas Tadeu.

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FOTO: Wanzeller (2012)

Eventos religiosos: novenas, missas, ladainhas e procissão.

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Romaria (FOTO: Alice Lameira, 2011)

Cortejo do Mastro: Conduzido principalmente por mulheres, o Mastro é o evento profano mais importante da festividade.

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FOTO: Eduardo Anselmo, 2012

MOSQUEIRANDO: Pesquise neste blog São Sebastião da Praia Grande.